[{"jcr:title":"Crises interrompem avanço rumo à erradicação da pobreza extrema"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Crises interrompem avanço rumo à erradicação da pobreza extrema","jcr:description":"Mais pessoas no mundo passaram a viver com menos de 2,15 dólares por dia em 2020, mas esse impacto foi sentido de forma desigual nos países"},{"subtitle":"Mais pessoas no mundo passaram a viver com menos de 2,15 dólares por dia em 2020, mas esse impacto foi sentido de forma desigual nos países","author":"Ernesto Yoshida","title":"Crises interrompem avanço rumo à erradicação da pobreza extrema","content":"Mais pessoas no mundo passaram a viver com menos de 2,15 dólares por dia em 2020, mas esse impacto foi sentido de forma desigual nos diferentes países e regiões   Bernardo Vianna   A mais recente edição do relatório [Pobreza e Prosperidade Compartilhada](https://openknowledge.worldbank.org/handle/10986/37739) , publicada no início de outubro pelo Banco Mundial, aponta que é pouco provável que a meta de erradicação da extrema pobreza até o ano de 2030 seja alcançada. Um dos [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas](https://brasil.un.org/pt-br/sdgs) , a superação da extrema pobreza em todo o mundo pode ter sido adiada pelos sucessivos choques econômicos causados por recessões nacionais, pela pandemia da covid-19 e, mais recentemente, pela guerra entre a Ucrânia e a Rússia. O relatório estima que a pandemia levou cerca de 70 milhões de pessoas para baixo do limiar de extrema pobreza, indicador atualizado, em 2017, para representar a subsistência com menos de 2,15 dólares por dia. Ao todo, no final de 2020, aproximadamente 719 milhões de pessoas estavam nessa condição. Trata-se de uma reviravolta histórica: desde a década de 1990 não havia inversão da tendência de redução da pobreza extrema no mundo.     Segundo o presidente do Banco Mundial, David Malpass, o avanço em direção à erradicação da pobreza extrema foi praticamente interrompido. “Preocupam-nos o aumento na pobreza extrema e o declínio na prosperidade compartilhada resultantes da inflação, da depreciação de moedas e das crises mais amplas e sobrepostas que desafiam o desenvolvimento. Isso gera uma perspectiva sombria para bilhões de pessoas em todo o mundo”, declarou Malpass. Ainda de acordo com o relatório, a redução do número de pessoas vivendo em pobreza extrema já havia desacelerado desde 2014. O estudo observa que o motivo pode ser a concentração da pobreza nas áreas onde será mais difícil erradicá-la: zonas rurais e afetadas por conflitos, em especial na África Subsaariana. A taxa de pobreza extrema da região é de cerca de 35%, a mais alta do mundo. Segundo o Banco Mundial, para alcançar a meta de 2030, os países dessa porção do continente africano precisarão fazer suas economias crescerem a um ritmo de 9% do PIB per capita ao ano, taxa muitíssimo maior do que a média de 1,2% apresentada ao longo da década anterior à pandemia.     A análise do Banco Mundial observa que países que articularam políticas públicas para mitigar os efeitos econômicos da pandemia conseguiram reduzir razoavelmente o impacto sobre seus respectivos indicadores. O texto avalia que, nos países em desenvolvimento, a taxa de pobreza extrema poderia ser até 2,4 pontos percentuais mais alta se não fossem tomadas medidas de auxílio fiscal. Já nos países mais ricos, os gastos públicos foram capazes de até mesmo neutralizar o impacto da covid-19 sobre a economia.     Os dados sobre a variação da taxa de pobreza extrema no Brasil são um indicador do que podem alcançar as políticas de garantia de renda, mesmo que temporárias. Enquanto o mundo experimentava um revés histórico, a proporção de pessoas em extrema pobreza no Brasil, no final de 2020, era 3,5 pontos percentuais menor do que no final de 2019, o que pode estar relacionado ao pagamento do Auxílio Emergencial. Para o Banco Mundial, reformas de políticas públicas nacionais podem ajudar a retomar os avanços rumo à erradicação da extrema pobreza no mundo, mas será necessário, também, intensificar a cooperação global em torno desse objetivo."}]