[{"jcr:title":"Aparência do candidato interfere em sua votação, conclui estudo sobre o Brasil","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Aparência do candidato interfere em sua votação, conclui estudo sobre o Brasil","jcr:description":"Quanto mais masculina a face de uma mulher, maiores suas chances de ser eleita"},{"subtitle":"Quanto mais masculina a face de uma mulher, maiores suas chances de ser eleita","altText":""Santinhos" de candidatos espalhados pelo chão em Salvador (BA) durante as eleições de 2022","status":"publish","slug":"aparencia-do-candidato-interfere-em-sua-votacao-conclui-estudo-sobre-o-brasil","title":"Aparência do candidato interfere em sua votação, conclui estudo sobre o Brasil","content":"Quando um candidato se expõe na propaganda de TV no Brasil, os traços característicos de sua aparência pesam na quantidade de votos que receberá. Essa relação é mais acentuada para candidatas mulheres, cujas chances de ser eleitas se elevam à medida que seu rosto contenha mais traços masculinos, revelando um viés de gênero implícito na forma como os eleitores selecionam as feições dos candidatos. Quanto menos informação sobre o candidato o eleitor tiver, mais ele tenderá a recorrer à aparência para decidir o voto. Em sua [ tese de doutorado](https://repositorio.insper.edu.br/handle/11224/5489) no Insper, Felipe Wajskop França chegou a essas conclusões vasculhando mais de 1,5 milhão de fotos de candidatos a vereador, prefeito, deputado estadual e deputado federal, que disputaram pleitos de 2004 a 2018. Seu objetivo foi investigar, munido dos resultados das votações brasileiras, a hipótese recorrente na literatura especializada de que traços físicos ajudam a prever resultados eleitorais. Técnicas da computação permitem extrair de uma imagem bidimensional, como as dos postulantes a cargos políticos armazenadas na Justiça Eleitoral, dezenas de pontos identificadores das características faciais — nariz, olhos, orelhas, boca etc. — de cada pessoa e mapeá-los num esquema cartesiano de três dimensões. Com as relações entre esses pontos, e valendo-se da literatura de psicologia social, Felipe construiu quatro medidas de aparência: simetria, tipicidade (estar próximo das características médias da sua região), juventude (aparentar ser mais jovem) e dimorfismo sexual. Na literatura, as primeiras três estão associadas a atratividade e a competência. Os traços masculinos se associam a dominância, e os femininos, a honestidade. Candidatos e candidatas ao cargo de vereador, o posto com mais postulantes, em média têm feições mais masculinas nas regiões Sul e Sudeste e mais femininas no Nordeste. Há mais homogeneidade de rostos no Sul, já no Norte ocorre mais diversificação. Políticos concorrendo por siglas de direita têm traços mais masculinos que os de esquerda. Candidatos não brancos aparentam ser mais jovens do que os brancos. Quem concorre em municípios menores e mais pobres tende a ter feição mais homogênea.   A análise econométrica permitiu ao pesquisador confrontar os resultados das eleições com as variáveis que exprimem a aparência dos candidatos para verificar se traços associados a atratividade, dominância (masculinidade) ou honestidade (feminilidade) rendem mais votos. Por esse mecanismo, chamado de heurística, o eleitor utilizaria atalhos que substituem a avaliação mais detida e informada para decidir em quem votar. A fim de focalizar a investigação em situações em que o eleitor é exposto à imagem do candidato, o trabalho de Felipe França identificou as localidades em que há estações de TV e, portanto, a obrigação legal de veiculação da propaganda eleitoral dos candidatos locais. O principal resultado desse exercício mostra que, para candidatas mulheres a cargos municipais (vereadoras e prefeitas), rostos que contenham traços mais masculinos logram obter mais votos nas urnas. Candidatos homens não parecem se beneficiar de sua aparência, nem ser prejudicados por ela, de maneira persistente. Nesse ponto o trabalho detecta um viés de gênero, machista, no modo como os mecanismos de heurística do eleitorado atuam para selecionar em candidatas mulheres traços que as aproximem dos masculinos. A capacidade de atrair emendas para o seu município e o desempenho da administração em testes de integridade contra a corrupção foram utilizados pelo pesquisador para avaliar se prefeituras governadas por políticos de boa aparência se sobressaem na qualidade da gestão. A resposta foi negativa, sugerindo que a heurística neste caso não se mostrou um método eficaz de escolha dos melhores gestores públicos. Aproveitando-se da introdução paulatina da urna eletrônica, que aumentou os votos válidos dos menos instruídos ao simplificar o processo, Felipe França testou e validou a hipótese de que esses eleitores, que também são os mais pobres, utilizam-se com mais frequência dos julgamentos sobre a aparência dos candidatos para decidir o voto. LEIA O ESTUDO: [The Face of the Vote: How the Facial Features of Candidates Influence the Decision of Voters](https://repositorio.insper.edu.br/handle/11224/5489)"}]