[{"jcr:title":"Pesquisa de iniciação científica constata que câmeras operacionais reduzem a letalidade policial","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação"},{"richText":"Trabalho da aluna de Economia Gabriela Kurzweil Magini recebe menção honrosa nos Prêmios Insper de Iniciação Científica e Tecnológica","authorDate":"11/02/2026 15h55","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","title":"Pesquisa de iniciação científica constata que câmeras operacionais reduzem a letalidade policial","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"jcr:title":"Gabriela Kurzweil Magini com seu orientador Leandro Consentino","alt":"Gabriela Kurzweil Magini com seu orientador Leandro Consentino"},{"text":"Nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Itália, na Irlanda, no Canadá e na Austrália, entre muitos outros países, o uso de câmeras corporais portáteis vem se tornado comum nas forças policiais. Resultado de investimentos expressivos, são também uma importante fonte de dados, que vêm sendo analisados com afinco por pesquisadores de todo o mundo. Ainda assim, o estado de São Paulo se destaca: é um caso raro de local onde o modo de utilização do recurso foi alterado, depois de um período inicial bem-sucedido de implementação. Entre 2020 e 2022, o Programa Olho Vivo transformou a rotina dos agentes, com impacto positivo direto para a segurança pública. A partir de 2023, com a mudança na gestão estadual, a abordagem mudou, primeiro com cortes orçamentários e, na sequência, com um novo sistema passou a contar com o desligamento manual — até então, a gravação era ininterrupta. A aluna de Economia do Insper Gabriela Kurzweil Magini desenvolveu seu [projeto de iniciação científica](https://repositorio-api.insper.edu.br/server/api/core/bitstreams/8f81ae1d-5253-4d1f-815e-2a6edc45e2ba/content) a partir de meados de 2024, um momento adequado para captar e comparar os efeitos desses dois momentos distintos. O resultado foi uma iniciativa que recebeu menção honrosa no  [3º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/acontece-no-insper/da-tecnologia-ao-direito-3-simposio-de-iniciacao-cientifica-e-tecnologica-destaca-a-diversidade-da-pesquisa-na-graduacao-do-insper)  da escola. “Constatei que, com o abandono do protocolo antigo, as câmeras se tornaram mais ineficientes e ocorreu uma retomada dos casos de mortes decorrentes de intervenção policial”, relata ela.   Vocação confirmada Voltado ao desenvolvimento de pesquisa nos programas de Administração, Ciência da Computação, Direito, Economia e Engenharias do Insper, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica ( [PIBIC](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/pesquisa-na-graduacao/pibic) ) coloca os alunos da graduação para desenvolver habilidades importantes para suas trajetórias. “O maior aprendizado, ao se desenvolver uma pesquisa, é o método. O senso crítico e a capacidade de localizar dados relevantes, com rigor técnico, são úteis para a atividade profissional, no mercado corporativo ou no setor público, tanto quanto para os estudantes que pretendem seguir carreira acadêmica”, diz o professor  [Leandro Consentino](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/leandro-consentino) , doutor em Ciência Política. No caso de Gabriela, o trabalho confirmou uma vocação. “Eu já ouvia dos meus professores do ensino médio que tinha propensão para seguir carreira na academia. Mas foi este projeto de pesquisa que confirmou essa percepção”, afirma a estudante, que está no quinto semestre de Economia e já está cursando disciplinas que vai utilizar na pós-graduação — além de ter iniciado um segundo projeto de pesquisa, este sobre o impacto da lentidão do Poder Judiciário sobre variáveis econômicas em nível municipal. No caso do trabalho sobre as câmeras corporais, orientado por Consentino, a aluna se viu no lugar certo, na hora certa. “Iniciei assim que recebi a informação de que o projeto havia sido aprovado, em julho de 2024. Eu sabia que poderíamos conseguir informações relevantes sobre antes e depois da mudança implementada pelo governador”, diz ela. “Fui fazendo descobertas ao mesmo tempo em que outros pesquisadores, com anos de vivência na área, também trabalhavam com as mesmas bases de dados. Disparei e-mails para muitos deles, que responderam, dispostos a ajudar”, relata. “A Gabriela tem o mérito de ter procurado evidências bastante densas do ponto de vista de literatura, incluindo muitos exemplos internacionais, para demonstrar o quanto os achados que ela fez são sólidos”, comenta o orientador. “Essa pesquisa tem potencial para basear um artigo acadêmico, ou mesmo ganhar continuidade.”   Risco na descontinuidade O projeto “A eficiência do uso de câmeras operacionais portáteis (COPs) pela Polícia Militar na diminuição da letalidade policial no estado de São Paulo” utilizou dados publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) e pelo portal da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Aplicou às informações técnicas ferramentas analíticas, comparadas entre os dois períodos, anterior e posterior a 2023. “Os resultados obtidos apontam que a implementação das câmeras com gravação ininterrupta representou uma inovação significativa na política de segurança pública brasileira e internacional, especialmente por eliminar a discricionariedade do policial quanto ao acionamento do equipamento”, aponta o relatório da pesquisa. “A combinação entre esse modelo contínuo de gravação e a criação de estruturas institucionais complementares indicou uma tentativa concreta de construir um modelo de responsabilização e aprimoramento da conduta policial com base em evidências audiovisuais e procedimentos internos de formação, correção e supervisão, itens que a revisão de literatura internacional tinha destacado como necessários ao sucesso da redução da letalidade policial.” Por outro lado, o aumento expressivo dos índices de letalidade policial entre 2023 e 2024, inclusive superando os registrados antes da adoção das câmeras, “evidencia os riscos de retrocessos institucionais motivados por decisões políticas não baseadas em evidências empíricas”, prossegue o documento. “A desmobilização acende um sinal de alerta sobre os riscos da descontinuidade de políticas públicas com resultados positivos e reforça a importância de decisões baseadas em evidências e avaliações de impacto”, conclui. “São questões especialmente relevantes em 2026, um ano eleitoral, em que a segurança pública vai estar no centro das atenções”, aponta o professor Consentino. “Assim, com pesquisas aplicadas, a academia contribui para o desenvolvimento do Brasil.”    "}]