[{"jcr:title":"Da primeira infância à ciência de dados, pesquisas buscam respostas para grandes desafios do país","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/educação","cq:tags_4":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/saúde"},{"richText":"Programação do segundo dia do Seminário de Pesquisa em Públicas reuniu núcleos e iniciativas do CGPP em discussões sobre desenvolvimento infantil, saúde, sustentabilidade, política e gestão de dados","authorDate":"22/06/2026 11h45","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","title":"Da primeira infância à ciência de dados, pesquisas buscam respostas para grandes desafios do país","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"vermelho / amarelo / preto"},{"themeName":"vermelho / amarelo / preto","backgroundColor":"rgb(229,5,5)"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O segundo dia do Seminário de Pesquisa em Públicas, realizado em 16 de junho, apresentou um panorama da produção de quatro núcleos e uma iniciativa do CGPP ( [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  do Insper). Como ressaltou Sérgio Lazzarini, professor titular da Cátedra Chafi Haddad e vice-presidente acadêmico do Insper, a escola deve ser uma casa aberta para professores, alunos e a sociedade em geral. Nesse contexto, os núcleos e as iniciativas cumprem um papel importante na produção e difusão do conhecimento, ao reunir profissionais de excelência em diversas áreas. Ao longo da programação, os pesquisadores discutiram temas que atravessam alguns dos principais desafios contemporâneos do país, da primeira infância aos efeitos das mudanças climáticas, da sustentabilidade socioambiental à judicialização da saúde, da alocação de emendas parlamentares ao uso de ciência de dados na gestão pública. As apresentações mostraram como a pesquisa aplicada pode contribuir tanto para compreender problemas complexos quanto para orientar decisões mais qualificadas no setor público, no mercado e na sociedade. Reforçando o papel da primeira infância Naercio Menezes Filho, professor titular da Cátedra Ruth Cardoso e coordenador acadêmico do NDPI ( [Núcleo de Desenvolvimento e Primeira Infância](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/ndpi/) ), disse que o objetivo inicial dos pesquisadores era disseminar a importância da primeira infância. Em 2011, quando se formou o embrião do NDPI, a sociedade costumava pensar que, nos primeiros anos de vida, bastava à criança dormir e se alimentar bem. O Estado, portanto, só precisava se preocupar quando a criança entrasse na escola. Mas, na mesma época, já havia evidências científicas mostrando que os seis primeiros anos são decisivos para a formação da criança. Em 2021, o Insper passou a ser sede do CPAPI (Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância), uma frente de pesquisa vinculada à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Segundo Naercio, esse é o primeiro centro interdisciplinar dedicado à primeira infância no Brasil, contribuindo para colocar o tema na agenda política do país. O Marco Legal da Primeira Infância (Lei 13.257/2016), por exemplo, foi gestado em um curso periódico do NDPI que leva pessoal técnico para estudar nos Estados Unidos. Entre os diversos trabalhos do núcleo, Bruno Kawaoka Komatsu, coordenador executivo do NDPI, apresentou os resultados da pesquisa sobre o efeito das mudanças climáticas, com foco nas ondas de calor, sobre o desenvolvimento infantil. Desde 1980 até 2018, aumentou a intensidade das ondas de calor — definidas como períodos de três dias consecutivos nos quais a temperatura fica acima de 35°C — e a quantidade de municípios afetados. Consequentemente, mais crianças e gestantes ficaram expostas a essas mudanças. Em uma das suas observações, a comentarista Andrea Lucchesi, professora da USP (Universidade de São Paulo), sugeriu a utilização do Banco de Dados Climáticos BR-DWGD, que abrange todo o território brasileiro, para melhorar a análise das variações climáticas extremas. Os dados coletados em Ribeirão Preto, em São Paulo, indicam efeitos adversos sobre as habilidades motoras e sobre o comportamento das crianças. Cada dia a mais de onda de calor aumenta a probabilidade de risco de atraso no desenvolvimento em 1,5 ponto percentual. Alterações de comportamento nessa fase podem funcionar como gatilhos para problemas de comportamento na adolescência e na vida adulta, com impacto também na trajetória escolar. De acordo com Bruno, como os bebês são particularmente vulneráveis às ondas de calor, as iniciativas de adaptação climática também devem considerar a primeira infância. Uma plataforma acessível sobre sustentabilidade Em 2026, o  [Insper Metricis](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/metricis)  (Núcleo de Sustentabilidade e Impacto) incorporou a agenda do Núcleo de Sustentabilidade e Negócios da escola, ampliando o seu foco para além da medição de impacto de investimentos em projetos socioambientais. Vinícius Picanço, coordenador acadêmico do Metricis, afirmou que a sinergia dessas duas equipes, agora reunidas, ampliou a escala e as capacidades analítica e metodológica de trabalho, entre outros avanços. A meta é transformar o núcleo em uma plataforma sobre sustentabilidade acessível para todos. Emergência climática, desigualdade e perda de biodiversidade são três frentes de estudo que abrem uma janela de oportunidades para o Insper, acredita Vinícius. O desafio imposto pela questão da sustentabilidade pode ser apoiado por outros dois eixos fortes do Insper: tecnologia e território, tratados pelos diferentes cursos e centros de conhecimento. Vinícius aposta no diálogo com empresas e governos para entender quais são as demandas atuais. Além dos debates proporcionados pela Oficina de Impacto Socioambiental e das publicações de guias, ele lembrou que a sustentabilidade também norteia o programa de pós-graduação  [Insper Earthshot Climate Leadership Program](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/earthshot-climate-leadership-program) , lançado em parceria com o Earthshot Prize, fundado pelo príncipe William, da Grã-Bretanha. Fernanda Kesrouani Lemos, coordenadora executiva do Metricis, apresentou o projeto “Teorizando em Comunidades”, que está sendo planejado para envolver territórios em vulnerabilidade na definição da própria teoria da mudança — uma espécie de mapa conceitual de uma solução para um problema-alvo de política pública ou de um programa ou projeto de impacto socioambiental. Esse conhecimento deverá ser usado na geração da trilha de formação de gestores públicos em cursos do Metricis. Para Fernanda, será uma forma de ensinar os gestores a lidar com os problemas e a enfrentá-los a partir do ponto de vista das comunidades. A pesquisadora e consultora em políticas públicas Mariel Deak, convidada para os comentários, concordou que está na hora de definir os temas a partir do território, como pretende o projeto. Ela disse que é preciso descobrir como conectar as comunidades em vulnerabilidade com as demais instituições da sociedade brasileira, ainda mais em um contexto em que a administração pública não fala necessariamente a “mesma língua” da população e, portanto, não consegue enxergar a dinâmica desses territórios. Na opinião de Mariel, o desafio do projeto será transformar os resultados em instrumentos de gestão que permitam tomar decisões. O desafio das doenças raras O  [Núcleo de Saúde](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-saude)  surgiu com os estudos sobre judicialização do setor e, com o tempo, foi crescendo para desenvolver pesquisas aplicadas em temas fundamentais de saúde pública, além de avaliar o impacto das iniciativas do setor no bem-estar da população. Segundo Isabela Brandão Furtado, coordenadora acadêmica do núcleo, o objetivo estratégico para o período de 2026 a 2030 é tornar-se referência nacional em pesquisa aplicada em saúde, integrando pesquisadores de diferentes áreas do Insper e instituições nacionais e internacionais. Paulo Amaral, também coordenador acadêmico, explicou que o Núcleo de Saúde está integrado às demais áreas do Insper. Nas Engenharias, por exemplo, há disciplinas nas trilhas de inovação, saúde e empreendedorismo e projetos Capstone com hospitais e instituições do setor. As doenças raras são um dos focos de pesquisa. Paulo ressaltou que os custos da medicina moderna são, às vezes, muito elevados para permitir a disseminação de certas tecnologias médicas. Mas as análises do núcleo demonstram que elas podem ter um grande impacto na redução de filas de espera e no processamento de informações sobre doenças raras. Integrante da equipe de pesquisadores do Núcleo de Saúde, Adriano Dutra mostrou alguns resultados do estudo que investigou os impactos da expansão do NASF (Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica, que atuou de 2008 a 2018) no combate às doenças raras infantis, considerando crianças de até 10 anos de idade. Naquele período, o SUS (Sistema Único de Saúde) teve um aumento no número de profissionais de diagnóstico, psicólogos e nutricionistas, mas uma queda no de enfermeiros e auxiliares de enfermagem. Os dados indicam que o NASF não teve efeito nos índices de mortalidade, nem nos de hospitalização geral e de longa duração. Bruno da Cunha de Oliveira, por sua vez, estudou a judicialização do diagnóstico e tratamento de doenças raras, analisando decisões de primeira instância favoráveis ou não à compra de medicamentos e ao acesso a procedimentos especiais. No Brasil, essas anomalias se manifestam em 65 pacientes a cada 100.000 habitantes, uma taxa de baixa prevalência populacional. Além disso, entre 50% e 70% das doenças raras começam a se manifestar na infância e apenas 10% delas têm medicamento específico — e, quando ele existe, costuma ter custo elevado). Nesse cenário, dois terços dos processos judiciais foram contra a saúde suplementar, isto é, o setor privado, e 33,1%, envolviam menores de idade, um resultado esperado porque a maioria das doenças genéticas aparece na infância. A comentarista foi Fernanda de Negri, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Saúde. Ela listou alguns dos desafios no tratamento de doenças raras no Brasil, um país de renda média no qual o orçamento para a saúde pública, integral e universal, é apertado. O Ministério da Saúde gasta quase R$ 28 bilhões por ano na compra de medicamentos, distribuídos pelo SUS. A judicialização referente a doenças raras custa R$ 2,5 bilhões anuais ao ministério, disse Fernanda. Para não interromper o tratamento desses pacientes, o governo realiza ações como a definição mais clara do conceito de doenças raras e de suas especificidades regionais, o investimento em pesquisa genética — que está na base de boa parte dessas doenças — e a prevenção e o diagnóstico precoce. A política por trás das políticas Carlos Melo, coordenador acadêmico do Odap ( [Observatório da Política do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/observatorio-da-politica) ), narrou como a ideia da série de encontros Café com Políticas, lançada em 2024, cresceu a ponto de se tornar uma das iniciativas do CGPP. A intenção é debater a política por trás das políticas. Para Carlos, políticas públicas eficazes dependem da compreensão de quem decide, como decide e por quê. O Odap quer preencher, com rigor acadêmico, a lacuna do debate público associado à pesquisa aplicada com consequências concretas sobre a realidade brasileira. Para causar impacto real, a iniciativa tem três frentes de atuação: Emendas Parlamentares, voltadas à análise do orçamento federal e de seus mecanismos de influência política; Grupo de Estudos Brasil +10, disciplina eletiva do  [Mestrado Profissional em Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas)  do Insper, dedicada à formação da próxima geração de analistas de políticas; e Café com Políticas, que realizou 23 edições de 2024 a 2026 em seis grandes temas: segurança pública, economia, eleições, política internacional, meio ambiente e Supremo Tribunal Federal. A primeira frente, por exemplo, é atendida pelo estudo “The Politics of Multiple Government-Nonprofit Relationships: Evidence from Executive and Legislative Funding in Brazil”, apresentado pelo professor Marcelo Marchesini da Costa. O trabalho relaciona as organizações sem fins lucrativos à destinação de recursos por meio das emendas parlamentares. Entre as conclusões preliminares estão: um número crescente de organizações sem fins lucrativos tem acessado recursos por meio das emendas de deputados e senadores; parlamentares mulheres parecem apoiar mais essas organizações do que os homens; e parlamentares de esquerda e de outros campos ideológicos parecem oferecer mais suporte às áreas de cultura e esportes, respectivamente. Ou seja, gênero e preferência política podem influenciar as escolhas de alocação das emendas parlamentares. As áreas de saúde e educação, entretanto, ainda têm recursos oriundos predominantemente do Executivo. O convidado Bruno Bondarovsky, gestor da Central das Emendas, comentou o trabalho de Marcelo. Ele disse que as conclusões preliminares mostram que as emendas parlamentares se tornaram uma estratégia política para fazer política. Mesmo que diversas auditorias apontem problemas no envio dos recursos do Poder Legislativo, o controle é difícil, segundo Bruno. Somente em emendas impositivas, que o Executivo é obrigado a executar, cada deputado federal tem direito a R$ 40 milhões por ano. O valor sobe para R$ 74 milhões por senador e R$ 415 milhões por bancada estadual. Muito além da análise de dados Encerrando a programação do segundo dia, o  [Núcleo de Ciência de Dados e Decisão](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-ciencias-de-dados-e-decisao)  foi apresentado por seu coordenador acadêmico, Hedibert Lopes. O núcleo busca contribuir para o avanço da pesquisa teórica e prática de métodos estatísticos vinculados a temas da Administração, da Computação, do Direito, da Economia e das Engenharias. De acordo com Hedibert, os pesquisadores não estão interessados apenas em fazer análise de dados, mas sim em gerar conhecimento com estudos de ponta e publicações em periódicos científicos nacionais e internacionais. Nessa direção, o Seminário de Ciência de Dados e Decisão é um dos projetos mais longevos do núcleo. Desde 2018, promove debates com pesquisadores em Estatística, ciência de dados e conhecimentos afins, abertos a professores, estudantes e demais interessados no tema. O núcleo liderou ainda a elaboração e implantação do PADS ( [Programa Avançado em Data Science e Decisão](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/programas-avancados-data-science-e-decisao) ), em atividade no Insper desde 2019. Hedibert destacou duas contribuições do núcleo. A primeira é o trabalho do professor Rinaldo Artes com a população em situação de rua na cidade de São Paulo, acompanhando usuários da rede de acolhimento da prefeitura. A ideia é entender como os números sobre o acesso aos abrigos, cruzados com outras informações da área de assistência social, podem ajudar na tomada de decisões. A segunda contribuição está no projeto financiado pela Fapesp que propõe a criação de um centro de produção de tecnologias para gestão e análise de dados para a PGE-SP (Procuradoria Geral do Estado de São Paulo). Uma das tecnologias de computação desenvolvidas no âmbito dessa parceria com a PGE-SP foi apresentada pelo pesquisador do Insper Henrique Wang, a partir do relatório “Simplificando e agilizando processos decisórios da Procuradoria do Estado”. Usando técnicas de classificação de dados, a equipe está testando modelos que permitem qualificar os milhões de devedores do estado e sugerir acordos conforme valores e negociações anteriores. A ideia é que a inteligência artificial ajude a customizar os editais de cobrança, sempre com supervisão humana."}]