[{"jcr:title":"Millennials brasileiros ainda não conseguem viver melhor do que a Geração X","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:n-cleo-de-estudos-raciais","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/pesquisa"},{"richText":"Estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper mostra que os avanços em inclusão social foram insuficientes para eliminar as disparidades de raça e gênero","authorDate":"08/06/2026 15h46","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:n-cleo-de-estudos-raciais","title":"Millennials brasileiros ainda não conseguem viver melhor do que a Geração X","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Os avanços em inclusão social no Brasil ainda não foram suficientes para gerar mobilidade intergeracional plena, que considera a probabilidade de filhos superarem a renda real dos pais. Essa é uma das conclusões do texto para discussão  [“Millennials versus Geração X: Quem são os grandes vencedores?”](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/c809e26a-9eb9-459a-a864-27343d216a28) , de autoria de Daniel Duque, Michael França e Fillipi Nascimento, pesquisadores do Neri ( [Núcleo de Estudos Raciais do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais) ). Os Millennials (ou Geração Y) são aqueles nascidos de 1981 a 1996, e a Geração X, de 1965 a 1980. Realizado com o apoio da Open Society Foundations, o estudo comparou as condições econômicas e sociais dos triênios 1997-1999 e 2022-2024, tomando como referência dois grupos específicos dentro dessas gerações: os integrantes da Geração X nascidos entre 1967 e 1969 e os Millennials nascidos entre 1992 e 1994, todos com cerca de 30 anos nos respectivos períodos analisados. A questão central era analisar se a geração mais recente vive, de fato, melhor do que a anterior, levando em conta os avanços em escolaridade, estabilidade monetária e políticas redistributivas das últimas décadas. Em termos de escolaridade, os Millennials tiveram acesso facilitado ao ensino médio e à universidade, durante um período de inflação baixa e valorização do salário mínimo no país. Mas, quando completaram 30 anos, o dinamismo econômico brasileiro já não era o mesmo das duas primeiras décadas do século 21, benesse desfrutada pela Geração X. Como ressalta Michael França, coordenador do Neri, a geração que mais estudou vislumbra um mercado de trabalho mais instável e no qual o diploma já não é um diferencial definitivo. Os Millennials passaram a conviver com horizontes mais voláteis e recompensas econômicas mais incertas, o que tornou o esforço individual uma circunstância necessária para ascender, mas não suficiente. Michael observa que a renda do trabalho aumentou na comparação entre os triênios das duas gerações. No entanto, o ritmo foi desigual. Os rendimentos cresceram mais rapidamente nos estratos de baixa e média renda e desaceleraram na faixa que concentra os trabalhadores de renda médio-alta. Esse movimento ajudou a reduzir parcialmente as disparidades de raça e gênero, mas manteve o privilégio de topo entre os homens brancos, que continuam com rendimentos significativamente acima dos demais. No mercado de trabalho, a taxa de desemprego permaneceu mais alta entre pessoas pretas e pardas em ambas as gerações, e a diferença relativa entre os grupos se ampliou. Ou seja, o aumento da escolarização é apenas um dos caminhos para reduzir as desigualdades socioeconômicas. O acesso ao mercado de trabalho ainda é influenciado por discriminação, redes de contato, herança patrimonial, diferenças de qualidade educacional e segmentação ocupacional, afirma Michael. Os padrões de consumo e moradia também mudaram. A Geração X associava ascensão à estabilidade e ao consumo de bens duráveis. A posse do automóvel, por exemplo, demarcava o status de ascensão econômica dos jovens no período 1997-1999. Entre os Millennials, porém, os eletrodomésticos (geladeira, fogão e máquina de lavar) e a motocicleta são mais representativos do padrão de consumo. Os dados do triênio 2022-2024 indicam que os Millennials de renda mais alta adiam a saída da casa dos pais, ficam mais tempo estudando e retardam a compra do primeiro imóvel. Segundo Michael, essa é uma escolha que reflete a elevação dos custos habitacionais entre os dois períodos e o maior investimento em educação em relação aos jovens de 1997-1999. Por sua vez, os Millennials de baixa renda, que tendem a começar a trabalhar antes, recorrem a formas mais precárias de moradia. A taxa de fecundidade também caiu, principalmente entre os homens brancos – um dado que se inter-relaciona com o adiamento da saída da casa dos pais. O artigo reforça, então, a necessidade de se criar políticas que considerem um cenário de trabalho mais tardio, com menor prevalência de filhos e padrões de consumo menos centrados em bens duráveis tradicionais. Desde a virada do século, as duas gerações testemunharam o surgimento de condições inéditas de inclusão social, como a ampliação do acesso à educação e ao crédito, a formalização do trabalho e a elevação do salário mínimo. Mas as transformações socioeconômicas do Brasil não se traduziram em um mesmo tipo de mobilidade para todos, apontam os pesquisadores do Neri."}]