[{"jcr:title":"36ª Oficina de Impacto discute negócios regenerativos na Amazônia","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:insper-metrics","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_4":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/empreendedorismo-e-inovacao"},{"richText":"Estudo de casos e reflexões conceituais marcaram o encontro promovido pelo Insper Metricis sobre cadeias produtivas e bioeconomia na região amazônica","authorDate":"05/09/2025 10h00","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:insper-metrics","title":"36ª Oficina de Impacto discute negócios regenerativos na Amazônia","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A  [36ª Oficina de Impacto](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/08/oficina-de-impacto-negocios-regenerativos-na-amazonia.html) , realizada pelo  [Insper Metricis](https://www.insper.edu.br/content/insper-portal/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/metricis.html)  em 26 de agosto, reuniu pesquisadoras para discutir o tema “Cadeias e Negócios Regenerativos na Amazônia”. O evento foi conduzido por Fernanda Kesrouani Lemos, coordenadora executiva do Metricis, e contou com a participação das professoras Rosa Maria Fischer e Graziella Comini, ambas da Faculdade e Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP). A oficina abordou os desafios conceituais e práticos de iniciativas voltadas à bioeconomia e à sustentabilidade, com foco em dois estudos de caso: a Cacauway e a Horta da Terra. Na abertura, Fernanda Lemos destacou a importância de diferenciar o bioma amazônico da chamada Amazônia Legal e ressaltou a complexidade socioambiental da região. “Trabalhar o social num bioma como esse é insuficiente se não contemplarmos a questão ambiental”, afirmou. Ela destacou que a Amazônia abriga um quinto da água doce do mundo e é um dos maiores redutos de biodiversidade global, mas apresenta indicadores sociais abaixo da média nacional. Rosa Maria Fischer e Graziella Comini contextualizaram as pesquisas desenvolvidas no âmbito da rede Social Enterprise Knowledge Network (SEKN), com foco recente em negócios regenerativos. As professoras explicaram que a definição de regeneratividade vai além da sustentabilidade, buscando impacto positivo e contínuo nos aspectos sociais e ambientais. “O foco está no modelo de negócio, ou seja, a geração de valor social e ambiental tem que estar inserida na estrutura da empresa”, afirmou Fischer. Desafios distintos e complementares A primeira experiência apresentada foi a da cooperativa Cacauway, localizada em Medicilândia (PA). A iniciativa surgiu como resposta às condições precárias vividas por migrantes nordestinos na região, que inicialmente tentaram o cultivo de cana em área inadequada. Com o tempo, pequenos produtores se organizaram em cooperativas e investiram no cultivo de cacau, cultura mais adaptada ao solo e ao clima local. Rosa Fischer destacou que “a população já começa a ver uma possibilidade de ter um cacau melhor se houver preservação das nativas florestais”. O processo de valorização do cacau incluiu a transição da venda da semente in natura para a produção de pasta e, posteriormente, de chocolate. A marca Cacauway surgiu desse movimento de verticalização e já conquistou prêmios nacionais e internacionais. “Eles estavam nas mãos de intermediários. Pensaram: por que vender a semente in natura se podemos agregar valor?”, comentou Fischer. Um dos desafios atuais envolve a distribuição dos produtos para mercados fora da região Norte, bem como o fortalecimento da marca. O segundo caso abordado foi o da Horta da Terra, idealizada pelo engenheiro Bruno Kato. Nascido no Pará, Kato retornou à região após atuar em grandes empresas, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento local. Inicialmente voltado para o cultivo de hortaliças, o empreendimento falhou no modelo tradicional de comercialização. A virada veio com a adoção da agricultura sintrópica — sistema de cultivo que imita os processos naturais de regeneração da floresta, promovendo biodiversidade e equilíbrio ecológico — e a produção de alimentos liofilizados — ou seja, desidratados por meio de congelamento seguido de sublimação, processo que preserva nutrientes e propriedades do alimento — a partir de plantas nativas, como o açaí e a ora-pro-nóbis. Kato investiu em pesquisa para garantir que a liofilização mantivesse as propriedades nutracêuticas das plantas e passou a focar o mercado B2B, especialmente no exterior. “Ele criou um modelo dentro de um container para levar essa tecnologia até comunidades produtoras”, explicou Comini. O desafio principal segue sendo a educação do consumidor e a inserção dos produtos em mercados que compreendam e valorizem os diferenciais das chamadas PANCs (plantas alimentícias não convencionais). A discussão sobre os dois casos evidenciou diferentes perspectivas de geração de valor. Enquanto a Cacauway surge de uma organização comunitária com forte foco no social, a Horta da Terra representa um modelo mais empresarial e orientado para inovação de produto e inserção em mercados externos. Segundo Comini, “no caso da Horta da Terra, a dimensão social às vezes fica periférica, enquanto na Cacauway ela é central, mesmo que os produtores não usem a expressão ‘negócio regenerativo’”. Entre os pontos levantados pelas participantes destacou-se a necessidade de “capital paciente” para o desenvolvimento desses modelos de negócio, especialmente na Amazônia, onde os ciclos são mais longos. Rosa Fischer observou que “o papel do pesquisador também é incomodar o empreendedor, mostrar que ele está gerando valor mesmo que não perceba”. Outro desafio apontado foi o de ampliar redes e ecossistemas de apoio para que as iniciativas consigam escalar e enfrentar vazios institucionais. A oficina também abordou a dificuldade de mensuração de impactos sociais e ambientais, e a importância de construir modelos de negócio que integrem a diversidade cultural e territorial da Amazônia. A ideia de redes colaborativas foi destacada como fundamental para o fortalecimento dos empreendimentos e para o avanço da bioeconomia inclusiva na região. Por fim, as pesquisadoras ressaltaram que os casos estudados fazem parte de uma pesquisa mais ampla, com publicação prevista para os próximos meses. A expectativa é que os resultados contribuam para o amadurecimento do conceito de negócio regenerativo e para a formulação de políticas públicas e mecanismos de financiamento mais adequados às realidades amazônicas.  "}]