[{"jcr:title":"InsperCiência Debate destacou as aplicações do RNA para a medicina"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"InsperCiência Debate destacou as aplicações do RNA para a medicina","jcr:description":"Evento marcou o lançamento do livro “RNA – The Epicenter of Genetic Information”, de coautoria de Paulo de Paiva Amaral, professor de Bioengenharia do Insper"},{"subtitle":"Evento marcou o lançamento do livro “RNA – The Epicenter of Genetic Information”, de coautoria de Paulo de Paiva Amaral, professor de Bioengenharia do Insper","author":"Ernesto Yoshida","title":"InsperCiência Debate destacou as aplicações do RNA para a medicina","content":"Evento marcou o lançamento do livro “RNA – The Epicenter of Genetic Information”, de coautoria de Paulo de Paiva Amaral, professor de Bioengenharia do Insper   Tiago Cordeiro   A distrofia muscular de Duchenne se manifesta exclusivamente em homens, na proporção de 1 para cada 3.500 nascimentos. Costuma ser identificada por volta dos 5 anos de idade. É resultado de um gene defeituoso, que provoca a ausência de uma proteína fundamental para garantir a integridade dos músculos. Por volta dos 12 anos, a criança para completamente de andar. Sofre problemas cardíacos e respiratórios. A expectativa de vida média é de apenas 26 anos. Não existe cura, apenas tratamentos paliativos, utilizando corticóides e fisioterapia, além de aparelhos de ventilação assistida para reduzir o desconforto. Mas há um caminho promissor: “A edição genética pode resultar em tratamentos mais eficazes, não invasivos, que não demandam hospitalização”, disse, no último dia 10, o professor Jackson Scott Winter, do departamento de Bioengenharia do Grainger College of Engineering, da Universidade de Illinois. Winter participou do evento [“O Epicentro da Informação Genética e as Perspectivas de Uso do RNA Mensageiro”](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/o-epicentro-da-informacao-genetica-e-as-perspectivas-de-uso-do-rna-mensageiro/) , uma realização do Insper. O seminário marcou o lançamento do livro [ RNA – The Epicenter of Genetic Information ](https://www.routledge.com/RNA-the-Epicenter-of-Genetic-Information/Mattick-Amaral/p/book/9780367567781) , que mapeia as principais contribuições da biologia molecular e, por fim, apresenta as perspectivas para as pesquisas na área. Escrita em inglês e disponível gratuitamente, a obra é de coautoria de [Paulo de Paiva Amaral](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/paulo-de-paiva-amaral/) , professor de Bioengenharia do Insper, em parceria com John Mattick, professor de biologia de RNA na University of New South Wales, em Sydney, na Austrália. O debate [permanece disponível no canal de YouTube](https://youtu.be/QSxap3zigqQ) da instituição. “Ao longo da última década, observamos uma disparada no número de terapias genéticas em desenvolvimento utilizando o CRISPR”, disse Winter, fazendo referência ao “conjunto de repetições palindrômicas curtas regularmente espaçadas”, uma técnica que funciona como uma espécie de tesoura para código genético. O CRISPR não seria possível sem uma revolução experimentada no estudo do código genético. Esboçada nos anos 90, ela acabou por derrubar uma série de mitos a respeito da função do RNA para a manutenção da vida. O livro do professor Amaral tem o objetivo precisamente de relatar essa história, desde as primeiras descobertas a respeito da existência do RNA até suas aplicações mais recentes.   Novas abordagens Até duas décadas atrás, considerava-se que apenas 1,2% do código genético humano tinha utilidade, porque produzia proteína. O restante era considerado lixo. “O RNA era considerado apenas o intermediário entre a informação genética que está no DNA e as proteínas”, relatou o professor do Insper durante o evento. “Hoje sabemos que ele exerce uma série de outras funções. Tem capacidade de interagir com outros RNA e de formar fitas duplas ou triplas com DNA, além de atuar junto às proteínas.” Essa visão é coerente com a nova era de sequenciamento e mapeamento de genes, clonagem e edição genética. “Agora o RNA é compreendido como uma ferramenta para terapias e manipulação em biotecnologia. Temos a oportunidade de utilizar RNA e RNA mensageiros como vacinas e terapias.” Outro palestrante, o professor Luis Carlos de Souza Ferreira, diretor da Plataforma Científica Pasteur da Universidade de São Paulo (USP), abordou precisamente o uso de RNA mensageiro para o tratamento e a prevenção de câncer. “Depois de um início tímido, as vacinas de RNA mensageiro foram beneficiadas por avanços tecnológicos, parcerias público-privadas e um novo horizonte para o desenvolvimento de vacinas e terapias”, observou. Não apenas duas das vacinas mais eficazes contra a covid-19 foram desenvolvidas em tempo recorde utilizando RNA mensageiro, como existem vacinas em desenvolvimento para tratar câncer, apontou Ferreira. Tudo indica que os tumores induzidos por HPV-16, em especial, poderão ser tratados dessa forma num futuro próximo. “Seria um tratamento sem efeitos colaterais, com custo inferior e maior capacidade para conter a recorrência da doença”, afirmou.   Futuro promissor Todos os participantes comentaram que esse é um caminho dos mais promissores, e que está apenas no início. “O mundo do RNA está abrindo um capítulo de abordagens terapêuticas infinitas. Fora outras aplicações que a gente sequer pensa que poderão existir”, avaliou Ferreira. “Quando você olha as doenças desse novo ponto de vista, o do RNA, muitas delas são resultado dos mesmos problemas, o que abre a possibilidade para tratamentos amplos e eficazes”, concordou, na mesa-redonda que encerrou o evento, Helder Nakaya, pesquisador sênior do Hospital Israelita Albert Einstein e professor adjunto da Universidade de Emory. “Tem muita coisa que a gente ainda não sabe”, lembrou, por sua vez, Daniela Sanchez Basseres, do departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP. “Para avançar, precisamos de abordagens multidisciplinares, que podem ser ensinadas já na graduação. Os novos profissionais de biologia e genética vão precisar entender de informática.”  "}]