[{"jcr:title":"Insper Cineclube apresenta a animação “Akira”, um clássico do cinema japonês"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Insper Cineclube apresenta a animação “Akira”, um clássico do cinema japonês","jcr:description":"O filme de Katsuhiro Otomo mostra um mundo assombrado por paranormais, bombas nucleares e desilusão"},{"subtitle":"O filme de Katsuhiro Otomo mostra um mundo assombrado por paranormais, bombas nucleares e desilusão","author":"Ernesto Yoshida","title":"Insper Cineclube apresenta a animação “Akira”, um clássico do cinema japonês","content":"O filme de Katsuhiro Otomo mostra um mundo assombrado por paranormais, bombas nucleares e desilusão   Leandro Steiw   O Insper Cineclube apresenta no dia 19 de outubro, às 18h, no Auditório, um dos personagens mais adorados dos quadrinhos japoneses. A animação Akira , lançada em 1988, foi roteirizada e dirigida por Katsuhiro Otomo, o artista que criou o violento mundo em mangá  (quadrinhos japoneses) alguns anos antes. Descontada a imaginação fértil da história, o filme é um exemplo da capacidade de criação da cultura pop em um período atormentado por Guerra Fria, ameaça nuclear, desemprego, desilusão e mudanças tecnológicas. Preservando a essência do mangá , o anime mostra Tóquio arrasada por uma explosão nuclear em 1988 e reconstruída em ilhas artificiais. Mas a nova capital japonesa, 31 anos depois, é uma metrópole de 21 milhões de habitantes sob lei marcial e assolada por corrupção, protestos, violência e rebeldia. Os motoqueiros Kaneda e Tetsuo pertencem a uma gangue. Após um acidente de moto, Tetsuo desenvolve poderes sobrenaturais semelhantes aos de Akira, o paranormal que causou a detonação da Terceira Guerra Mundial. O temor da destruição está de volta. Acidentes radioativos, futuro distópico e caos tecnológico, o caldo de Akira , são temas recorrentes na ficção científica rotulada como cyberpunk . No cinema, o exemplar mais cultuado é Blade Runner , de 1982, o mesmo ano de lançamento do mangá de Otomo que deu origem à animação. Não é coincidência, portanto, que muitos dos cenários do desenho lembrem a Nova York suja e caótica do diretor Ridley Scott. Tanto Otomo quanto Scott beberam na fonte dos mesmos artistas. Um deles, o americano Syd Mead (1933-2019), desenhou em 1981 os veículos futuristas de Blade Runner e de Tron: Uma Odisseia Eletronica , de Steven Lisberger, também lançado nos cinemas em 1982. À revista “Forbes”, Otomo disse que as motos da gangue de Kaneda foram inspiradas nas light cycles concebidas por Mead para Tron . Grande referência para o artista japonês foi também o mangá Tetsujin 28-go , escrito de 1956 a 1966 por Mitsuteru Yokoyama, no qual buscou o enredo. E Star Wars , de George Lucas, marco das aventuras de ficção científica. No cinema, o que tornou Akira um título que resiste ao tempo foi o detalhamento artístico e técnico incomum para a época. Produzido em 24 quadros por segundo, com cerca de 160.000 fotos rodadas em 124 minutos, Akira superava a tradicional taxa de 18 quadros por segundo adotada pelos estúdios especializados. A paleta de 327 cores contribuiu para deixar os movimentos mais fluidos e distintos. Do padrão Disney, o diretor repetiu o processo de gravar as vozes das personagens antes de começar os desenhos e encomendar a trilha sonora, orientando o trabalho dos desenhistas. Apesar do orçamento recorde de 9 milhões de dólares para um desenho japonês, Otomo voltou para casa frustrado quando assistiu à primeira exibição de Akira . Ele contou que só superou a sensação de fracasso quando viu a versão com o som remasterizado. Importante lembrar que ele supervisionou todo o trabalho de animação, inclusive os cortes necessários para adaptar as 2.000 páginas do mangá em duas horas de filme, e testemunhou a pressão do tempo sobre a equipe de animadores. Afinal, tudo foi desenhado à mão.   Saga incompleta Entre os fãs da série, é provável que os quadrinhos superem o anime em adoração. Um motivo parece óbvio: quando Akira estreou nos cinemas, quatro dos seis volumes da HQ haviam sido publicados. Logo, o longa-metragem não aborda a saga completa, encerrada em 1990. Outro indicativo está no entusiasmo comedido em relação à prometida adaptação em live action , atualmente abraçada pelo diretor Taika Waititi, mas sem avanços na produção — que precisará ser aprovada por Otomo. Akira só apareceu nas telas brasileiras em agosto de 1991, em São Paulo, mais de três anos depois do lançamento no Japão. Para os padrões atuais, um atraso absurdo, mas bem usual em se tratando de produções com divulgação limitada. Desenhos animados, salvo raras exceções, eram programas para crianças, e não para adultos. Quando o anime estreou no Rio de Janeiro, o “Jornal do Brasil” justificou o público de 100.000 espectadores em São Paulo “graças a uma campanha de publicidade que alterou seu perfil de filme cult e atraiu hordas de crianças aos cinemas”. De fato, Akira foi classificado como não recomendado para menores de 10 anos, liberando os assentos das salas para os adolescentes. E retroalimentou o desejo pela revista ilustrada — até então, lançada por aqui apenas na versão americanizada, colorida e com sentido de leitura ocidental. Sucessos do cinema costumam driblar as percepções apressadas. No roteiro de 1991, a “Folha de S.Paulo” definiu Akira como “desenho animado com doses cavalares de ação e violência”. Passados 34 anos da transposição da obra clássica de Otomo, a descrição continua tão certa quanto imprecisa.   Três curiosidades sobre “Akira”   1. Dia D No Japão, a estreia nos cinemas foi no mesmo dia da destruição fictícia de Tóquio, narrada no anime: 16 de julho de 1988.   2. Doses de coincidências Na ficção, Neo Tóquio se prepara para as Olímpiadas de 2020, quando acontece o incidente com Tetsuo que põe a humanidade em risco. Na vida real, Tóquio deveria ter sediado os jogos olímpicos em 2020, mas a competição foi adiada por um ano devido à pandemia da covid-19.   3. A imagem que resiste Diversas animações homenagearam o deslize da moto de Kaneda na primeira perseguição. As recriações usam bicicletas, skates, cavalos, leões, insetos, carros, lambretas, corpos livres e, evidentemente, motocicletas, envolvendo personagens como Homem-Aranha, Batman, Obi-Wan Kenobi, Teen Titans, Lego, Pokémon e Tartarugas Ninjas e de uma infinidade de animes japoneses, facilmente encontráveis no YouTube.  "}]