[{"jcr:title":"Parceria entre imigrantes e grande lavoura ocorreu no Sul","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Parceria entre imigrantes e grande lavoura ocorreu no Sul","jcr:description":"Colônia de 1851 abrigou o regime de trabalho, o que era ignorado pela historiografia"},{"subtitle":"Colônia de 1851 abrigou o regime de trabalho, o que era ignorado pela historiografia","status":"publish","slug":"parceria-entre-imigrantes-e-grande-lavoura-ocorreu-no-sul","title":"Parceria entre imigrantes e grande lavoura ocorreu no Sul","content":"Fábrica de barricas de Michael Vogelsanger, na colônia Dona Francisca, na região da atual Joinville (SC) A introdução do trabalho livre entre o fim do tráfico de escravos (1850) e a Abolição (1888) abarcou experimentos de colonização que, no Sul do Brasil, associaram-se a iniciativas de povoamento, baseadas em minifúndios cultivados por pioneiros europeus. A historiografia não registrava relações, nessa região, entre tais fluxos demográficos, centrados na atração de migrantes do Norte da Europa, e a grande lavoura do café e do açúcar, que, assentada no trabalho escravo, liderava a economia exportadora brasileira. A [pesquisa de Luiz Mateus da Silva Ferreira](https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-19082019-135708/pt-br.php) sobre a experiência da colônia Dona Francisca , na região da atual Joinville, em Santa Catarina, borra essas fronteiras. O professor do departamento de economia da Universidade Federal de Ouro Preto constatou a existência de um leque de relações de trabalho no assentamento, fundado em 1851, que incluía a parceria de imigrantes com latifundiários produtores de café e açúcar. Luiz Mateus foi um dos expositores do [7º Workshop de História Econômica](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/7-workshop-de-historia-economica/) , promovido pelo Insper no final de agosto. O [trabalho apresentado](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2020/09/ferreira-colonos-parceiros.pdf) é um desdobramento de sua tese de doutoramento, defendida no ano passado na USP (Universidade de São Paulo). Dona Francisca foi batizada em homenagem à irmã do imperador Pedro 2º que se casara em 1843 com François de Orléans, príncipe de Joinville. As terras em que depois se implantou a colônia faziam parte do dote pago ao noivo em razão do matrimônio.   Para o empreendimento, a cargo da Sociedade Colonizadora de 1849 em Hamburgo, rumaram mais de 17 mil colonos de língua alemã até 1888, perto de 20% dos [estrangeiros](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2020/09/Dados-Imigração-Interacional.xlsx)   [](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2020/09/Dados-Imigração-Interacional.xlsx) dessa origem que emigraram para o Brasil de 1850 até o ano da Abolição. A meta de viabilizar excedentes pelo trabalho de pequenos agricultores em seus lotes, no entanto, foi durante muito tempo mal alcançada. A colônia foi deficitária na produção de alimentos nas duas primeiras décadas. As condições em que os imigrantes, em sua maioria pobres e endividados, chegavam ao povoamento os impeliam a buscar trabalhos paralelos ao cultivo de suas terras. Sobressaiu a tarefa como diaristas, principalmente em obras de infraestrutura na região, mas também houve contratos de parceria com grandes proprietários monocultores. A fazenda de Bernhard Poschaan Jr., hamburguês abastado, empregou entre 50 e 60 imigrantes parceiros na produção de cana , açúcar e cachaça . A remuneração contratada dependia de fatores como a fatia das despesas de viagem paga pelo trabalhador. A propriedade de Arthur Guiguer, cônsul da Suíça no Rio de Janeiro, também lançou mão de variantes de parceria para mobilizar imigrantes do seu país na produção de café. Antes da pesquisa de Luiz Mateus Ferreira, o empreendimento [patrocinado pelo senador Nicolau Vergueiro](https://digital.bbm.usp.br/bitstream/bbm/2958/1/45000011675_Output.o.pdf) na fazenda Ibicaba, região de Limeira, em São Paulo, concentrava as referências historiográficas sobre experimentos de meados do século 19 de parceria entre imigrantes europeus e a grande lavoura exportadora. No sul do Império , associado a núcleos colonizadores de povoamento, não se conheciam iniciativas semelhantes."}]