[{"jcr:title":"Educação, trabalho, crime, desenvolvimento: a pesquisa de Rodrigo Soares","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Educação, trabalho, crime, desenvolvimento: a pesquisa de Rodrigo Soares","jcr:description":"Publicações do economista que se integra ao Insper incluem parceria com o Nobel Gary Becker"},{"subtitle":"Publicações do economista que se integra ao Insper incluem parceria com o Nobel Gary Becker","altText":"Imagem mostra caminhão amarelo carregado com troncos de mogno entre folhagens","status":"publish","slug":"educacao-trabalho-crime-desenvolvimento-a-pesquisa-de-rodrigo-soares","title":"Educação, trabalho, crime, desenvolvimento: a pesquisa de Rodrigo Soares","content":"Proibir o comércio do mogno da Amazônia decerto satisfaz critérios de uma política responsável. Mas fazê-lo sem reprimir o mercado ilegal que provavelmente surgirá após o veto pode ter efeitos danosos não apenas ambientais, mas também nos homicídios. Foi o que detectou o economista [Rodrigo Soares](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/rodrigo-reis-soares/) , em colaboração com o colega Ariaster Chimeli, em estados como o Pará na década passada. Soares, [que recentemente foi eleito Fellow da Econometric Society](https://www.econometricsociety.org/content/econometric-society-announces-its-2020-fellows) é doutor pela Universidade de Chicago, passou a integrar a equipe docente do Insper, como professor titular. Suas pesquisas abrangem temas microeconômicos, como a informalidade no trabalho, e sociais, como os determinantes do crime. Também compôs trabalhos para entender a relação entre os padrões de mortalidade, de um lado, e o desenvolvimento econômico, do outro –um deles em parceria com [ Gary Becker (1930-2014)](https://www.chicagobooth.edu/faculty/nobel/becker) , pesquisador de Chicago que expandiu as fronteiras temáticas da investigação pela ciência econômica. Conheça abaixo cinco trabalhos publicados por Rodrigo Soares. Instrução do trabalhador reduziu a informalidade No [estudo](https://bfi.uchicago.edu/working-paper/workforce-composition-productivity-and-labor-regulations-in-a-compensating-differentials-theory-of-informality/) , Soares e Daniel Haanwinckel (Universidade da Califórnia) elaboram um modelo que vai além do que a literatura estabelecera para captar fatores que podem levar empresas a operar ao largo das regulamentações legais. Firmas com produtividades diferentes, trabalhadores com diversas escolaridades, a ação de normas trabalhistas como o salário mínimo e o porte dos empreendimentos entram na análise, que utiliza dados do Brasil de 2003 a 2012. O modelo prevê satisfatoriamente a acentuada formalização ocorrida no período e detecta no aumento da instrução dos trabalhadores o principal fator a reduzir a informalidade. Com a ferramenta, os autores mostram que uma taxação progressiva da folha de salários, que desonerasse os menores vencimentos, seria mais vantajosa para a formalização do que o abono salarial vigente, pelo qual o governo paga bônus de até um salário mínimo anual a quem recebe até dois mínimos mensais. Abertura comercial abateu temporariamente o emprego, o que elevou o crime De 1990 a 1995, a economia brasileira passou por uma redução abrangente e profunda nas tarifas de importação. Em co-autoria com Rafael Dix-Carneiro (Universidade Duke) e Gabriel Ulyssea (PUC-RJ e Universidade de Oxford), Rodrigo Soares [explora esse choque ](https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/app.20170080) para apurar seus efeitos sobre a criminalidade nas regiões brasileiras economicamente mais prejudicadas pela abertura externa. No ano 2000, cinco anos depois da conclusão do choque tarifário, o trio de pesquisadores encontrou impacto significativo na mudança nas taxas de homicídios nessas localidades, expressa numa piora do índice de assassinatos em relação à média nacional. Quinze anos depois, em 2010, esses efeitos tinham desaparecido. O mecanismo preferencial de transmissão entre, de um lado, o choque comercial e, do outro, a elevação do crime, segundo a análise, não foi o aumento da desigualdade nem a redução da capacidade dos governos locais de prover bens públicos, fatores que persistiram no longo prazo, ao contrário do que ocorreu com os homicídios. A deterioração temporária do mercado de trabalho, sobretudo o desemprego, aparece como o principal fator a incidir sobre a criminalidade. Ela também foi forte no médio prazo, mas tendeu a desaparecer no longo. Respondeu por pelo menos 75% do efeito sobre a criminalidade passados cinco anos da liberalização comercial. Proibição do comércio de mogno deu impulso a homicídios na Amazônia A comercialização do mogno brasileiro, madeira nobre da Amazônia, começou a sofrer restrições governamentais no final da década de 1990 até ser proibida em 2001. Em parceria com Ariaster Chimeli, da USP, [Rodrigo Soares investigou](https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/app.20160055) se essas medidas, que ensejaram um mercado de exploração ilegal só neutralizado em 2008, impulsionaram a criminalidade em locais ligados à atividade extrativista. Os pesquisadores cotejaram a incidência de homicídios pouco antes e pouco depois do período de interdições, de municípios ativos na exploração da madeira com as taxas de cidades da região onde a atividade não ocorria. De um padrão de criminalidade parecido, anterior às restrições, as localidades associadas ao mogno passaram a apresentar, após a adoção das restrições, uma tendência de elevação divergente dos demais municípios.   No Pará, que concentrava essa atividade, as localidades ligadas ao mogno chegaram a ter duas vezes e meia mais homicídios que as não associadas à atividade no período que decorreu até o controle da exploração ilegal, no final da década passada. A análise estima que, para cada US$ 187 mil do mercado de mogno ilegal, o Pará teve em média 1 assassinato a mais do que teria tido no status quo anterior à proibição. Foram mais de 5 mil mortes em consequência do comércio ilegal do mogno. Queda na mortalidade dispara gatilho do desenvolvimento No extenso debate sobre o que leva as nações a embarcar num ciclo de crescimento econômico sustentado, [Soares propõe um modelo](https://www.jstor.org/stable/4132730?seq=1#metadata_info_tab_contents) em que a queda da mortalidade, e o consequente aumento da expectativa de vida, é o dínamo que empurra as sociedades para fora do estado em que prevalecem a estagnação e a baixa renda. O canal de transmissão entre um fato, o alongamento da vida em razão de melhorias sanitárias e medicinais, e outro, o desenvolvimento econômico, repousa, segundo a proposta, no estímulo ao investimento em capital humano que desencadeia – o que por sua vez eleva a produtividade da economia e a encaminha para o crescimento. Ao esperarem viver mais, e que os filhos sobrevivam até a fase adulta, as pessoas encontram mais vantagens em investir na sua formação escolar e na dos filhos, pois esses dispêndios poderão ser mais que compensados ao longo dos anos. Outro efeito da queda da mortalidade, infantil e adulta, é o estímulo a ter menos filhos. A redução na fecundidade realimenta o investimento em escolarização, ao torná-lo mais barato, completando um ciclo virtuoso em que cada geração, ao chegar à vida adulta, é dotada de mais capital humano e, portanto mais produtiva, que a anterior, além de manter os estímulos ao acúmulo de instrução também ao longo da vida ativa. A renda da sociedade cresce de forma contínua nesse enquadramento. Avanços em saúde reduziram desigualdade social no planeta Gary Becker (1930-2014), Nobel de Economia de 1992 e expoente da escola de Chicago, seu colega Thomas Philipson e Rodrigo Soares [ propuseram um modelo](https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/0002828053828563) para estimar o impacto sobre a desigualdade global de ganhos de bem-estar social mal captados em indicadores como a renda per capita. É o caso do pronunciado avanço da expectativa de vida ocorrido na segunda metade do século 20. Os autores estimam o valor monetário da evolução na longevidade e o adicionam à renda per capita, chegando a uma medida de “renda total” para amostra de 96 países, que comportam 82% da população mundial. Analisam a evolução do indicador de 1960 ao ano 2000 e concluem que, ao contrário do que ocorre quando observado apenas o PIB per capita, a desigualdade entre pobres e ricos ficou menor no período. A renda total, computado o ganho em extensão da vida, da metade mais pobre das nações cresceu à média anual de 4,1% nessas quatro décadas, com 40% dessa evolução devida ao avanço da expectativa de vida. Na metade mais rica, a marcha foi de 2,6% ao ano, com apenas 15% explicados pelo aumento da longevidade. Ao investigar as causas da redução da desigualdade na expectativa de vida no período, Becker, Philipson e Soares associam-nas fortemente à redução da mortalidade por doenças infecciosas, respiratórias, digestivas e complicações perinatais, principalmente nas fases mais jovens da vida, até os 20 anos de idade."}]