[{"jcr:title":"No Roda Viva, Carlos Melo analisa eleições e cobra um projeto de futuro para o Brasil","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"docentes:"},{"richText":"Coordenador do Observatório de Política do Insper discute rejeição aos candidatos, desgaste institucional e desafios para o segundo turno","authorDate":"06/10/2026 11h09","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"No Roda Viva, Carlos Melo analisa eleições e cobra um projeto de futuro para o Brasil","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente / amarelo / vermelho"},{"themeName":"transparente / amarelo / vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O desejo de mudança expresso nas urnas precisa ser acompanhado de uma discussão sobre o país que se pretende construir. Essa foi uma das mensagens do cientista político e professor [Carlos Melo](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/carlos-alberto-furtado-de-melo) , coordenador do  [Observatório de Política](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-politica) , vinculado ao [Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP) do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas) , durante sua participação no Roda Viva, da TV Cultura, na noite de 5 de outubro. Ao analisar o primeiro turno de 4 de outubro, em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por pouco mais de 2 milhões de votos, Melo apontou a combinação de desgaste institucional, rejeição política e ausência de propostas capazes de responder às transformações da sociedade.   “De fato, o Brasil quer mudança. Mas qual mudança os candidatos propõem ao eleitor?”, questionou. Para o professor, a campanha deixou em segundo plano temas essenciais, como a reorganização geopolítica, os impactos da tecnologia sobre o trabalho e as perspectivas para os jovens. A sucessão de escândalos, embora merecesse atenção, ocupou o espaço de outras questões. “Claro que é importante falar de corrupção, mas a pauta do Brasil não pode ser só corrupção”, disse. Melo estendeu a crítica a todos que trabalham com informação: “Nós demos demasiado peso aos escândalos e deixamos de pressionar os candidatos a apresentar seu projeto de futuro”."},{"variant":"youtube","youtubeVideo":"https://www.youtube.com/watch?v=VLQqGXOP65I"},{"text":"A força da rejeição e os erros do governo   Na leitura de Melo, a política brasileira se organiza menos em torno dos partidos do que de duas forças: o antipetismo e o antibolsonarismo. O peso de cada uma varia, mas ambas impõem dificuldades a quem governa. Como Lula e Flávio receberam, cada um, votos de cerca de um terço do eleitorado, Melo chamou a atenção para a dimensão do contingente que não apoiou nenhum deles, considerando os votos no adversário e a abstenção. Embora isso não signifique que todos esses eleitores sejam opositores, sua análise destaca a dificuldade de construir uma base ampla de apoio na sociedade. Essa lógica também ajuda a explicar por que denúncias contra candidatos nem sempre alteram a disposição de seus eleitores. Quando a prioridade é impedir a vitória do adversário, parte do eleitorado relativiza os problemas de quem escolheu apoiar.   Essa dinâmica alimenta uma “polarização afetiva”, movida por emoções e rejeições, e reduz o espaço para discutir propostas. Melo ressaltou que isso não significa considerar os dois campos equivalentes. Também rejeitou a generalização que atribui a todos os eleitores de um candidato o mesmo perfil ideológico. Para ele, a política exige compreender diferenças e conquistar apoios, em vez de afastar grupos inteiros por meio de rótulos.   O professor afirmou que o desempenho da oposição não pode ser compreendido sem examinar os erros de Lula e do PT. Em sua avaliação, há uma “fadiga de material” após tantos anos de governos petistas. Lula subestimou a rejeição que enfrenta e acreditou que a eleição seria mais fácil. A frente ampla de 2022, que Melo classificou como “da boca para fora”, tampouco se traduziu em um diálogo abrangente com a sociedade. Outra oportunidade perdida, segundo ele, foi não promover um chamamento à união nacional diante do tarifaço norte-americano. Em 2026, essas dificuldades teriam sido acompanhadas de uma campanha estreita e de uma aposta excessiva nas realizações passadas.   Melo argumentou que conquistas não dispensam o governo de apresentar os próximos passos. “Não tem gratidão na política”, afirmou, ao explicar que a democracia precisa responder continuamente às demandas da população. Entre as lacunas, destacou a segurança pública: o PT deveria oferecer respostas efetivas, mas seus adversários também não apresentam soluções adequadas. Defendeu aproximar o sistema político do conhecimento produzido nas universidades, com políticas baseadas em evidências, que possam ser testadas e avaliadas.   Para o segundo turno, Melo prevê uma intensificação da disputa pela rejeição ao adversário. Embora quem termina à frente no primeiro turno costume vencer a etapa seguinte, ele ressaltou que precedentes não determinam o resultado. O professor espera ainda um esforço de mobilização da base petista para levar às urnas quem se absteve e disputar os votos destinados a outras candidaturas, cuja transferência para Flávio Bolsonaro não é automática. “Ninguém é dono do voto”, lembrou. Instituições sob pressão   Outro eixo da entrevista foi a deterioração das instituições. Melo avaliou que os escândalos envolvendo o caso Master atingiram especialmente a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas palavras dele, Daniel Vorcaro “meio que deu um abraço de afogado nas instituições”. O desgaste da Corte pode comprometer sua capacidade de exercer o papel de freio e contrapeso, sobretudo se o próximo presidente contar com ampla maioria no Congresso. “O presidente pode muito, mas não deve poder tudo.”   O professor defendeu discutir mudanças no Supremo, incluindo a escolha dos ministros, o tempo de permanência na Corte e sua forma de atuação. Ressaltou, porém, que uma reforma precisa envolver a sociedade e diferentes organizações, para além dos parlamentares. “Uma reforma malfeita pode piorar. O que está ruim pode ficar muito pior.” Diante da composição do Senado e da agenda de parte dos eleitos, que inclui propostas de impeachment de ministros, alertou para a perspectiva de conflitos entre os poderes.   No Congresso, sua crítica se concentrou no fortalecimento do patrimonialismo e na influência das emendas parlamentares sobre a atuação dos deputados. “Hoje nós não temos deputados federais; temos vereadores federais”, provocou. Ao privilegiar demandas locais, o Legislativo perde capacidade de pensar os problemas nacionais. A configuração eleita tende a dificultar um eventual novo governo Lula e a oferecer maior sintonia a Flávio Bolsonaro, caso ele vença. Mudanças sociais e novas lideranças   Melo situou a eleição em um contexto internacional de transformação tecnológica, insegurança econômica e reação às mudanças de costumes. Na sua interpretação, o bolsonarismo é efeito desse mal-estar, que determinadas lideranças conseguem vocalizar. A insegurança sobre emprego e modos de vida alimenta respostas emocionais e a idealização do passado.   Os jovens, que Melo descreveu como a primeira geração com tendência a apresentar desempenho econômico inferior ao dos pais, enfrentam incertezas sobre seu futuro profissional, enquanto a escola precisa se adaptar a um mundo em transformação, inclusive à inteligência artificial. As redes sociais reforçam bolhas nas quais eleitores e lideranças recebem conteúdos que confirmam suas visões. A eficácia eleitoral de vídeos curtos, observou Melo, convive com a dificuldade de aprofundar debates essenciais.   Para o professor, compreender essas mudanças exige evitar generalizações também sobre os evangélicos. Ele destacou o papel de igrejas no acolhimento e na formação de redes de apoio em comunidades marcadas pela pobreza e pela violência, distinguindo essa atuação da postura de lideranças fundamentalistas. Da mesma forma, defendeu investigar as origens do ressentimento social para formular políticas capazes de enfrentá-lo. “Não tem remédio para quem não tem diagnóstico”, observou.   A renovação das lideranças deve vir acompanhada de uma visão de futuro. Melo citou o projeto Brasil Mais Dez, em desenvolvimento no Observatório de Política do Insper, que busca identificar quem serão as lideranças daqui a dez anos e o que elas pensam sobre o Brasil nesse horizonte. Na relação com o mundo, defendeu que o país aproveite seus recursos para desenvolver tecnologia e cadeias produtivas de maior valor agregado. A pergunta que atravessou a entrevista permanece: “Afinal, qual é o projeto de futuro?”."},{"variantCarousel":"cards","sortOrder":"manual"},{"buttonUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/cursos/politicas-publicas","title":"Cursos relacionados","buttonText":"+ políticas públicas"},{"linkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas","linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Mestrado em Políticas Públicas"},{"linkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-gestao-publica","linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Programa Avançado em Gestão Pública"},{"linkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mba/master-em-gestao-publica","linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Master em Gestão Pública"},{"jcr:title":"transparente / vermelho / turquesa"},{"buttonBackgroundColor":"rgb(229,5,5)","themeName":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"}]