[{"jcr:title":"Como a 5G e a blockchain convergem para possibilitar novas aplicações"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Como a 5G e a blockchain convergem para possibilitar novas aplicações"},{"author":"Ernesto Yoshida","title":"Como a 5G e a blockchain convergem para possibilitar novas aplicações","content":"As duas tecnologias se complementam e são importantes para impulsionar negócios como a internet das coisas, explica o professor Raul Ikeda   A quinta geração de internet móvel, 5G, promete revolucionar vários aspectos do cotidiano das pessoas. Ao possibilitar um tráfego de dados muito mais veloz, a tecnologia deve impulsionar, por exemplo, a internet das coisas (IoT, do inglês internet of things ), que utiliza sensores em objetos físicos para coletar e transferir dados pela rede. A empresa americana Cisco estima que, em 2022, haverá 12,5 bilhões de dispositivos de internet das coisas no mundo, entre eletrodomésticos inteligentes, aparelhos de monitoramento de saúde e segurança e outros equipamentos. Segundo a Cisco, os aplicativos de IoT deverão gerar globalmente negócios da ordem de 19 trilhões de dólares em 2022. Com a 5G, é possível modificar a forma como estruturamos e organizamos os dados de modo geral, trazendo-os mais para as bordas, onde qualquer dispositivo conectado pode se tornar um potencial servidor dessa grande rede interconectada. É aqui onde entra a blockchain, uma tecnologia que surgiu para viabilizar transações financeiras, mas ao longo do tempo se expandiu para a criação de aplicações descentralizadas (Dapps), modificando diversos modelos de negócios vigentes. Em termos simples, blockchains são “cadeias de blocos” ligados por meio de criptografia. Cada bloco tem os dados de transação criptografados, que não podem ser modificados. Por sua característica de imutabilidade e segurança intrínseca, a blockchain permite que a transmissão de dados e as atividades de pagamento sejam realizadas de forma confiável sem um agente centralizador. Na entrevista a seguir, o professor Raul Ikeda, coordenador do curso de Engenharia de Computação do Insper, explica como as tecnologias de 5G e blockchain se combinam para viabilizar a internet das coisas e possibilitar novas aplicações.   O cronograma da 5G no Brasil, elaborado pelo governo federal, prevê que a tecnologia começará a ser implantada nas cidades maiores e deverá ser estendida ao resto do país de forma escalonada até 2028. Com isso, p or alguns anos ainda, a 5G será um produto elitizado? Como toda nova tecnologia, a 5G vai ser disponibilizada gradativamente, pois depende da aquisição e da instalação de novos equipamentos nos pontos de distribuição do sinal. Para ter ganho de escala, novas tecnologias têm um custo mais elevado para o consumidor no lançamento. Some-se a isso o fato de que a atualização dos equipamentos ocorre primeiramente em locais onde a base de usuários é maior ou que permite uma geração de caixa para financiar a expansão. Com o tempo e a maior adoção, acabará ocorrendo a disseminação, e os custos se tornarão mais acessíveis. Vale lembrar também que os equipamentos receptores, por exemplo o celular, precisarão também ser compatíveis com a tecnologia 5G.   De que maneira as tecnologias de 5G e blockchain se relacionam? Como uma pode ajudar a outra? Elas são complementares. A 5G provê infraestrutura, velocidade de transmissão de dados e uma granularidade maior para a distribuição nas pontas. Já a blockchain diz respeito aos dados e camadas de negócio — quanto maior a rede interconectada, mais segura e melhor ela se torna com a blockchain.   E onde entra a internet das coisas? O desenvolvimento da IoT tende a ganhar impulso com a combinação entre 5G e blockchain? A internet das coisas engloba os equipamentos físicos e protocolos de baixo custo, tamanho e consumo de energia. Ou seja, ajuda ainda mais na expansão da transmissão da rede por meio de equipamentos dedicados, podendo usar o protocolo de transmissão 5G e hospedando sistemas baseados em blockchain. E há também o lado da demanda. A disponibilidade da rede e do sistema irá exigir cada vez mais equipamentos especialistas, o que sem dúvida irá impulsionar o mercado de IoT.   Um smartphone com mau funcionamento pode ser hackeado, e a blockchain seria uma solução lógica para manter os dados seguros. Assim, a 5G deve impulsionar a blockchain na mesma proporção que a blockchain incentivará os usuários a migrarem para uma geração de aparelhos mais seguros? Primeiramente, é preciso definir o conceito de segurança. A blockchain traz segurança no sentido da confiabilidade e imutabilidade dos dados, ou seja, garantias de que os dados que os aparelhos estão vendo são realmente os dados corretos. Isso se dá pela descentralização — ou diversas cópias dos dados — e pelo tamanho da rede que guarda a blockchain. Em termos práticos, quanto maior a rede, mais cópias e, consequentemente, menores as chances de adulteração. Como a blockchain costuma ser extremamente grande em termos de tamanho, ter um canal de altíssima velocidade e capacidade como a 5G traria o incentivo de ter mais participantes. Logo, uma rede mais disseminada e mais coesa. Vale acrescentar, porém, que para a segurança em termos de visibilidade da informação, a blockchain tem pouco a contribuir em relação ao modelo atual. As informações podem estar criptografadas independentemente da rede em uso. Na realidade, torna-se uma solução cara para um problema que não existe.   A tecnologia 5G oferece maior velocidade, capacidade de conexão com outros dispositivos e menor latência. Como isso é importante para o negócio das blockchains? Na mineração? Na transação das moedas? Na rapidez de comunicação? Como comentei anteriormente, essa capacidade fará com que a utilização da blockchain consiga fluir mais facilmente entre os nós. Já a mineração depende de outros fatores, como o modelo adotado ( proof-of-work , proof-of-stake , proof-of-authority etc.) e do equipamento utilizado. A banda de comunicação não é um grande gargalo atualmente. Em relação às transações, o fator limitante é basicamente o tamanho máximo de um bloco, que limita a quantidade de transações por bloco, elevando o seu preço final. Contudo, tendo um canal maior para a troca de dados, poderia permitir aumentar esses limites e reduzir os custos para algumas redes. No fim, poderíamos ter, salvas as especificidades de cada rede, transações confirmadas mais rapidamente e em número maior do que atualmente.   O mercado de criptomoedas tende a seguir o mesmo modelo de adoção progressiva da 5G ? Os ativos digitais — ou criptoativos, também conhecidos como criptomoedas — são extremamente acessíveis, mas sua adoção em massa esbarra em outros problemas. Para simples usuários ou detentores dos ativos, não há barreiras de entrada em termos de equipamentos físicos ou financeiros, muito menos das tecnologias atuais. Há problemas de confiança (cripto está sempre atrelado a golpes financeiros), problemas regulatórios (limites fiscais) e, na maioria das vezes, não há realmente um propósito para manter a posse ou transacionar com um ativo com essas características. Contudo, esse cenário pode mudar em breve com o lançamento do real digital pelo Banco Central. Trata-se de uma stablecoin CBDC ( Central Bank Digital Currency ) ainda em fase de desenvolvimento que permite mitigar os problemas de confiança e regulação, sem perder a paridade de valor com o real.   Professor Raul Ikeda   LEIA TAMBÉM: [Velocidade e novos modelos de negócios: o que muda com a chegada da 5G ao Brasil](https://www.insper.edu.br/noticias/veloz-e-novos-modelos-de-negocios-o-que-muda-com-a-chegada-da-5g-ao-brasil/)  "}]