[{"jcr:title":"Uma trajetória guiada por propósito e evidências","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni"},{"richText":"O mineiro Ivan Brant passou pelo setor privado, migrou para a educação pública e consolidou no Insper a base de sua atuação em políticas públicas","authorDate":"10/04/2026 19h20","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Uma trajetória guiada por propósito e evidências","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A trajetória profissional de Ivan Brant reúne experiências diversas, mas é atravessada por um fio condutor claro: o desejo de melhorar a vida das pessoas por meio de políticas públicas mais eficazes. Natural de Belo Horizonte, ele começou no mercado privado, migrou para a gestão pública, aprofundou-se em educação e avaliação de políticas públicas e, ao longo desse caminho, fez do Insper um ponto de convergência entre trabalho, pesquisa e formação. Formado em administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ivan conta que a escolha pelo curso foi sobretudo pragmática. Na juventude, trabalhava com eventos, festas, shows, excursões e viagens, sempre conciliando estudo e trabalho. Administração parecia, naquele momento, uma opção viável e com boa inserção no mercado. “Eu fui bem pragmático na época”, diz. “Não fiz nenhuma elaboração muito profunda sobre o que significava escolher o curso de administração.” Durante a graduação — cursada à noite —, acumulou experiências em bancos, e atividades ligadas aos setores de mineração e siderurgia, como na ArcelorMittal. Ao fim do curso, investiu recursos próprios em um intercâmbio de oito meses na Universitat de Barcelona, com o objetivo de viver fora, sair da casa dos pais e aprimorar habilidades em idiomas, como  inglês e espanhol, ampliando as chances em processos seletivos dos programas de trainee. De volta ao Brasil, foi aprovado como trainee no BTG Pactual, em São Paulo. A experiência no mercado financeiro foi importante, mas também serviu para delimitar o tipo de carreira que não queria seguir. “Eu entendi que o meu foco poderia ser melhorar a vida das pessoas, causar impacto na vida das pessoas de uma outra forma”, afirmou. Depois de deixar o banco, retornou a Minas Gerais e trabalhou na área financeira da Magnesita, novamente no setor de mineração e siderurgia. Gostava do que fazia, mas já percebia que seu caminho passaria por outros lugares. “Eu sabia que não era ali que eu queria estar.” A virada para o setor público A mudança de rota veio com a Vetor Brasil, hoje Motriz, organização que conecta profissionais a oportunidades no setor público. Selecionado em um processo concorrido, Ivan passou a atuar como consultor em um projeto do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) com o governo de Pernambuco — sua primeira experiência efetiva em gestão pública e o início de uma relação mais profunda com a área de educação. Ao longo de cinco anos, trabalhou em projetos ligados à alocação de recursos, seja na distribuição de professores ou mesmo nos sistemas de gestão de custos, que posteriormente se tornaria objeto da  [dissertação do mestrado](https://www.insper.edu.br/pt/noticias/2024/4/equidade-na-educacao-depende-de-apuracao-eficaz-de-custo-escolar) . Entre eles, também participou da construção de um piloto para a política de distribuição de estudantes na rede pública com base nas preferências das famílias, com incentivo à matrícula em escolas de tempo integral. A partir daí, a preocupação com o uso eficiente dos recursos públicos e com a efetividade das políticas passou a orientar sua trajetória. Foi também em Pernambuco que Ivan decidiu retomar os estudos. Primeiro, fez uma especialização em Educação e Inovação em políticas públicas na Fundação Joaquim Nabuco do Ministério da Educação. Depois, em meio às incertezas da pandemia, ingressou no Mestrado Profissional em Políticas Públicas ( [MPP](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas) ) do Insper, em 2021. O papel decisivo do Insper Segundo Ivan, a escolha pelo Insper se deveu à qualidade do corpo docente, à boa experiência prévia em educação executiva e também relatada por ex-alunos do MPP e ao alinhamento do curso com sua atuação profissional. O impacto do mestrado foi decisivo. “Foi só no mestrado que eu passei a compreender de fato o que era, como funcionava, quais eram os métodos, por que escolher um ou por que escolher outro”, afirmou sobre avaliação de políticas públicas. Essa formação abriu caminho para os passos seguintes, tanto no Instituto Sonho Grande (ISG) quanto no J-PAL.  Uma das políticas públicas com resultados mais bem avaliados no país é a oferta de ensino básico integral, tratando-se de uma abordagem que considera o desenvolvimento integral dos estudantes e que só é possível de fato por meio da extensão da jornada. Após concluir o mestrado, Ivan teve uma passagem pelo ISG, onde coordenou um projeto voltado à expansão da educação integral nos anos finais do ensino fundamental em redes públicas. Sobre o vínculo do MPP com sua atuação no  [J-PAL](https://www.povertyactionlab.org/pt-br/j-pal-latin-america-and-caribbean) , ele resume: “Essa base é que me levou para o J-PAL”. O Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-PAL) é um centro global de pesquisa voltado à redução da pobreza por meio de políticas informadas por evidências científicas. A organização reúne mais de 1.100 pesquisadores em universidades ao redor do mundo. Seus cofundadores, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, e o afiliado de longa data Michael Kremer receberam o Prêmio Nobel de Economia de 2019 por sua abordagem experimental no combate à pobreza. Hoje, Ivan atua no J-PAL América Latina e Caribe (LAC) em duas frentes: parcerias com governos e formação de novos pesquisadores. No primeiro eixo, ajuda a conectar gestores públicos a evidências já produzidas e apoia o desenho de novas avaliações de impacto. No segundo, trabalha na capacitação de profissionais capazes de produzir e utilizar evidências na formulação de políticas públicas. Trabalho, estudo e pesquisa no mesmo lugar A ligação de Ivan com o Insper aprofundou-se a ponto de reunir, hoje, as principais frentes de sua trajetória. O escritório do J-PAL no Brasil funciona dentro da instituição, onde ele desenvolve sua rotina profissional. “Eu fico praticamente 100% da minha jornada de trabalho no Insper”, afirma. Essa atuação também se conecta à agenda de formação. Pelo lado do J-PAL, Ivan integra a parceria com o Insper no âmbito da  [ADEPT](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/nobel-de-economia-esther-duflo-participa-de-lancamento-do-programa-adept-no-insper)  — Aliança para Formação em Dados, Economia e Desenho de Políticas Públicas —, iniciativa global liderada pelo J-PAL voltada à formação de formuladores de políticas, tomadores de decisão e pesquisadores. No Insper, essa colaboração se materializa no Programa de Dados, Economia e Desenho de Políticas Públicas ( [DEDP](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/economia-e-financas/em-aula-magna-no-insper-esther-duflo-propoe-novo-pacto-global-por-justica-climatica) ), focado em análise de dados, avaliação de impacto e desenho de políticas. A proposta articula conteúdos de referência internacional com contextualização local, aproximando a experiência acadêmica do MIT e do J-PAL da realidade brasileira. É nesse ambiente, em que prática e formação caminham juntas, que Ivan também decidiu dar o próximo passo acadêmico. Desde o fim de 2024, cursa o  [Doutorado em Administração](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/doutorado-profissional-em-administracao)  no Insper. Para Ivan, é a oportunidade de consolidar, em uma pesquisa própria, o percurso que construiu entre gestão pública, educação e avaliação de políticas. Depois de anos acompanhando projetos, apoiando pesquisadores e trabalhando com evidências, ele quer agora transformar esse acúmulo em uma tese com aplicação concreta. Mais do que seguir uma carreira acadêmica em sentido estrito, seu objetivo é desenvolver uma avaliação de política pública que una método e prática. “Quero encontrar uma política pública relevante que está sendo desenvolvida e poder avaliar o seu real impacto”, resume. Ao longo da carreira, Ivan Brant deixou caminhos promissores, mas desalinhados com seu propósito, para se aproximar de espaços em que pudesse gerar impacto social de forma mais concreta. A quem considera seguir esse mesmo caminho, ele descreve a área de políticas públicas como um campo necessário e cheio de possibilidades. “Precisamos que mais pessoas estejam capacitadas e possam fazer com que o uso do recurso seja mais efetivo”, afirma. Para Ivan, porém, não basta formar mais gente: é fundamental tornar esse campo mais diverso. Em sua avaliação, a academia e a formulação de políticas ainda carregam os vieses de trajetórias que tiveram mais acesso e oportunidades. A entrada de pessoas com outras vivências, diz ele, amplia a riqueza do debate e contribui para políticas públicas mais conectadas à realidade de quem mais precisa."}]