[{"jcr:title":"Livro de professor do Insper desassombra os algoritmos em Python","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:tecnologia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:ciência-da-computação","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_4":"docentes:"},{"richText":"Marco Caetano ajuda a superar as diabruras da programação em “Pandas e o demônio dos dados”, seu oitavo título publicado","authorDate":"16/09/2025 09h21","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:tecnologia","title":"Livro de professor do Insper desassombra os algoritmos em Python","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"As anotações de aula do professor  [Marco Antonio Leonel Caetano](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/marco-antonio-leonel-caetano) , da área de Administração do Insper, são tão disputadas que se transformaram em livros nos últimos 20 anos. O mais recente, de um catálogo de oito títulos do autor, chama-se Pandas e o demônio dos dados: algoritmos em Python para sistemas de informação e está em período de  [pré-lançamento](https://www.blucher.com.br/pandas-e-o-demonio-dos-dados-9788521225157)  pela Editora Blucher. Graduado em Matemática e mestre e doutor em Engenharia Aeronáutica, Caetano é professor há 33 anos — 21 dos quais no Insper — em disciplinas de estatística e programação. O seu livro Éden dos algoritmos em Python, também publicado pela Blucher, foi semifinalista do prêmio Jabuti Acadêmico em 2025. O novo livro é uma continuação de Python e mercado financeiro, lançado em 2021 pela mesma editora. Naquele ano, Caetano precisava incluir a linguagem de programação Python na ementa da disciplina Sistemas de Informação, do primeiro semestre do curso de Administração e Economia. O conteúdo, porém, só estava disponível em livros de Engenharia e Computação, de tão avançado que era para administradores e economistas. Os diversos rascunhos das pesquisas resultaram no livro de 532 páginas que, para surpresa geral, se tornou objeto de desejo entre os programadores. “A gente levou um susto, porque todo mundo queria comprar”, recorda Caetano. “Foi uma explosão de vendas. Os bancos, principalmente, tinham muito interesse no assunto.” A editora está preparando a partir deste ano, então, uma segunda impressão de Python e mercado financeiro. Há dois anos, Caetano ministrou uma disciplina optativa no Insper, dirigida a estudantes com conhecimentos em Python e interesse em bancos de dados. “Percebi que a grande dificuldade, não só desses alunos, mas da grande maioria das pessoas, é não saber formatar a base de dados para entrar no Python”, diz ele. “Dependendo do tipo de formato de dados, data ou valores de texto usados, as bibliotecas do Python não funcionam. Os alunos sofreram muito para remodelar formatos do Google Trends ou do Excel, por exemplo, para o do Python.” À medida que esses problemas ficavam nítidos durante o curso, amadurecia o plano de Pandas e o demônio dos dados. Para quem não está familiarizado com o tema, Pandas (acrônimo de panel data) é uma das bibliotecas de código aberto mais importantes da linguagem Python, usada em análise de bancos de dados. A outra metade do título veio de O mundo assombrado pelos demônios, no qual o astrônomo norte-americano Carl Sagan (1934-1996) escreve que “demônio” significa “conhecimento” em grego. Unindo as duas ideias, Caetano sugere algo como “Pandas e o conhecimento através dos dados”, pois a abordagem é para quem não sabe nada de Python. A obra começa com capítulos de introdução ao tema e fórmulas bem simples, aprofundando-se em gráficos. No capítulo 4, finalmente os diabinhos aparecem: erros de programação, lógica e comandos relacionados à entrada de dados. Os demais capítulos tratam de dados financeiros, econômicos (com biblioteca do Banco Central do Brasil), astronômicos (do site da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos) e meteorológicos. A leitura do livro poupa muitas horas de interpretação de programação e encaminha os iniciantes para soluções mais complexas. “Às vezes, para comandos que tem 10 ou 15 linhas em outras linguagens, a biblioteca Pandas oferece resultados excelentes com duas ou três linhas”, afirma ele. O professor conta que, da experiência em aula, sobrou material para muitos outros livros de programação. Quando a disciplina optativa terminou, havia duas pastas com cerca de 800 páginas de exemplos, projetos de alunos, exercícios e soluções na biblioteca de Python. Pandas e o demônio dos dados é a essência desses arquivos. “Talvez só 10% desse material esteja no livro”, diz Caetano. Em aula, foi desenvolvido um aplicativo para celular que, por meio de resultados do Google Trends, fornecia gráficos de pesquisas sobre gripes, resfriados, dengue e chuvas e emitia alertas de queimadas. O conteúdo do livro Mercado financeiro: programação e soluções dinâmicas com Microsoft Office Excel 2010 e VBA provém de uma apostila organizada em 2004. Em geral, os alunos tinham as mesmas dúvidas e pediam para Caetano compilar as suas anotações em material didático. A Editora Érica publicou os originais em 2011. A primeira edição foi atualizada oito anos depois, para a versão 2016 do Office, passando de 120 para 450 exercícios. “Nos anos seguintes, continuei observando os erros e as perguntas dos alunos nas aulas e escrevi outros livros, o que é muito bom, porque é mais fácil sanar as dúvidas do que sair escrevendo do zero”, afirma o autor. Tombos que compensam Caetano deu os primeiros passos em programação em 1984, ainda graduando em Matemática na Universidade Estadual Paulista (Unesp), e se dedicou a trabalhar com algoritmos para previsão de doenças, rota de asteroides e lançamento de foguetes, entre outros. Os computadores ficaram mais acessíveis e, nesses 40 anos, o professor pôde testemunhar o surgimento e a ascensão de diferentes linguagens de programação. Ele garante que os tombos compensam: “Aprender uma linguagem é como andar de bicicleta. Você vai cair e se esfolar no início. De repente, se começa com duas rodinhas, uma rodinha. E pronto. Mesmo que passe 15 anos sem pedalar, você pega outra bicicleta e dá uma desequilibrada, mas em 15 minutos já está andando normalmente. Programação é a mesma coisa. Quando está aprendendo, você sofre demais, porque mexe com um conceito de lógica no qual tem que ensinar a máquina a te entender. Você não está conversando com uma pessoa. O que é óbvio para a gente, para a máquina não é. Se você errou um passo, todo o processo fica errado. Mas os comandos das linguagens são sempre os mesmos, o que muda é a estrutura. Uma vez que se aprendeu o algoritmo, é só se adaptar a qualquer novo código”. Diferentemente do que se possa imaginar, as linguagens não ficam obsoletas. Segundo Caetano, a Nasa usa até hoje o Fortran, uma linguagem da década de 1950, para o cálculo de rotas de foguetes. Trocar algoritmos que funcionam com sucesso, além de custar milhões de dólares, traria um novo risco ao lançamento espacial. No entanto, a Nasa adota Python para análise de dados e já controlou veículos remotos em Marte com programas em C++. Enfim, a melhor linguagem é aquela que você sabe mexer e que tenha relação com a sua área de atuação, resume o professor, que não esconde uma afeição especial pelo título Éden dos algoritmos em Python: “O Éden é o resumo da minha vida. São todos os algoritmos que fiz desde 1984 e que estavam cada um numa linguagem diferente. Estavam perdidos lá em casa em papel. Peguei e homogeneizei tudo para Python”. Em meia hora de conversa com Caetano, dá para entender que, mesmo acossado por eventuais demônios, o bom programador pode chegar ao paraíso dos algoritmos."},{"jcr:title":"Capa do livro","fileName":"Capa_Pandas e o demônio dos dados.png","alt":"Capa do livro"}]