[{"jcr:title":"“Queremos causar um chacoalhão ético com muito diálogo e acesso à leitura”"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"“Queremos causar um chacoalhão ético com muito diálogo e acesso à leitura”","jcr:description":"A professora Daniela Assofra apresenta a disciplina Ética, Computação e Sociedade, do primeiro semestre de Ciência da Computação"},{"subtitle":"A professora Daniela Assofra apresenta a disciplina Ética, Computação e Sociedade, do primeiro semestre de Ciência da Computação","author":"Ernesto Yoshida","title":"“Queremos causar um chacoalhão ético com muito diálogo e acesso à leitura”","content":"A professora Daniela Assofra apresenta a disciplina Ética, Computação e Sociedade, do primeiro semestre de Ciência da Computação Daniela Assofra: discussão de dilemas éticos do uso da tecnologia   Leandro Steiw   A socióloga Daniela Fatoreto Assofra é uma das professoras da disciplina Ética, Computação e Sociedade, ministrada no primeiro semestre do novo curso de [ Ciência da Computação ](https://www.insper.edu.br/graduacao/ciencia-da-computacao/) do Insper. Mestra em Estudos Culturais pela Universidade de São Paulo (USP), com graduação em Sociologia e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ela tem interesse em questões multidisciplinares das ciências humanas e das exatas. No doutorado em Ciência Política na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em andamento, Daniela pesquisa a relação entre movimentos sociais e as tecnologias contemporâneas. Os alunos de graduação já conhecem a professora da disciplina Grandes Desafios da Engenharia, oferecida nos três cursos de Engenharia do Insper. “Esse diálogo de campos tem, para mim, uma perspectiva muito pessoal”, diz. “Tem essa constante flexibilidade de estar no universo dos cientistas da computação, dos engenheiros, mas também de olhar para as minhas áreas de origem e saber criar relações e diálogos.”   Como será a disciplina Ética, Computação e Sociedade? Ética, Computação e Sociedade é uma disciplina de humanidades, com uma carga de leitura interessante não pela quantidade, mas pela densidade. Apesar de trabalhar com esse trinômio, computação eles terão ao longo da graduação toda, então eu prefiro cuidar um pouco mais dessa densidade entre ética e sociedade. Vamos ter algumas leituras que problematizam como somos usuários ou consumidores da computação, principalmente das tecnologias digitais. Os alunos são muito jovens, nativos digitais, que não são apenas só usuários, serão produtores de tecnologia. Então, recai sobre eles uma responsabilidade muito grande não só do usuário, como eu disse, mas de pensar quem sou eu, de que lugar eu parto, qual o meu treinamento técnico, qual a minha vivência ética, os meus preceitos éticos para poder produzir tecnologia, seja ela intangível, dos softwares, ou tangível, de computadores, máquinas e tudo mais. O legal da disciplina é trabalhar numa dinâmica tanto de leitura quanto de debate, com a produção de podcasts, vídeos e várias mídias, para que o aluno se aproprie desses assuntos, que são muito contemporâneos. Temos uma bibliografia recentíssima para o curso, quem contempla também a perspectiva histórica dos temas. Acho que, em termos de tecnologia digital, as coisas estão acontecendo muito rapidamente e se colocam dilemas éticos, questionamentos morais e problemáticas políticas econômicas muito grandes, mas elas não são tão novas assim como muita gente pensa. Quando trabalhamos com alunos de graduação, muito jovens na sua maioria, eles acabam naturalizando certos temas, colocando grandes problemas éticos da tecnologia como se fossem corriqueiros, como se fossem muito naturais – e aí tem uma questão geracional também. Mas, só para voltar um pouco, acho que o curso vai trabalhar esse trinômio, dar uma ênfase maior às questões éticas, colocar problemas e dilemas para discutir, mas fugindo do achismo. Vivemos num momento de muita informação, de acesso a redes sociais e a outros tipos de informação, então tentamos fugir um pouco disso. Utilizaremos argumentos que as redes possam trazer, porque elas trazem muita coisa, mas buscaremos estudiosos, pensadores, uma variedade de autores e autoras para dar densidade ao debate. Senão, só reproduzimos o que todos estão falando. Acho que precisamos buscar uma sofisticação maior para os cientistas da computação do Insper, pelo grau ético de responsabilidade que eles vão ter.   Poderia citar alguns autores que serão trabalhados em aula? Temos o Evgeny Morozov (autor de Big Tech: A ascensão dos dados e a morte da política ), que é um crítico da tecnologia que há alguns anos era mais mordaz, mas hoje já está mais palatável. Também a filósofa Shoshana Zuboff, cuja edição brasileira do livro A Era do Capitalismo de Vigilância foi lançada no ano passado. Os alunos não vão ler todo o livro, que é um calhamaço de 800 páginas. Prefiro selecionar alguns capítulos, pinçar algumas coisas mais específicas, porque, como eu disse, a ideia não é quantidade, mas qualidade. Temos também autores brasileiros na bibliografia, como o Sergio Amadeu e o Rodolfo Avelino, que também é professor do Insper. Ao construir o curso, tentamos incluir várias vozes, geralmente um pouco mais críticas, para causar nos alunos certo chacoalhão, para tirar um pouco dessa aceitação de que as coisas que acontecem são normais. Como a gente quer buscar densidade, o pensamento crítico precisa ser trabalhado de uma forma mais sensível. Não tem como tratar o tema de ética na computação, na tecnologia e na ciência também, sem trabalhar com autores que problematizam o tema da forma mais contemporânea possível, para aí sim identificar processos históricos. Somos nós, cidadãos, entre aspas, comuns, que não temos diretamente um poder de escolha em tecnologias. Temos o poder de escolha, mas digamos que ele é reduzido frente às Big Techs, às grandes companhias de tecnologia, aos governos. Então, esses autores vão mobilizar o pensamento crítico para sintonizarmos com o período que a gente vive, e não aceitar de uma forma natural todas as questões éticas que nos são colocadas.   Você dá aula para as Engenharias também? Eu dou aula nas três Engenharias (Computação, Mecatrônica e Mecânica), desde o início dos cursos no Insper, há seis anos. Na Engenharia, trabalhamos com perspectivas também da construção social da tecnologia. Mas agora há um diferencial, há um foco mais para a Ciência da Computação. Eu já estou na Engenharia desde o seu início, em 2015, e tive o privilégio de participar de partes iniciais desse desenho do curso, com o professor Vinícius Licks. Na disciplina Grandes Desafios de Engenharia, a gente se depara com grandes desafios das três Engenharias, mas esses desafios são alimentados por questões sociais, políticas, econômicas e culturais. Não dá para o engenheiro se furtar do tema complexo e achar que a decisão dele é meramente técnica. Temos que olhar para os contextos. Estou na Engenharia desde o começo, fui tutora, professora auxiliar e, agora, professora das disciplinas. Acho que foi muito honroso ser convidada para a Ciência da Computação e fazer um curso que seja similar, mas existem as peculiaridades da Ciência da Computação.   Na bibliografia da disciplina Grandes Desafios da Engenharia, está o documento da Academia Nacional de Engenharia dos Estados Unidos com os 14 desafios para a Engenharia. Dá para extrair algum deles para o curso de Ciência da Computação? É engraçado, porque Grandes Desafios da Engenharia começou como uma disciplina focada inicialmente em mobilidade urbana, que atinge também engenheiros e cientistas da computação. Tive o prazer de trabalhar com gente variada, sempre de forma interdisciplinar inclusive. Isso é uma grande sacada. Os professores foram mudando, e eu me senti na responsabilidade de ficar com a espinha dorsal do curso, manter uma essência, uma história, mas também modificar o curso à medida que os semestres passam. E uma das modificações foi trazer um texto explicando para os alunos o que são os grandes desafios das engenharias. Porque pode ser muita coisa também e, de fato, é amplo. Numa perspectiva um pouco mais pedagógica, precisamos direcionar um pouco mais os alunos, então trabalhamos com um texto da revista da Escola Politécnica da USP, recente, que trata desse tema: afinal, o que são esses desafios? E fomos buscar o referencial teórico da associação americana e de outras discussões que, na verdade, surgiram nos anos 1980, tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. No Brasil, os novos cursos de Engenharia, e principalmente os do Insper, trazem essa perspectiva. Quebrar um pouco essa esfera do engenheiro clássico, eu costumo dizer hardcore , aquela coisa mais da mecânica de algumas tradições, só que aí os meus colegas conseguem falar melhor do que eu sobre esse aspecto. Eu consigo trazer a amplitude do debate saindo um pouco só do olhar da Engenharia e ir olhando os aspectos sociais. É muito interessante que esses 14 desafios que estão no curso, e que você coloca aqui, são muito amplos e podem ser trabalhados por várias áreas das Engenharias e também na Ciência da Computação. Quando olhamos para os desafios do que a tecnologia pode colocar em termos de desenvolvimento na área de saúde, a Ciência da Computação está dentro. A questão de exploração espacial, que é um pouco mais distante da nossa realidade econômica e política como agora, também pode ser colocada. Eu acho que em campos como saúde, a inteligência artificial pode ajudar muito. Em alternativas para cidades mesmo, eu acho que a Ciência da Computação pode construir artefatos e programas muito interessantes para a gente, enfim, superar eu acho que seria muito audacioso, mas para melhorar alguns dos problemas em termos sociais. São 14 desafios, mas eu citaria esses dois, cidades e saúde, que seriam mais urgentes e caros ao momento que vivemos.   Como a disciplina pode contribuir para o cientista da computação a ter um perfil menos tecnicista? A disciplina pode ajudar a colocar o aluno em contato com essas problemáticas não de forma superficial, não de forma de noticiário, ou fake news , ou rede social. A proposta é trabalhar muito o diálogo, a conscientização, o acesso à leitura e as provocações, do que esses temas éticos mexem conosco. Posso trazer essa responsabilidade do chacoalhão ético, de colocar temas espinhosos, mas eu acredito que não é só isso que vá modificar num primeiro momento. Seria muita ambição querer colocar a disciplina como uma coisa transformadora. Embora eu ficasse muito grata se algum aluno, no final do semestre, como já acontece nas Engenharias, falasse “nossa, Dani, nunca tinha pensado nisso sob essa perspectiva”. Aí, bem, eu vou dormir feliz. Mas eu acho que a disciplina ajuda. Ela faz parte de um projeto maior. Quem se interessar pela Ciência da Computação no Insper vai ser mobilizado para um projeto pedagógico diferente. Eu acho que a disciplina Ética, Computação e Sociedade é importante, está no currículo do primeiro semestre não só por diretrizes institucionais ou do MEC, mas realmente para o aluno olhar e falar: “Bom, aqui o negócio é diferente”. Não é só tecnicista. Eu preciso pensar o uso da técnica que eu vou fazer. Quais são as minhas escolhas técnicas e tecnológicas frente à Ciência da Computação, quais são os empecilhos que eu tenho, quais são o meu papel social e o meu referencial ético para tomar algumas decisões, para compor códigos, desenhar tecnologias. Então, acho que isso é importante. Está no primeiro semestre a responsabilidade de trazer essa sensibilização. Com leituras, debates, provas e outras coisas que o aluno pode vivenciar. Mas isso faz parte de um leque maior, de ele olhar e perceber que instituição é essa na qual ele está entrando, qual é o histórico que ela tem já. Como é um curso novo, não vai haver um histórico de Ciência da Computação, mas sim de quem está envolvido, de quem constrói o curso, quais são os preceitos éticos que tem essa instituição. A disciplina não está sozinha, ela precisa estar relacionada a todo esse contexto que o Insper está construindo. Também tem outros aspectos. Eu falo porque sou integrante da Comissão de Diversidade do Insper. Não adianta entrar em Ciência da Computação e pensar só na técnica e esquecer o que mais que oferece este lugar, onde eu tenho debates, onde eu tenho pessoas para me inteirar de dilemas éticos. Olhar uma instituição que tem comissões de diversidade, que pensa acessibilidade, que tem projeto de bolsa. Se o aluno olhar para essa variedade de temas e possibilidades de um curso de graduação quando procura um curso de Ciência da Computação mais alinhado com questões contemporâneas, mais urgentes – e a questão ética nunca deixa de ser urgente, cada vez mais ela é –, eu vou estar mais tranquila. Existe o peso da disciplina, mas também um leque maior de coisas para se observar.   A sociologia aprendida no ensino médio ajuda na disciplina? Ajuda. Eu costumo aplicar na primeira ou segunda aula um questionário para saber um pouco quem é esse aluno. Eu sou socióloga, então o sociólogo vai tentar identificar melhor quem são aqueles grupos sociais, um olhar mais antropológico também. Eu coloco um questionário muito aberto para eles para saber quem eles são, o que eles gostam em termos de leitura, ao que eles assistem, o que eles consomem em termos de mídia e também um pouco para saber de que formação no ensino médio eles vêm. Boa parte deles vem de colégios privados com bolsa ou não, e esses colégios muitas vezes têm sociologia, tem bons cursos, não só sociologia, mas filosofia, alguns têm psicologia, ou então disciplinas bem robustas de história e geografia. Isso já ajuda muito. Muitos vêm com uma bagagem de humanidades interessante. Outros vêm de escolas preparatórias para a área de exatas, para o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), e tiveram menos espaço para humanidades, cujos colégios optaram não ter tanto essas disciplinas com maior profundidade nos seus currículos. Tem de tudo, e trabalhar com essa variedade é bem instigante. Às vezes, isso ajuda muito, porque traz o aluno já com o olhar mais refinado para essas questões éticas do mundo. Eu vou repetir muito essa questão, porque eu acho que nunca é uma questão única. Não adianta só ética, temos que olhar o contexto histórico, social, político, econômico, cultural, porque agora cada vez mais no Insper recebemos alunos de diversas regiões de São Paulo, de diversos estados do país. É muito importante que o aluno venha de várias realidades, porque senão os debates ficam muito focados, então eu preciso dos alunos que venham de outras regiões de São Paulo, o aluno que pegue ônibus, trem, metrô, que tenha vivências cotidianas diversas. Isso é muito importante para a composição da vivência das análises. É interessante para ver quem é esse aluno, o que ele lê, o que ele gosta, como ele estrutura o seu argumento.   Professora, conte um pouco da sua experiência profissional. Eu sou formada em Sociologia, tenho mestrado em Estudos Culturais e estudei Políticas Públicas de Cultura. Entrei no Insper faz bastante tempo, quando eu tinha acabado de sair da graduação. Comecei como monitora da disciplina de Sociologia e Política e fiquei lá por um bom tempo. Trabalhei também com a disciplina de Pensamento Crítico e Ética. Eu demorei um pouco para entrar no mestrado porque tenho muitos interesses, foi muito complicado para focar no que eu queria. Depois que concluí o mestrado, fui para os cursos de Engenharia do Insper, que estavam começando. Havia uma perspectiva muito interdisciplinar. Eu acho que, não só na Engenharia e na Ciência da Computação, o Insper agora prefere professores variados, e nas equipes nas quais eu já trabalhei isso é bem rico. Engenheiro, matemático, filósofo, historiador, economista: está todo mundo sempre tentando afinar uma linguagem comum para os alunos e para os cursos. Eu fui convidada pelo meu interesse em alguns temas que a Engenharia queria tratar, em grandes desafios, mobilidade urbana, a questão da cidade. Foi uma vivência muito legal, porque independentemente do tema que a gente se especializa o olhar generalista também é muito importante. O especialista funciona em muitos momentos, mas acho que, às vezes, para conduzir turmas, dialogar com os alunos, quanto mais repertório a gente tiver de áreas variadas melhor. Então é legal eu dar vazão a isso, porque eu sou daquelas bem curiosas, que vou falar de ciência e depois eu quero misturar futebol, física e cinema. Com o tempo, fui aprendendo a ponderar, equilibrar assuntos variados. Para trabalhar com os alunos, é um apelo positivo, porque está todo mundo fervilhando de ideias, de novidades. Então, na graduação, isso é legal. Depois, eu fui para o doutorado, na Ciência Política, no qual estudo movimentos sociais voltados para a tecnologia, como é que a tecnologia pode ser democratizada no período contemporâneo. Sobre a minha experiência de trabalho, eu já dou aula há mais ou menos uns 15 anos. Comecei com educação popular, trabalhando em periferias em São Paulo, ainda na graduação de Sociologia. Logo que eu terminei a graduação, eu vim trabalhar no Insper, como monitora. De manhã, eu ia dar aula nos extremos da cidade e se eu quisesse passar um vídeo, por exemplo, eu tinha que levar o Blue-ray ou o DVD da minha própria casa. Eu carregava tudo. Então, eu chegava ao Insper em outra realidade. Eu assoprava, de repente as luzes acendiam, a internet funcionava. Era uma Daniela recém-formada em Sociologia lidando com extremos da realidade brasileira. Daí foi bem maluco trabalhar com isso, me adaptar, entender de diferentes mundos, até porque eu não pertencia ao universo mais elitizado dos alunos do Insper naquela época, e também não pertencia ao universo dos alunos da região periférica de São Paulo. Para a minha vivência sociológica e antropológica, isso foi muito importante. Ao longo do tempo, fui trabalhando nessas duas vertentes, em universos diferentes, sempre na educação, sempre colocando cultura, política pública, cidade, tecnologia, tudo no seu devido espaço, mas misturando tudo. Acho que isso me ajudou muito, quando iniciou o curso de Engenharia no Insper, a ser vista como uma profissional que está na interdisciplinaridade. Dá para atuar no campo das humanidades e colocá-las dialogando muito com outros campos. Esse diálogo de campos tem, para mim, uma perspectiva muito pessoal, essa constante flexibilidade de estar no universo dos cientistas da computação, dos engenheiros, mas também de olhar para as minhas áreas de origem e saber criar relações e diálogos.   A Sociologia foi a sua primeira escolha? Não foi. A minha primeira escolha era jornalismo. Eu queria a área de comunicações humanas, aí eu prestei Fuvest e Casper Líbero. Eu não passei na Fuvest, passei na Casper, mas não tinha dinheiro para pagar a mensalidade, então, desencanei. Eu era uma menina de 17 anos naquele momento e pensei que o jornalismo fosse muito técnico para mim. Eu queria alguma coisa de densidade teórica, não só formas de construir textos, mas um porquê de construir textos, de leituras variadas. Lembro muito bem que me chamava a atenção a palavra antropologia, a palavra sociologia, sem muito saber o que isso significava. No ano seguinte, eu fui aprovada no vestibular em Sociologia, fui fazer e no primeiro semestre achei tudo muito estranho. Eu falo para os alunos da graduação: “Gente, faculdade é adaptação, você está experimentando, precisa estar um pouco mais aberto para o que está vindo”. Claro, a experiência de cada um é muito particular, mas a minha foi essa, de um estranhamento. À medida que fui vendo o que o curso me oferecia de professores, de colegas, de leituras, de pesquisa de campo, tudo se tornava muito enriquecedor. Percebi que era aquilo que eu queria.  "}]