[{"jcr:title":"Colaboração entre organizações é essencial no combate à corrupção"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Colaboração entre organizações é essencial no combate à corrupção"},{"author":"Insper","title":"Colaboração entre organizações é essencial no combate à corrupção","content":"O tema foi debatido em evento com Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, da Defesa e do Supremo Tribunal Federal (STF), Fabio Bechara, promotor de justiça em São Paulo e Valdir Simão, ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão A corrupção não é um tema novo para o Brasil, o seu combate passou a ser mais discutido nos últimos anos, com a Lava Jato, a partir das revelações de operações fraudulentas envolvendo importantes empresários e políticos. A resolução do problema vai muito além de aumentar penas. É preciso uma reforma estrutural , envolvendo um controle mais eficiente, o uso da tecnologia para análise de informações, criação de órgãos de inteligência e um trabalho coordenado entre as instituições públicas envolvidas desde a fiscalização até a investigação dos casos. O tema foi debatido no encontro Colaboração Interorganizacional no Combate à Corrupção realizado pelo Insper. Participaram do evento Sandro Cabral, coordenador do novo curso de [Mestrado em Políticas Públicas](/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas/) do Insper, Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça, da Defesa e do Supremo Tribunal Federal (STF), Fabio Bechara, promotor de justiça em São Paulo e Valdir Simão, ex-ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão. O debate teve mediação de Carlos Melo, professor de Ciências Políticas da escola, e abertura de Milton Seligman, coordenador do [Programa Avançado em Gestão e Políticas Públicas](/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-gestao-publica/) do Insper. “ A corrupção não é uma causa. É uma consequência de incentivos institucionais e oportunidades. Temos um vasto material da Lava Jato. É preciso analisá-lo para entender porque se fez aquilo e qual vantagem foi ganha ”, destaca Jobim. O ex-ministro defendeu que o combate à corrupção passa pela criação de órgãos de inteligência, com instituições que funcionem independentemente dos seus líderes. “ Não podemos apostar em pessoas, temos que apostar em instituições. Temos a mania de esperar um heró i”, reforçou. Bechara concorda que é preciso uma ação mais efetiva. “ A cada US$ 40 bilhões desviados somente 5% são efetivamente recuperados. Isso mostra de maneira muito clara que estamos chegando tarde e de forma ineficiente ”, avalia. “ É preciso mudar o olhar da articulação entre os órgãos para além do operacional. O grande desafio é levar isso para o nível mais estratégico. ” A falta de coordenação entre os órgãos públicos de controle e de clareza sobre quem acionar e as sanções que a empresa terá foram questões levantadas por Simão. “ Temos hoje empresas enfrentando importantes dilemas em seus programas de integridade devido à falta de clareza em relação ao sistema ”, observa. Segundo ele, as empresas hoje possuem mecanismos para identificar práticas ilícitas, punir os colaboradores e melhorar seu sistema de controle, porém, enfrentam a barreira de entender para qual órgão deveria reportar a ocorrência e quais sanções sofreriam. “ Há um horizonte de possibilidades de cooperação das companhias, desde que se mude as formas como os órgãos de controle estão estruturados ”, avalia o ex-ministro. Bechara destacou ainda que hoje a tecnologia, aliada a grande base de dados existentes, pode ajudar no combate à corrupção. “ Durante muito tempo, o nosso problema foi o acesso aos dados ”, destaca. Além da burocracia para ter acesso às informações, os documentos não eram digitalizados e levava-se muito tempo para encontrar o que se precisava. “ Não adianta ter a base de dados correta e o conhecimento e não saber o que fazer. Nesse ponto, os esforços barram na falta de colaboração entre os órgãos e em regimes de competências diferentes. ” Para Cabral, do Insper, além da colaboração é importante ter liderança política. “ Conseguimos, pelas experiências passadas, identificar que condições estavam presentes, o que deu certo e o que não funcionou, permitindo o avanço nesse trabalho ”, avalia. Ações punitivas mais duras costumam ser levantadas como formas de combater a corrupção, mas Jobim avalia que o aperfeiçoamento dos sistemas de controle, inibindo as vantagens obtidas são mais efetivas. “ No sistema ocidental, a justiça e a vingança têm ligação muito forte. A ideia de que aumentar as penas resolve o problema é equivocada ”, alerta. [Confira o debate na integra](/agenda-de-eventos/colaboracao-interorganizacional-no-combate-a-corrupcao/) ."}]