[{"jcr:title":"Imprensa | Jovens trabalham fora da área em que se especializaram, mostram estudos"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Imprensa | Jovens trabalham fora da área em que se especializaram, mostram estudos"},{"author":"Insper","title":"Imprensa | Jovens trabalham fora da área em que se especializaram, mostram estudos","content":"Fonte: [Folha de S.Paulo](http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/01/1953841-jovens-trabalham-fora-da-area-em-que-se-especializaram-mostram-estudos.shtml) – 28/1/2018 Menos de 10 em cada 100 jovens que cursam o ensino técnico em Santa Catarina têm trabalhado na área em que se especializaram logo no início da carreira. O dado faz parte de uma análise do impacto da educação profissional feita pela FGV Clear a pedido do governo do Estado e corrobora os achados de outros estudos que indicam grande descasamento entre área de estudo e trabalho. “Essa falta de aderência é um grande desperdício de eficiência. Você gasta recurso sem o retorno esperado”, diz o economista André Portela, diretor da instituição e um dos autores do estudo. A educação profissionalizante visa a aumentar as chances de os jovens arrumarem emprego e a oferta de mão de obra qualificada. Pesquisas recentes mostram que o jovem brasileiro com ensino técnico tem conseguido salários mais altos e maior empregabilidade. Isso ajuda a explicar por que a inclusão dessa formação como uma das rotas que poderão ser escolhidas no ensino médio foi bem recebida por jovens, educadores e especialistas. Atualmente no Brasil, os alunos que optam pelo ensino profissionalizante precisam cursar todo o extenso currículo da educação formal também. A reforma prevê que o aluno possa eleger nichos de formação. O desafio, alertam especialistas, será oferecer cursos que façam sentido tanto para os jovens quanto para o mercado de trabalho, até porque o custo do ensino técnico é elevado. Os resultados do estudo da FGV Clear acendem um alerta de que isso talvez não esteja ocorrendo. Os pesquisadores cruzaram os dados de alunos formados entre 2011 e 2013 em Santa Catarina que estavam no mercado de trabalho formal em 2013, segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais). O exercício foi feito para três modalidades de ensino técnico. No integrado, o aluno cursa o ensino médio e o técnico na mesma instituição desde o primeiro ano. No concomitante, faz os dois cursos em paralelo –ou o técnico após o médio– e não necessariamente na mesma instituição. Os pesquisadores avaliaram ainda os cursos profissionalizantes não articulados ao ensino médio fornecidos apenas pelo Senai. No primeiro caso, o percentual de alunos que trabalhavam na mesma área da formação técnica era inferior a 1%. Para os cursos concomitantes ou subsequentes, a fatia chegava a 8%. E, nos cursos não integrados da rede Senai –que inclui o Pronatec–, o grau de casamento foi de 4,9%. Outros estudos apontam uma distância entre formação e atuação –e não apenas no início da carreira. SUPERIOR Estudo coordenado pelo economista Naércio Menezes Filho, do Insper, indicou grande descasamento também entre profissionais com diploma universitário. Ele identificou que a coincidência entre área de formação no ensino superior e atuação profissional era inferior a 50% em 34 de 41 profissões em 2010. A pesquisa mostrou ainda que, entre 2000 e 2010, houve aumento claro no grau de casamento em só 17 ocupações, com avanços em áreas como pedagogia, medicina e engenharia química. Para Menezes Filho, o desencontro entre área de estudo e posterior campo de trabalho não representa um problema em si, mas reforça a importância de que a educação leve à aquisição de outras habilidades além das técnicas. “É importante que as pessoas aprendam a pensar, a desenvolver criatividade e resiliência.” IMPACTO SALARIAL O aumento da escolaridade normalmente é associado a maiores ganhos salariais. Esse prêmio é, em média, maior para os trabalhadores que atuam na mesma área em que se formaram. A tese de doutorado da economista Roberta Loboda Biondi revelou que entre os trabalhadores que atuavam em ocupações formais de perfil técnico, entre 2009 e 2012, os que tinham ensino profissionalizante de nível médio na mesma área ganhavam 12,7% mais do que aqueles que tinham só o ensino básico clássico. A análise “descontou” dos resultados os possíveis efeitos de características pessoais, como capacidade cognitiva e origem socioeconômica."}]