[{"jcr:title":"Eleger prefeita eleva participação das mulheres na administração pública","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Eleger prefeita eleva participação das mulheres na administração pública","jcr:description":"Liderança feminina reduz a diferença de gêneros na burocracia, mas não tem efeito no setor privado"},{"subtitle":"Liderança feminina reduz a diferença de gêneros na burocracia, mas não tem efeito no setor privado","altText":"Foto mostra Margaret Thatcher, premiê britânica de 1979 a 1990 em reunião na Casa Branca com Ronald Reagan, presidente americano entre 1981 e 1989. Thatcher é a única mulher presente na sala. Foto tirada em 26 de fevereiro de 1981","status":"publish","slug":"eleger-prefeita-aumenta-participacao-feminina-no-setor-publico","title":"Eleger prefeita eleva participação das mulheres na administração pública","content":"Como os cargos públicos são ocupados quando um município elege uma mulher para chefiar o Executivo? Ela se cerca de homens para assessorá-la, como uma abelha rainha rodeada de zangões? Ou, pelo contrário, nomeia mais mulheres para altos postos administrativos ? Essas foram as perguntas de “ [ The queen bee: A myth? The effect of top-level female leadership on subordinate females ](https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1048984317305179) ”, estudo de Paulo Roberto Arvate (EAESP-FGV), Gisele Walczak Galilea (Insper) e Isabela Todescat (EAESP-FGV). Avaliaram 8,3 milhões de organizações municipais brasileiras, públicas e privadas, de 2000 a 2008. Concluíram que a história da abelha rainha –hipótese que ficou famosa após o padrão de nomeações masculinas de Margaret Thatcher, premiê britânica de 1979 a 1990— não é a regra nos municípios do Brasil. Abelha rainha é a mulher que observa a valorização de traços estereotipados como masculinos para postos de liderança e se cerca de homens para projetar-se na carreira. É a atitude deliberada da chefe de se distanciar das demais mulheres, cujas chances de assumirem cargos de alta hierarquia ficam por isso diminuídas. Efeito direto desse comportamento é a reduzida quantidade de mulheres em cargos de comando. Mas nem toda escassez de chefias femininas deriva desse fenômeno. Às vezes, as chefes podem estar rodeadas de homens simplesmente porque há poucas mulheres com habilidades necessárias para exercer as funções. É preciso, portanto, tentar isolar o vetor da abelha rainha de outros que também possam interferir no resultado. Para isso, os autores comparam municípios onde a disputa eleitoral entre um homem e uma mulher pela prefeitura foi acirrada. Nesses casos, a pequena diferença de votos entre vencedor e derrotado sugere que a população não demonstrou nenhuma preferência explícita entre ter um homem ou uma mulher na prefeitura. O fato de um dos dois ter vencido [equivale a um lance de sorte](https://www.insper.edu.br/conhecimento/conjuntura-economica/aparelhamento-partidario-penetra-gestoes-municipais/) . Na comparação com municípios chefiados por homens, a gestão das prefeitas eleva a participação feminina nos cargos de destaque da máquina pública. Esse efeito persiste nas nomeações para escalões inferiores, sugerindo a ação indireta do exemplo que vem de cima. Esse efeito exemplar do setor público, contudo, não parece influenciar o setor privado. As empresas não aumentam a participação feminina em posições de maior status nos municípios em que uma prefeita foi eleita. Ainda que o efeito seja restrito aos cargos em que a prefeita detém poder de nomeação, os resultados indicam que o comportamento de abelha rainha é inexpressivo. Pelo contrário, mulheres em altos cargos públicos criam um ambiente favorável ao desenvolvimento de outras mulheres. Acesse o estudo: [ The queen bee: A myth? The effect of top-level female leadership on subordinate females ](https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1048984317305179)  "}]