[{"jcr:title":"Multiplicar o conhecimento para a transformação social","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"Da infância em Osasco à liderança em políticas públicas, Vivian Satiro construiu uma trajetória que une prática e academia para impactar a sociedade","authorDate":"02/04/2025 13h44","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Multiplicar o conhecimento para a transformação social","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Nascida em Osasco, filha de um metalúrgico e uma dona de casa, Vivian Satiro construiu uma carreira que combina experiência prática na administração pública com formação acadêmica contínua. Da primeira turma de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) aos cargos de liderança no Governo do Estado e na Prefeitura de São Paulo, sua trajetória é marcada por desafios crescentes e pelo compromisso com a transformação social por meio de políticas públicas.   “Ir para a universidade fez o meu universo de possibilidades se multiplicar de um jeito exponencial”, diz Vivian sobre o impacto transformador da educação em sua vida. Essa transformação a levou dos estágios iniciais na administração pública a coordenar planos de governo para campanhas à prefeitura de São Paulo e, atualmente, a contribuir com a formação de novos gestores públicos no Insper.   A pandemia representou o período mais desafiador de sua carreira. Nesse período, gerenciou as informações funerárias da cidade de São Paulo enquanto mantinha suas responsabilidades na Secretaria Municipal de Licenciamento. Essa experiência reafirmou sua convicção na escolha profissional. “Eu não gostaria de estar em nenhum outro lugar e tive muita convicção da escolha profissional que fiz”, afirma. Hoje, como coordenadora de Gestão de Projetos do Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP) do Insper e doutoranda na Fundação Getulio Vargas, ela continua sua trajetória de conciliar prática profissional e vida acadêmica, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da gestão pública no país.   A seguir, conheça mais sobre a trajetória profissional de Vivian Satiro.     Origens e formação   Sou de Osasco, região metropolitana de São Paulo. Cresci num ambiente familiar onde a educação sempre foi muito valorizada, apesar de meus pais não terem tido a oportunidade de avançar muito nos estudos, tanto meu pai, Benedito, quanto a minha mãe , Marlene, não chegaram a concluir a educação básica , mas formaram três filhos no ensino superior.   Nossa casa ficava numa região que nos anos 1980 ficou conhecida como “Rua do Crime”, por causa de uma chacina ocorrida em Osasco. Esse ambiente violento fez com que meus pais criassem estratégias para nos manter longe dessa realidade — a presença constante da minha mãe e o envolvimento com a igreja foram fundamentais para que eu e meus irmãos seguíssemos um caminho diferente.   Meu interesse por gestão pública surgiu ainda no ensino médio, influenciado por uma professora de história do segundo ano. Inicialmente, pensava em fazer serviço social, movida por uma ansiedade típica de adolescente de achar que podia “mudar o mundo”. Mas essa professora me orientou a olhar para os cursos de administração pública e ciências sociais. Sou grata a Juliana até hoje.    Por coincidência, no ano em que prestei vestibular, a USP abriu a primeira turma do curso de Gestão de Políticas Públicas na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), no campus da Zona Leste. Foi assim que, aos 17 anos, ingressei na universidade.     Graduação e primeiros passos    O campus da USP Leste ficava distante da minha casa em Osasco. No primeiro ano, eu enfrentava um trajeto de duas horas e meia a três horas só para ir, utilizando vários meios de transporte: ônibus até a estação de trem de Osasco, trem até a Barra Funda, metrô até a Penha ou até o Brás, e de lá mais transporte até a faculdade. Escolhi estudar de manhã porque não teria como voltar para casa à noite.   Comecei a fazer estágio logo no primeiro ano da graduação, em agosto de 2005, por meio do programa Talentos da Gestão Pública do governo do estado de São Paulo. Meu primeiro estágio foi na Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Entrei na faculdade com a convicção de que queria trabalhar com segurança pública, especialmente com adolescentes em conflito com a lei, algo que estava relacionado ao ambiente onde eu morava.   Curiosamente, nesse estágio, acabei ficando mais próxima das áreas-meio da Secretaria, das áreas de gestão, e menos das áreas finalísticas da política pública. O mesmo aconteceu no meu segundo estágio, na Secretaria de Assistência Social do município de São Paulo, onde fui estagiária do Gabinete. Depois, trabalhei em uma consultoria chamada Oficina de Ideias, que desenvolvia um projeto com a Secretaria Estadual de Assistência Social.   Essa experiência prática durante toda a graduação foi fundamental para minha formação profissional. Nunca vivenciei o mundo acadêmico distante da prática, o que acredito ter impactado muito minha trajetória. Sempre conciliei estudo e trabalho, desde a graduação — algo que se tornaria uma constante na minha vida.     Início da carreira profissional   Eu terminei a faculdade em dezembro de 2008 e, em janeiro de 2009, comecei a trabalhar na Câmara Municipal de São Paulo. O secretário para quem eu havia estagiado na Secretaria de Assistência Social se tornou vereador, e fui trabalhar em seu gabinete.   Esses dois anos na Câmara foram um aprendizado incrível. Conhecer o Executivo pelo olhar do Legislativo me ensinou muito sobre fiscalização, orçamento público e o funcionamento da casa de leis. Foi ali que tive uma noção de realidade muito clara de como a política funciona na prática. Foi também na Câmara que conheci a equipe do então candidato a governador Geraldo Alckmin.   Durante esse período, também comecei uma pós-graduação chamada Gerente de Cidades na Faap.     Experiência no governo estadual   Em 2011, fui convidada para trabalhar na Casa Civil do estado de São Paulo, após Alckmin assumir o governo. Fiquei oito anos no governo estadual, principalmente em áreas de gestão de informações e de projetos estratégicos   Nos primeiros quatro anos (2011-2014), trabalhei na Subsecretaria de Gestão Estratégica da Casa Civil, uma área que assessorava o secretário e o governador na tomada de decisão, fazendo monitoramento de projetos estratégicos e gestão de informações.   Quando Alckmin se reelegeu, essa área passou a integrar a Secretaria de Governo, e eu assumi a Coordenadoria de Informações do estado de 2015 a 2018, continuando o trabalho de assessoria direta ao secretário e ao governador para a tomada de decisão.   Durante esse período, também fiz um mestrado em Políticas Públicas na Unifesp —demorei para defender a dissertação devido à dificuldade de conciliar trabalho e vida acadêmica.     Atuação na prefeitura durante a pandemia   Em 2019, fui para a Prefeitura de São Paulo como secretária-adjunta de Licenciamento, na gestão do prefeito Bruno Covas. Em 2020, com a chegada da pandemia de covid-19, além de manter as responsabilidades no licenciamento, assumi a gestão das informações funerárias — o que considero o período mais desafiador da minha vida profissional.   Ninguém tinha ideia do que estava acontecendo, e eu estava contribuindo em duas frentes: analisando as informações mortuárias para entender quais seriam as compras emergenciais necessárias e as tomadas de decisão para garantir sepultamentos dignos, e simultaneamente coordenando a transição do licenciamento físico para o online.   Trabalhava presencialmente enquanto a maioria estava em home office, visitava cemitérios durante a pandemia para entender o fluxo de sepultamento e fazer readequações. Implementamos grupos de apoio aos sepultadores, profissionais que eram negligenciados pela população, mas que desempenhavam um papel crucial. Foi um período de muito isolamento e solidão, mas também de aprendizado e crescimento.     Coordenando planos de governo   Em 2020, mesmo enfrentando os desafios da pandemia, coordenei o plano de governo do então prefeito Bruno Covas como candidato à reeleição. Foi uma campanha completamente diferente das anteriores, já que precisávamos respeitar o isolamento social. Apesar de já ter trabalhado em campanhas políticas, foi a primeira vez que coordenei um processo desse tipo, e em condições tão peculiares.   Anos depois, em 2024, tive a oportunidade de coordenar também o plano de governo da candidata Tabata Amaral à Prefeitura de São Paulo. Essa experiência me permitiu entrevistar e dialogar com centenas de pessoas — mais de 700 voluntários trabalharam no plano. Pude discutir políticas de diversas áreas, desde educação e saúde até habitação, população em situação de rua e política de drogas.   Curiosamente, nunca fui filiada a nenhum partido político. Sempre transitei na administração pública como uma figura mais técnica, o que não diminui minha convicção sobre a importância dos partidos para a democracia. Acho interessante ver candidatos buscando pessoas com perfil técnico para conduzir processos de construção de planos de governo.   Essa experiência me proporciona um repertório de políticas públicas realmente único, reforçando minha formação como especialista em gestão pública com visão macro. Como historicamente trabalhei com gestão de informações e projetos estratégicos, sempre tive um olhar amplo das políticas públicas — não sou especialista em uma área específica, como saúde ou educação, mas sim em gestão pública de maneira abrangente.   Após a reeleição de Covas, fui convidada a ser secretária executiva de Planejamento e Entregas Prioritárias — uma grande honra. Transformamos o plano de governo construído coletivamente, mesmo à distância, no Programa de Metas, no PPA (Plano Plurianual) e nas leis orçamentárias subsequentes. Permaneci nessa posição durante 2021 e 2022..     A transição para o Insper e a vida acadêmica   Meu primeiro contato com o Insper aconteceu ainda como secretária da Prefeitura de São Paulo, quando assinamos um termo para que alunos do Programa Avançado de Gestão Pública (PAGP) redesenhassem a Central de Atendimento da Secretaria de Licenciamento.   Em 2023, após deixar a prefeitura, ingressei no Insper para trabalhar no que hoje é o Núcleo de Pessoas no Setor Público, na época chamado de Observatório de Liderança da Gestão Pública. A ideia era que, como ex-líder pública, eu pudesse contribuir na mobilização da pesquisa e na abertura de diálogo com colegas de profissão.   Durante 2023 e parte de 2024, trabalhei no Observatório, contribuindo para a elaboração do Mapa da Gestão de Lideranças (MGL). Em 2024, também ingressei no doutorado da Fundação Getulio Vargas. Em julho de 2024, após a entrega do MGL, fui convidada para atuar como coordenadora de Gestão de Projetos do CGPP.   Ao longo da minha carreira, sempre tentei conciliar a vida profissional com a proximidade acadêmica. Durante a graduação, fiz estágio. Nos primeiros anos, já formada, fiz uma especialização e depois o Mestrado. No ano que ingressei na Prefeitura, iniciei outra pós-graduação, um master em Liderança e Gestão Pública pelo CLP (Centro de Liderança Pública), que concluí em 2022. Como parte desse curso, também realizei um programa de educação executiva de uma semana na Universidade de Oxford. E, hoje, estou no doutorado.    A proximidade da academia me forneceu ferramentas para uma atuação profissional mais eficaz e assertiva, me colocando em contato com o que tinha de mais atual no campo de públicas e me possibilitando, ainda que a terminologia não fosse recorrentemente usada, formular políticas com base em evidências.      Atividades atuais e planos para o futuro   Atualmente, coordeno a área de Gestão de Projetos do CGPP no Insper, trabalhando com uma pequena equipe. Nosso foco está em pensar como a área de políticas públicas pode incidir mais efetivamente nas graduações, especialmente em Direito e Administração, e como ampliar a relevância do CGPP na escola.   Buscamos parcerias externas que permitam ampliar o conhecimento sobre o Insper e desenvolver projetos de aprendizagem nos cursos de educação executiva e pós-graduação. Trabalhamos em proximidade com os oito núcleos de pesquisa do CGPP, buscando ampliar a difusão do conhecimento produzido e fazendo a tradução desse conhecimento para uma linguagem mais acessível aos tomadores de decisão.   Também dou aulas de planejamento estratégico na educação executiva e ofereço mentoria para alunas, especificamente do curso de liderança feminina. A sala de aula me dá um prazer indescritível.    Para o futuro, desejo  ampliar minha atuação como professora — o doutorado é um passo nessa direção. Espero contribuir para tornar o CGPP um centro reconhecido dentro e fora do Insper, que produz conhecimento, forma pessoas e contribui com a transformação do governo brasileiro. Acredito que há muitas formas de colaborar para a transformação do mundo — mas talvez nenhuma seja mais efetiva do que a multiplicação do conhecimento.    "}]