[{"jcr:title":"Terceiro setor pode apoiar a produção de políticas públicas mais inclusivas","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Painel realizado durante o encontro anual do CGPP debateu caminhos para o investimento social privado contribuir na redução das desigualdades","authorDate":"03/10/2025 09h46","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Terceiro setor pode apoiar a produção de políticas públicas mais inclusivas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Como desenvolver e implementar políticas públicas que alcancem mais pessoas e promovam inclusão social? De que forma diferentes atores sociais podem colaborar com o Estado nessa missão? E, mais especificamente, como o terceiro setor e o investimento social privado podem atuar de forma produtiva? Essas questões foram debatidas no painel “O papel do terceiro setor e do investimento social privado na promoção de políticas públicas mais inclusivas”, parte da programação do  [IV Encontro Anual](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/09/iv-encontro-anual-do-centro-de-gestao-e-politicas-publicas-do-insper)  do  [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  (CGPP) do Insper. O encontro, que celebrou os oito anos do centro, reuniu especialistas, lideranças públicas e pesquisadores para discutir os caminhos do desenvolvimento social e econômico do país. A programação também contou com uma palestra magna do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A íntegra está  [disponível online](https://www.youtube.com/live/NuQJMxLK8zI) . Participaram da mesa Joice Toyota, diretora executiva da Motriz; Lia Rolnik, diretora de operações do Instituto Sonho Grande; David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura; Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco; e Weber Sutti, vice-presidente de relações institucionais da Fundação Lemann. Todos destacaram a relevância de fortalecer a educação básica de qualidade e de investir em estratégias capazes de ampliar a escala de suas iniciativas. A mediação foi conduzida por Mariana Almeida, professora do Programa Avançado em Gestão Pública do Insper e diretora executiva da Fundação Tide Setubal. “Eu costumo dizer aos meus alunos que estar na máquina pública é como estar em um trem em alta velocidade, levemente desgovernado. É difícil entregar políticas públicas mais inclusivas”, afirmou. “O terceiro setor pode contribuir, já que traz um olhar privado para pensar o público. Mas é pequeno diante do tamanho do desafio.” Apoio ao Estado Toyota ressaltou que o terceiro setor está amadurecendo e ganhando escala, mas ainda representa uma dimensão reduzida frente aos desafios nacionais — o que, segundo ela, é um aspecto positivo. “Por mais que não tenha fins lucrativos, ele expressa um interesse privado da sociedade civil. Quem tem o tamanho, a legitimidade e o poder de realizar as grandes transformações é o Estado. O que precisamos é apoiar o Estado, fortalecendo a democracia por meio de políticas públicas consistentes.” Ela exemplificou: “Se quero que as crianças sejam alfabetizadas, meu objetivo não é educá-las diretamente, mas garantir que as secretarias sejam eficientes, que as políticas públicas façam sentido e que haja lideranças preparadas. Fazemos isso alavancando a agilidade do terceiro setor, sua capacidade de inovar e até mesmo de errar — algo mais difícil para o setor público.” Rolnik acrescentou que outro papel essencial do terceiro setor é assegurar a continuidade das ações entre diferentes governos. Ela destacou a atuação do Instituto Sonho Grande: “O ensino médio integral é uma política redutora de desigualdades. Atuamos apoiando a construção de componentes pedagógicos como tutoria, acolhimento e projeto de vida, que aumentam a conexão do estudante com a escola. Isso por si só reduz a evasão em 20%”. O instituto também direciona esforços para as escolas de maior vulnerabilidade social. “Assim, conseguimos que escolas de nível socioeconômico mais baixo apresentem resultados semelhantes aos de escolas regulares de nível médio no Brasil”, disse. Nova abordagem Saad ressaltou os benefícios das parcerias e conexões entre organizações do terceiro setor, observando que o Brasil está em posição relativamente boa nesse aspecto, quando comparado a outros países da América Latina. Ele lembrou, porém, de um debate que o Instituto Natura vem travando desde o fim da década passada: colocar o foco no resultado das políticas públicas, e não apenas no desempenho individual da instituição. “Entendemos que a medição de desempenho deve ir além dos objetivos do nosso projeto, olhando para como o país pode avançar em termos de resultados educacionais”, explicou. Segundo ele, ao passar de uma atuação focada em iniciativas próprias de alfabetização para uma perspectiva voltada a todas as crianças brasileiras, a complexidade aumenta. “Precisamos de estratégias de longo prazo, mais consistentes, com forte continuidade e apoio dos parceiros. E precisamos ter a humildade de reconhecer que não será um projeto do Instituto Natura, sozinho, que promoverá essa mudança.” O esforço, afirmou, é recompensado pelo ganho de escala: “Vemos resultados interessantes, que não podemos chamar de nossos, porque envolvem muitas instituições — e, no final, o protagonista é o setor público. O que importa é ver o país avançando nos indicadores e nos objetivos”. Henriques destacou que o espaço do investimento social privado é ocupado por uma sociedade civil organizada e disposta a contribuir com políticas públicas inclusivas. “Pensamos nas condições para que os governos ofereçam o que a democracia exige e o que a sociedade precisa. O terceiro setor tem atributos que aumentam a probabilidade de esse bem público ser produzido com mais qualidade.” Ele também ressaltou a capacidade do setor de levar à prática, de forma consistente e baseada em dados, o rigor acadêmico que pode apoiar a formulação de políticas públicas. “O setor pode contribuir com a produção de bens públicos, sustentando pesquisas aplicadas”. Sutti encerrou lembrando os grandes desafios educacionais do país: “Hoje, apenas 5% dos jovens concluem o ensino médio com conhecimento adequado em matemática”, disse, citando dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). “Enquanto isso não mudar, nada vai se transformar de maneira estrutural. O terceiro setor pode contribuir de forma decisiva, disputando a agenda, construindo conhecimento e conectando esse conhecimento às prioridades dos governos.”  "}]