[{"jcr:title":"Pesquisadores do Insper avaliam a eficácia do bônus financeiro para policiais","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"Sandro Cabral, Marcelo Marchesini da Costa e Sergio Firpo assinam artigo publicado em periódico internacional de políticas públicas e gestão","authorDate":"24/04/2026 23h35","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Pesquisadores do Insper avaliam a eficácia do bônus financeiro para policiais","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A bonificação financeira pode contribuir para a melhoria do desempenho dos policiais no combate ao crime, aponta o artigo de três pesquisadores do Insper publicado no Journal of Policy Analysis and Management, um dos mais importantes periódicos mundiais nas áreas de políticas públicas e gestão. Sandro Cabral, Marcelo Marchesini da Costa e Sergio Firpo assinam o artigo em coautoria com Joana Monteiro, da Fundação Getulio Vargas, e Leonardo Teixeira Viotti, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. O artigo  [“Incentive-Based Compensation in Police Forces”](https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/pam.70094)  (Remuneração baseada em incentivos nas forças policiais, em tradução livre) relata os resultados do estudo que avalia um programa de remuneração baseado em incentivos que condicionava os bônus à redução de mortes violentas, roubos de veículos e roubos de rua na cidade do Rio de Janeiro. Em diferentes etapas, o trabalho foi financiado pela Fundação Brava e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Nos distritos policiais elegíveis para bônus, houve reduções significativas nos crimes, com efeitos mais fortes ao final do semestre, quando os incentivos monetários são mais expressivos. Os pesquisadores destacam o potencial do bônus para remodelar o comportamento policial e reduzir a criminalidade. Mesmo a potencial manipulação na reclassificação de roubos de rua não comprometeu a eficácia geral do programa. Sandro Cabral, professor do Insper e conselheiro do  [Insper Metricis](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/metricis) , lembra que, por volta de 2016, o Rio vivia a euforia pré-Olimpíadas. Uma série de programas e obras implementadas nos anos anteriores prometia uma cidade melhor: as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), a revitalização da região portuária e da Marina da Glória e o VLT (veículo leve sobre trilhos) do aeroporto ao centro, entre outros. Nesse contexto, na área de segurança pública, um programa desenhado pelo governo do estado e pela iniciativa privada previa o pagamento de salário variável para os policiais, independentemente do salário ou da patente: um verdadeiro programa de incentivos em grupo. O programa de remuneração foi iniciado em 2009. O Estado foi dividido em 39 territórios, denominados AISPs (Áreas Integradas de Segurança Pública), compreendidos por um batalhão ou delegacias que já atuavam normalmente na linha de frente. Desde então, de seis em seis meses, cada uma das 39 AISPs recebe cotas máximas permitidas para três crimes prioritários: mortes violentas, roubos de veículos e roubos em vias públicas. “Esses eram os três crimes mais importantes na conformação da sensação de insegurança da população e passaram a ser as ocorrências focalizadas no programa”, explica Sandro. Sandro diz que estabelecer um grupo de controle para avaliar a eficácia da política foi um dos desafios metodológicos. Não havia outro estado brasileiro em situação comparável à do Rio. Além disso, todos os 39 distritos fluminenses participavam da bonificação. A solução foi comparar a evolução dos índices de criminalidade nos distritos que, no mesmo semestre, tinham condições de cumprir a meta e receber o bônus com os distritos que não tinham mais essa possibilidade. A pesquisa indica que o crime não aumenta quando os bônus são inatingíveis, sugerindo que os policiais não alteram o seu comportamento de forma significativa quando não têm expectativa de receber o bônus. “O interessante é que se verificou uma redução nos três tipos de crimes quando os policiais estavam elegíveis para o bônus”, afirma Sandro. Uma observação importante: os autores encontraram uma possível manipulação nos registros de roubos de rua, supostamente reclassificados como furtos de rua nos dois meses finais do semestre, sugerindo, talvez, uma tentativa de não estourar a meta por meio do possível ardil. Os dados mostram ainda a redução de outros crimes que não eram cobertos pela meta, como roubo de carga, roubo às residências e mortes provocadas por policiais (que entram na conta de mortes violentas), indicando que o programa gerou externalidades positivas e afetou crimes não sujeitos a recompensas financeiras. “Podemos dizer que o bônus provocou uma alteração de comportamento na mesma direção da redução de crimes que a sociedade espera”, diz Sandro. “Nesse sentido, o programa pode ser considerado razoavelmente bem-sucedido na intenção de, por meio de incentivos monetários, levar a índices menores de criminalidade.” Colaboração entre as polícias O trabalho pode avançar em pesquisas futuras que reúnam dados sobre incentivos aplicados em outras regiões e países. Paralelamente ao estudo quantitativo, por exemplo, Marcelo Marchesini da Costa conduziu uma etapa qualitativa sobre o efeito do programa na colaboração entre as polícias militar e civil. Na ocasião, ele entrevistou comandantes da Polícia Militar, delegados da Polícia Civil, o secretário de Segurança do Rio de Janeiro e um ex-governador fluminense. Professor do Insper, Marcelo explica que, tradicionalmente, sabe-se que as duas polícias atuam de maneira fragmentada. “Esse sistema de metas fez com que os policiais militares e civis tivessem um objetivo comum muito claro”, diz Marcelo. “Um dos delegados da Polícia Civil me mostrou como a comunicação com os policiais militares havia se tornado muito mais fluida no grupo de WhatsApp da mesma área de atuação a partir da implantação do sistema de metas. Eles conseguiram programar as ações em função da proximidade do atingimento das metas.” Para Marcelo, outro desdobramento do tema são novos estudos sobre a colaboração entre as forças de segurança pública. “A forma como as guardas municipais têm se integrado a esse esforço de segurança pública tem muita relação com essa necessidade de cooperação que identificamos nessa pesquisa anterior”, afirma Marcelo. Um dos núcleos de pesquisa do  [CGPP](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/)  (Centro de Gestão e Políticas Públicas) do Insper, o Insper Metricis realiza estudos sobre estratégias organizacionais e práticas de gestão envolvendo projetos com potencial de gerar alto impacto socioambiental. O Metricis produz pesquisas acadêmicas, policy reports, estudos de casos e guias de gestão ligados a projetos de alto impacto em empresas, organizações sem fins lucrativos, governos e fundos de investimento, entre outros."}]