[{"jcr:title":"Ampliar a restrição à circulação em São Paulo pouparia mais vidas","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Ampliar a restrição à circulação em São Paulo pouparia mais vidas","jcr:description":"Pesquisadores simulam efeito das medidas de distanciamento social na mortalidade por Covid-19"},{"subtitle":"Pesquisadores simulam efeito das medidas de distanciamento social na mortalidade por Covid-19","status":"publish","slug":"ampliar-a-restricao-a-circulacao-em-sao-paulo-pouparia-mais-vidas","title":"Ampliar a restrição à circulação em São Paulo pouparia mais vidas","content":"Cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, no centro paulistano, durante a pandemia de Covid-19, em abril deste ano   CONHECIMENTO| CONTEÚDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19 | [ACESSE A PÁGINA ESPECIAL](https://www.insper.edu.br/coronavirus/conteudo)   Enquanto o governo paulista [autoriza relaxamentos](https://www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/planosp/)   na quarentena estadual a partir deste mês, pesquisadores debatem o efeito do distanciamento social na propagação do novo coronavírus no estado de São Paulo. [Simulações ](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2020/06/Covid.pdf) de Bruno Komatsu e [Naercio Menezes Filho](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/naercio-menezes-filho/) , do Insper, mostram que a maior circulação de pessoas agora pode elevar o total de mortes pela doença. O risco existe uma vez que mais indivíduos podem ser infectados ao mesmo tempo, provocando a falta de leitos de UTI para casos graves. A infecção é favorecida pela falta de imunidade da população humana ao Sars-Cov-2 e pela velocidade relativamente alta em que o vírus se propaga. Até a tarde de 2 de junho, contavam-se mais de 6,3 milhões de infectados [no planeta](https://coronavirus.jhu.edu/map.html) , e o número de óbitos ultrapassava 377 mil. [No estado de São Paulo](https://www.seade.gov.br/coronavirus/) , as somas eram de 111 mil casos e 7.667 mortes. Para estimar o comportamento da infecção, bem como o impacto de medidas de restrição à circulação, é preciso estipular parâmetros como o total de pessoas em média contaminadas por um portador, o período durante o qual um indivíduo infectado transmite o vírus , a população ainda suscetível ao patógeno e a frequência de contatos pessoais na sociedade. Seguindo essa linha, Komatsu e Menezes Filho recorreram a uma modelagem usual na epidemiologia, chamada de SEIR, acrônimo para suscetíveis, expostos, infectados e removidos. Por meio de um modelo desse gênero, desenvolvido por um [grupo de pesquisadores](https://www.thelancet.com/journals/lanpub/article/PIIS2468-2667(20)30073-6/fulltext) para o novo coronavírus, a dupla simulou a trajetória da infecção no estado de São Paulo. O exercício para o caso paulista formulou um cenário básico em que não haveria nenhuma medida de isolamento para conter a infecção, além de outros quatro: quarentena até 30 de junho; quarentena até 31 de agosto; quarentena até 31 de maio e lockdown de 1º de junho a 31 de julho; quarentena até 31 de maio e lockdown de 1º de junho a 31 de agosto. Quarentena é o mecanismo que veda o funcionamento de serviços não essenciais –no estado de São Paulo, [ entrou em vigor em 24 de março](http://dobuscadireta.imprensaoficial.com.br/default.aspx?DataPublicacao=20200323&Caderno=DOE-I&NumeroPagina=1) . Lockdown é um regime mais duro, implantado em algumas nações como Itália e Espanha, que obriga as pessoas a permanecerem em suas casas, ressalvadas situações excepcionais. Do ponto de vista do número total de infectados ao final do ciclo epidemiológico, há pouca diferença detectada. Em qualquer um dos cenários, o modelo prevê que em torno de 80% da população paulista de 45,5 milhões de habitantes será contaminada pelo coronavírus até dezembro deste ano. O que as opções testadas de distanciamento social fazem é espalhar de modo diverso a incidência ao longo desses meses.   Como a capacidade de tratar os pacientes mais graves é limitada pela infraestrutura de leitos de UTI disponíveis, as políticas de distanciamento evitam a concentração de casos em poucas semanas, poupando mais vidas. No exercício dos pesquisadores do Insper, as alternativas que estendem ou apertam o regime de restrição até agosto são as que mais mortes evitam, sendo o lockdown a mais efetiva nesse período. De 18 mil a 40 mil paulistas deixariam de morrer nesses cenários, na comparação com o de encerramento das restrições à circulação em 30 de junho.   Komatsu e Menezes Filho fazem alertas para limitações do estudo. Em primeiro lugar, não se sabe ao certo qual é a taxa de contágio básica da Covid-19. Eles adotam uma taxa de reprodução básica do vírus igual a três, com base em [estimativas do Imperial College](https://mrc-ide.github.io/covid19-short-term-forecasts/index.html) , de Londres. Variações pequenas nessa taxa, da ordem de cinco décimos, significam milhões de pessoas infectadas a mais ou a menos num estado populoso como São Paulo ao fim do ciclo do vírus. Um segundo limitador é o efeito de outras medidas de proteção, como o uso disseminado de máscaras e a adoção de protocolos de higiene e distanciamento na circulação urbana, que não foram dimensionados no estudo dos pesquisadores do Insper.   | [ACESSE A PÁGINA ESPECIAL](https://www.insper.edu.br/coronavirus/conteudo)"}]