[{"jcr:title":"Três sugestões de livros sobre mulheres inspiradoras do nosso tempo"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Três sugestões de livros sobre mulheres inspiradoras do nosso tempo","jcr:description":"A professora Graziela Tonin indica a leitura das obras sobre a atriz Viola Davis, a ativista Malala Yousafzai e a empresária Luiza Helena Trajano"},{"subtitle":"A professora Graziela Tonin indica a leitura das obras sobre a atriz Viola Davis, a ativista Malala Yousafzai e a empresária Luiza Helena Trajano","author":"Ernesto Yoshida","title":"Três sugestões de livros sobre mulheres inspiradoras do nosso tempo","content":"A  professora Graziela Tonin indica a leitura das obras sobre a atriz Viola Davis, a ativista Malala Yousafzai e a empresária Luiza Helena Trajano   Graziela Tonin*   Gosto muito de ler sobre mulheres que têm histórias inspiradoras para contar, mulheres cujas trajetórias estão repletas de lições de vida para todos nós. Comento a seguir a respeito de três livros sobre mulheres marcantes do nosso tempo: Viola Davis – Em Busca de Mim, Eu Sou Malala e Luiza Helena – Mulher do Brasil. São histórias que representam a mulher do cotidiano, que ainda precisa lutar por respeito e igualdade. As mulheres retratadas nessas obras venceram, não desistiram dos seus sonhos e carregam em suas trajetórias importantes lições sobre nosso papel como indivíduos e como sociedade civil. Elas nos inspiram a sermos protagonistas de um mundo mais justo e igualitário, de um mundo melhor. Cada uma dessas jornadas nos faz refletir sobre o que iremos contar da nossa própria história, sobre o legado que estamos construindo.   Viola Davis – Em Busca de Mim Editora BestSeller (2022), 266 págs.   Este livro conta a história de Viola Davis, uma renomada atriz americana que ganhou a tríplice coroa da atuação. Ela recebeu um Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua atuação em Fences , em 2017; um Emmy Award de melhor atriz dramática, por seu desempenho em How to Get Away with Murder, em 2015; e dois Tony Awards, de melhor atriz coadjuvante em peça, por seu papel na produção original de King Hedley II , em 2001, e de melhor atriz principal por sua performance no revival de Fences , em 2010. Foi apontada pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2012 e em 2017. Em sua biografia, Viola narra sua história desde a infância, o preconceito e o racismo que sofreu ainda na escola, até os dias atuais. Quando cursava a terceira série, ela abominava a saída da escola, pois todos os dias era humilhada e ameaçada por colegas. Sua realidade era de uma garota pobre que morava em um local infestado de ratos (que roíam a cabeça de suas bonecas) e passava a maior parte do tempo numa casa sem energia, aquecimento e infraestrutura. Era um lar onde diariamente presenciava ataques violentos de seu pai contra sua mãe. Viola, inconformada com tudo isso, luta por seus sonhos, entra na prestigiosa Julliard School e torna-se não somente uma triz renomada, mas uma ativista pelos direitos civis e contra a segregação racial. A história de Viola reflete a história de milhares de jovens, pobres e negros e se torna um retrato contemporâneo das mazelas que ainda permeiam nossa sociedade. Mostra o impacto e as sequelas na vida de uma criança que tem sua infância e sonhos ceifados, em uma luta dura e desigual para alcançar uma vida digna. O livro nos leva a refletir sobre nossas ações do cotidiano, nossas reações em face de circunstâncias que perpetuam a segregação racial, o preconceito e as desigualdades. É um convite para encararmos a realidade e não nos calarmos diante de tais fatos. Mas, mais do que isso, nos policiarmos para não sermos meros opressores que perpetuam tais mazelas.   Eu Sou Malala Companhia das Letras (2013), 360 págs.   A segunda sugestão é o livro da jovem paquistanesa Malala Yousafzai, cuja força e bravura se tornaram mundialmente conhecidas. Em 9 de outubro de 2012, ela foi baleada na cabeça por membros do Talibã, quando voltava para casa após uma manhã de provas na escola. Em 2014, com 17 anos, a ativista se tornou a pessoa mais jovem a ser laureada com o Prêmio Nobel da Paz. No livro, Malala discorre sobre o dia a dia da sua infância, o medo e os desafios de viver em meio ao fogo cruzado entre o Exército e o Talibã. Era um Exército que parecia não querer de fato deter o avanço do Talibã, e Malala e seus familiares não conseguiam entender por que o governo, em vez de protegê-los, parecia que a cada dia dava mais suporte aos extremistas. Malala começou a relatar seu dia a dia para a BBC em 2009, sob o pseudônimo de Gul Makai. Quatro meses depois, precisou deixar o país com sua família devido ao avanço do Talibã. Ela retornou ao Paquistão no mesmo ano, após o Exército dizer que havia tido sucesso no combate ao Talibã, o que não era uma realidade. Em 2012, após ser atingida por tiros, ela passou a viver com sua família no Reino Unido. Malala é uma ativista que luta pelos direitos das meninas em todo o mundo, especialmente pelo direito à educação. Sua história é mais um retrato de como o extremismo, a deturpação de uma cultura e sua crenças, a defesa e a propagação de certos preceitos em nome da moralidade se tornam uma poderosa e violenta arma de opressão, de destruição dos direitos humanos, em especial de jovens e mulheres que passaram a ser tratadas como meros objetos de seus pais e maridos. A história de Malala mostra a importância de estarmos continuamente vigilantes e defensores dos direitos civis básicos, e que não podemos nos calar diante de ameaças em nome de certos vieses culturais disfarçados da defesa da moralidade, criados unicamente para impedir que meninas e mulheres vivam livremente em seus países.   Luiza Helena – Mulher do Brasil De Pedro Bial, Editora Gente (2022), 320 págs.   Minha última dica é do livro dessa brasileira inspiradora, Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza. Luiza é uma empreendedora que transformou uma loja no município de Franca, no interior paulista, fundada por sua tia, que também se chama Luiza, em uma das maiores varejistas do país e que gera milhares de empregos. Seu propósito e sua voz ganharam o mundo. Foi eleita “Person of The Year” pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (2020), uma das 25 mulheres mais influentes do mundo pelo jornal Financial Times (2021) e uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2021)). Líder social notável, ela também é presidente do Grupo Mulheres do Brasil, um grupo suprapartidário, focado em ações e projetos sociais em prol de um país melhor, de um mundo melhor — são mais de 111.000 mulheres com 155 núcleos, 115 nacionais e 40 internacionais, que durante a pandemia liderou o movimento Unidos pela Vacina, levando insumos de apoio à vacinação a muitos munícipios do país. Nesta obra escrita pelo jornalista Pedro Bial, Luiza conta sua trajetória, compartilha sua experiência e suas lições de vida, sem deixar de mencionar os desafios e os preconceitos enfrentados por uma mulher do interior em um segmento majoritariamente dominado por homens. Narra também como foi planejada a expansão e sua sucessão no Magazine Luiza, um exemplo de profissionalismo e competência em uma empresa familiar. A história de Luiza retrata sua força, sua sagacidade, suas lições de vida, seu amor pelo Brasil. Cada história e cada página é uma oportunidade de refletir, aprender e tomar para si um ensinamento que poderá ser usado e aplicado no seu dia a dia. Autêntica, ela nos traz valiosas lições sobre a importância do protagonismo feminino, da ação. Como ela mesma diz, “É pra já”, de “Não pegar culpa” por nem sempre estar presente nas nossas famílias por causa da nossa vida profissional, e a importância de seguirmos nossa intuição ao longo da jornada. Luiza nos faz refletir sobre nosso papel e nossa postura enquanto cidadãos brasileiros não somente diante das desigualdades e dos problemas, mas também em relação à força da sociedade civil organizada na construção de um país melhor.    * Graziela Tonin  é doutora em Ciência da Computação pela Universidade de São Paulo, na área de Engenharia de Software, Dívida Técnica e Metodologias Ágeis. Ela leciona a disciplina Projeto Ágil e Programação Eficaz no curso de  [Ciência da Computação](https://www.insper.edu.br/graduacao/ciencia-da-computacao/)  do Insper."}]