[{"jcr:title":"As cidades como motor de oportunidades ou armadilha da pobreza","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Em palestra no Insper, o economista norte-americano Edward Glaeser analisou o impacto da densidade urbana na mobilidade social e na segregação ","authorDate":"05/08/2024 16h07","author":"Ernesto Yoshida","madeBy":"Por","title":"As cidades como motor de oportunidades ou armadilha da pobreza","variant":"imagecolor"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"targetId":"compartilhar1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"text":"Como organismos complexos, as cidades moldam e são moldadas pelas vidas de seus habitantes. Nelas se desenrola a luta pela ascensão social. Mas até que ponto as metrópoles são verdadeiros motores de oportunidades ou, ao contrário, aprisionam milhões de habitantes em ciclos de pobreza? Essa é a questão que o economista norte-americano Edward Glaeser, um dos maiores especialistas em urbanismo do planeta, busca responder em suas pesquisas.   Em palestra realizada no Insper, em 18 de maio, Glaeser, professor da Universidade Harvard e autor do livro “O Triunfo da Cidade” (BEĨ, 2016, 2ª ed.), apresentou um panorama complexo, no qual os aglomerados urbanos se revelam como espaços de contrastes e desigualdades. Ao analisar a relação entre densidade urbana e mobilidade social, Glaeser apontou que, em alguns casos, as cidades oferecem oportunidades significativas para a ascensão social, enquanto em outros perpetuam a pobreza: “A densidade urbana, por um lado, facilita o aprendizado e a troca de conhecimentos. Por outro, pode gerar efeitos negativos, como a segregação e a concentração de pobreza”, explicou ele. Glaeser mencionou o mundo em desenvolvimento, onde, muitas vezes, as cidades parecem ser armadilhas de pobreza. Ele citou dados compilados pelos pesquisadores Raj Chetty, John Friedman e Nathaniel Hendren, de Harvard, que analisaram a migração dos afro-americanos do sul dos Estados Unidos para cidades do norte, no início do século 20. Apesar dos ganhos no curto prazo, muitos acabaram presos em ciclos de pobreza no longo prazo. Glaeser observou: “Embora as cidades ofereçam promessas de oportunidades, muitas vezes podem se tornar armadilhas insidiosas para os mais vulneráveis”. O professor americano citou também um estudo de Benjamin Marx, Thomas Stoker e Tavneet Suri (“The Economics of Slums in the Developing World”, publicado no Journal of Economic Perspectives), sobre favelas na Ásia. O texto mostra que muitas pessoas permanecem pobres apesar de viverem muitos anos em aglomerados urbanos. Isso sugere que o tempo de permanência na cidade, sem oportunidades de mobilidade social, não resulta necessariamente em melhoria econômica para os moradores.   Exemplo do Brasil Glaeser analisou o caso da favela carioca do Vidigal a partir de um trabalho da antropóloga americana Janice Perlman, autora de “Favela: Quatro décadas de transformações no Rio de Janeiro” (Editora FGV, 2020). Em 1969, Perlman estudou famílias que viviam em favelas e, 30 anos depois, retornou para encontrar as mesmas famílias. Ela descobriu que, apesar das condições adversas, as famílias haviam melhorado em termos de renda e alfabetização. A porcentagem de famílias com energia elétrica, refrigeradores e televisores aumentou de maneira significativa. Além disso, a educação dos filhos e netos dessas pessoas melhorou substancialmente, com muitos obtendo empregos não braçais. “A trajetória de vida dessas famílias no Vidigal mostra que, com o tempo e certas condições, a pobreza pode ser superada”, comentou o economista.   O Brasil, com suas profundas desigualdades sociais, serve como um excelente laboratório para o estudo da relação entre cidades e mobilidade social. Utilizando dados do RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho e Emprego, Glaeser analisou a mobilidade social no país e constatou que as oportunidades de ascensão social variam significativamente entre as diferentes regiões. Essa variação, de acordo com o economista, está relacionada a diversos fatores, como a qualidade da educação, a oferta de empregos e a infraestrutura urbana. O professor sublinhou: “As disparidades regionais no Brasil mostram como a estrutura econômica e social das cidades pode influenciar drasticamente as oportunidades disponíveis para seus habitantes”.  "},{"subtitle":"A interdisciplinaridade está na base desta plataforma para o ensino e a pesquisa sobre o meio urbano","themes_0":"centro-de-conhecimento:","title":"Centro de Estudos das Cidades - Laboratório Arq.Futuro","variant":"image","buttonText":"Confira","buttonLinkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades"},{"text":"  Aprendizado e interação em cidades Glaeser citou um trabalho de Yulu Tang, doutoranda da Universidade Harvard, que testou a ideia de que a densidade urbana facilita o aprendizado entre as pessoas. Ela estudou trabalhadores de Uber Eats em diferentes cidades chinesas e descobriu que aqueles agrupados com colegas de seu distrito de origem tendiam a aprender mais rapidamente e ganhar mais do que os outros. O economista observou: “A densidade das cidades não apenas agrupa pessoas como também facilita um intercâmbio de conhecimentos que pode ser extremamente benéfico.” O professor comentou também a relação entre densidade urbana, segregação e mobilidade social nos Estados Unidos. Ele destacou que cidades maiores oferecem salários mais altos para adultos, contudo, não necessariamente melhores perspectivas para crianças. “Bairros segregados, onde os pobres vivem entre os pobres e os ricos entre os ricos, tendem a ter menos mobilidade social”, apontou Glaeser. “A segregação urbana é um dos maiores obstáculos para a mobilidade social. Ela cria barreiras invisíveis que são difíceis de superar.” A densidade urbana pode trazer tanto benefícios quanto desvantagens, segundo o especialista. Por exemplo, o comércio de drogas e a presença de gangues de criminosas são mais comuns em áreas densas. Por outro lado, a proximidade a recursos e oportunidades de trabalho pode ser um benefício significativo. “A densidade das cidades é uma faca de dois gumes, podendo tanto elevar como aprisionar seus habitantes”, disse Glaeser. O economista concluiu que, para que as cidades funcionem como motores de oportunidades, é essencial que a população possa aproveitar as vantagens oferecidas pela vida urbana. Com políticas e instituições adequadas, as cidades têm o potencial de serem motores poderosos de mobilidade social e econômica. “Se garantirmos que todos tenham acesso às oportunidades, as cidades se tornarão locais onde qualquer um poderá florescer”, finalizou ele."},{"linkIcon1":"icon-insper-fi-rs-document","linkIcon2":"icon-insper-fi-rs-document","linkText1":"Gestão da Mobilidade Urbana: Uma Via para Cidades Inteligentes e Sustentáveis","linkText2":"Cidades Inteligentes: Tecnologia, Transformação Digital e Inovação Urbana","madeBy":"Por","title":"Conheça os nossos cursos","variant":"nobackground","buttonText":"+ conteúdos","linkUrl1":"https://ee.insper.edu.br/cursos/cidades/gestao-da-mobilidade-urbana-uma-via-para-cidades-inteligentes-e-sustentaveis/","linkUrl2":"https://ee.insper.edu.br/cursos/cidades/cidades-inteligentes-tecnologia-transformacao-digital-e-inovacao-urbana/"},{"jcr:title":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"},{"buttonBackgroundColor":"rgb(229,5,5)","themeName":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"}]