[{"jcr:title":"Queda dos juros estimula debate sobre trajetória da dívida pública","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Queda dos juros estimula debate sobre trajetória da dívida pública","jcr:description":"No novo cenário, economistas estimam qual seria o nível de poupança do Tesouro para estabilizar o passivo"},{"subtitle":"No novo cenário, economistas estimam qual seria o nível de poupança do Tesouro para estabilizar o passivo","altText":"Queda dos juros estimula debate sobre trajetória da dívida pública","status":"publish","slug":"queda-dos-juros-estimula-debate-sobre-trajetoria-da-divida-publica","title":"Queda dos juros estimula debate sobre trajetória da dívida pública","content":"Com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurando [queda média de 0,04% em setembro](https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=destaques) , fica reforçado o cenário para cortes acionais na taxa básica de juros, que o Banco Central administra. A chamada Selic, hoje em 5,5% ao ano, [chegará a 4,75%](https://www.bcb.gov.br/publicacoes/focus) no final de 2019, segundo a mediana da mais recente pesquisa com agentes do mercado feita semanalmente pelo BC. A trajetória da dívida bruta do setor público, que hoje corresponde a [80% do PIB](https://www.bcb.gov.br/estatisticas/estatisticasfiscais) , sofre impacto direto dos juros que incidem sobre esse passivo. Se eles seguirem o passo da Selic e caírem, isso vai desacelerar o endividamento do governo.   A evolução da dívida também depende de quanto os tesouros públicos consomem do volume de recursos que arrecadam como tributos. Se a despesa supera a arrecadação (déficit), eles têm de tomar mais empréstimos para pagar as contas, e a dívida sobe. Se, pelo contrário, eles gastam menos do que retiram do contribuinte (superávit), o passivo diminui. Como o endividamento é usualmente medido como proporção do tamanho da economia nacional (PIB), o ritmo da atividade econômica também influencia na conta. Quanto mais vigoroso o crescimento, mais se dilui o peso relativo da dívida. Todos esses fatores considerados, qual seria a poupança de recursos arrecadados suficiente para estabilizar a relação entre dívida pública e PIB ao longo da próxima década? Em [artigo no Valor Econômico](https://valor.globo.com/opiniao/coluna/a-macroeconomia-da-politica-fiscal.ghtml) , o economista Manoel Pires, pesquisador do Ibre/FGV, estimou ser possível estabilizar a dívida pública nos próximos anos mesmo com um pequeno déficit fiscal, isto é, mesmo com o governo gastando um pouco mais (0,3% do PIB) do que arrecada. Já [Marcos Mendes](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2019/10/Juros_ajuste_fiscal_Marcos_Mendes.pdf) , do Insper, num texto em que discute os cálculos de Pires, sustenta que, na evolução que considera mais provável, ainda será necessário obter superávits fiscais consideráveis, da ordem de 1,7% do PIB, se a meta for impedir o aumento da dívida pública. Os dois divergem nos valores que julgam ser compatíveis com o crescimento de longo prazo da economia e também nas taxas de juros reais que deverão vigorar nesse período. Para que a economia brasileira desenvolva taxas mais altas de crescimento de modo reiterado nos próximos anos, será necessário elevar a quantidade de bens e serviços que é produzida por cada trabalhador. A chamada produtividade total dos fatores, [segundo os cálculos de Regis Bonelli](http://iepecdg.com.br/content/dam/insper-portal/legacy-media/2017/02/Bonelli-Contabilizando-o-Futuro-rev.pdf) , precisa crescer 0,7% ao ano para que o PIB evolua 2% ao ano. Por outro lado, se a opção da política pública for pela ampliação dos superávits fiscais nos próximos anos, ela precisará lidar com a questão dos gastos obrigatórios, que já representam mais de 90% de todo o conjunto das despesas no caso da União."}]