[{"jcr:title":"O Jurado Número 2: a falsa verdade da justiça","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/alta-gestão","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/administração","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/lideranças-e-pessoas","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios"},{"richText":"A narrativa coloca todos em uma reflexão que pode acabar em conclusões não necessariamente legalmente corretas e morais","authorDate":"17/07/2025 16h46","author":"Malu Trés de Carvalho Abaurre","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","title":"O Jurado Número 2: a falsa verdade da justiça","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"“Bem, as vezes, a verdade não é justiça”. É a partir dessa reflexão que o filme “Jurado número 2” nos leva para um universo tenso, onde a busca pela verdade entra em uma batalha com a consciência moral de Justin Kemp. Durante o filme, adentramos em um cenário de julgamento americano, em que se procura o responsável pela morte de Kendall Carter. O problema se intensifica quando Justin é convocado para servir como jurado no julgamento, e, no desenrolar do processo, ele percebe que pode ter sido o verdadeiro responsável pela morte da vítima, ao lembrar que, na noite do incidente, acreditou ter atropelado um animal enquanto dirigia na chuva. Dessa forma, o personagem se vê preso entre o dever de revelar uma verdade que pode destruir sua vida ou silenciá-la em nome de um veredito justo.   A narrativa lançada pela Max nos conduz por um intenso dilema ético enfrentado pelo protagonista: confessar um crime e enfrentar uma pena de 30 anos de prisão — o que significaria perder o nascimento e o crescimento de seu filho— ou manter o silêncio e conviver com o peso da culpa. Dividido entre o silencio e a confissão, ele precisa tomar uma decisão que mudará para sempre o curso de sua vida.   Entretanto, nesse desafiador cenário ético, Justin Kemp acaba, por mais controverso que pareça, sendo um sortudo na trama. Isso porque o julgamento é conduzido sob a forte influência de um claro viés de confirmação - processo mental baseado em buscar e interpretar informações que confirmem as opiniões de uma pessoa, em detrimento de outras que a questionem ou a refutem - sustentado por diversas lacunas no caso. Esse viés se evidencia em vários momentos, especialmente na postura da promotora, que demonstra convicção absoluta de que o autor do crime é o namorado da vítima — baseando-se unicamente em aspectos do passado dele que sugerem a possibilidade de sua culpa. Em nenhum momento ela se mostra disposta a considerar outras versões da história ou pontos de vista divergentes. Seu objetivo não é buscar a verdade, mas sim garantir uma condenação a qualquer custo, já que o mais importante pra ela é vencer.   Diante desse cenário, tomando como influencia o ponto trazido pela promotora, o julgamento se vê em um caso de janela quebrada, uma teoria que afirma que sinais visíveis de desordem e negligência, incentivam comportamentos criminosos mais graves ao sugerirem ausência de controle e autoridade. Isso porque, ao seguir o viés da promotora e o silêncio de Justin Kemp, a verdade acaba omitida e enfraquecia e os jurados são tentados a acreditar e apoiar a injustiça. Dessa forma, o julgamento se desenvolve sobre uma base frágil e a ideia de justiça é colocada em riso.   Com o passar do julgamento, os telespectadores do filme conseguem observar, cada vez mais, o quão profunda a decisão de Kemp pode se tornar. O protagonista se vê sobre um muro que divide a justiça e o conforto de casa e o amor pela família. O dilema enfrentado pelo real culpado relaciona-se diretamente com o mito do anel de Giges, proposto por Platão, já que apenar Justin possui a informação crucial sobre o crime, mas ninguém sabe disso. Com esse “poder” em mãos, Kemp se vê na tentação de agir sem ser descoberto, ou seja, de manter-se invisível legalmente. A partir daí, a história se transforma em uma reflexão ética sobre responsabilidade e caráter em que o resultado pode não ser o moralmente correto.   O filme é desenvolvido de forma com que o telespectador entra nesse dilema junto com o personagem e perguntas e mais perguntas ecoam tanto na cabeça de quem assiste quanto na de Justin. Qual é o limite para a punição de um erro? O sistema judiciário, frequentemente rígido e injusto, merece ser seguido à risca? Apesar de parecer óbvio, a narrativa coloca todos em uma reflexão que pode acabar em conclusões não necessariamente legalmente corretas e morais. Justin é, ao mesmo tempo, vítima e vilão de sua história, e, contraditoriamente, quanto mais perto ele chega de revelar a verdade, mais longe ele está de confessá-la.   Para concluir, percebe-se que julgamento não acontece apenas no tribunal, mas dentro da cabeça do protagonista, onde verdade, culpa e redenção travam uma batalha silenciosa. “O jurado número 2” consolida-se como uma narrativa tensa, que nos faz sair da sala de cinema com uma pergunta desconfortável na mente: O que você faria se estivesse no lugar do protagonista?  "},{"text":"TODA POLÍTICA. Teoria das janelas quebradas: o que é, como surgiu e o que diz. Disponível em: < [https://www.todapolitica.com/teoria-janelas-quebradas/](https://www.todapolitica.com/teoria-janelas-quebradas/) >. Acesso em: 20 abr. 2025.   PLATÃO. A República. Tradução de Maria Helena da Rocha Pereira. 2. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2007.   EASTWOOD, Clint. Jurado Nº 2. [S.l.]: Warner Bros. Pictures, 2024.   CLÍNICA, R. P. Viés de Confirmação: o que é, como funciona? Disponível em: < [https://www.psicanaliseclinica.com/vies-de-confirmacao-o-que-e-como-funciona/](https://www.psicanaliseclinica.com/vies-de-confirmacao-o-que-e-como-funciona/) >."}]