[{"jcr:title":"Green Mining recebe Prêmio José Eduardo Ermírio de Moraes por inovação em logística reversa","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/empreendedorismo-e-inovacao"},{"richText":"Startup fundada por ex-aluno de MBA do Insper desenvolveu sistema que beneficia catadores e empresas, aliando tecnologia e impacto social","authorDate":"28/11/2024 16h51","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios/empreendedorismo-e-inovacao","title":"Green Mining recebe Prêmio José Eduardo Ermírio de Moraes por inovação em logística reversa","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"jcr:title":"Rodrigo Oliveira, CEO e cofundador da Green Mining","alt":"Rodrigo Oliveira, cofundador e CEO da Green Mining"},{"text":"  A  [Green Mining](https://greenmining.com.br/) , startup que desenvolveu uma tecnologia de logística reversa para recuperar resíduos de forma eficiente, foi reconhecida com o [Prêmio José Eduardo Ermírio de Moraes ](https://www.insper.edu.br/pt/transformacao/premio-jose-eduardo-ermirio-de-moraes) de empreendedorismo na categoria Negócios Brasileiros de Jovens Disruptivos em 2024. A  [premiação](https://www.youtube.com/watch?v=G5YZYd6pRoI) , uma iniciativa do Insper em parceria com a família do empresário José Eduardo Ermírio de Moraes, busca destacar empreendimentos que transformam positivamente a sociedade. A outra vencedora do prêmio, na categoria Novas Soluções Insper (exclusiva para a comunidade Insper), foi a startup ZNIT (retratada  [nesta reportagem](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/gestao-e-negocios/znit-oferece-solucao-inovadora-para-medir-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa.html) ).   Filho de um engenheiro civil especializado em projetos de aterros sanitários, Rodrigo Oliveira, CEO e cofundador da Green Mining, cresceu familiarizado com o setor de resíduos. Após formar-se em Administração na FGV e fazer MBA no Insper, ele identificou dois grandes problemas na área de resíduos: o baixíssimo índice de reciclagem no Brasil e a exploração dos catadores.    “Cerca de 98% do que o Brasil coleta vai para aterros sanitários, enquanto apenas 2% são reciclados. Além disso, era angustiante ver pessoas em condições precárias — idosos, mulheres e crianças — minerando materiais nos aterros para sobreviver”, relata Oliveira. “Esse sistema alimenta um ciclo informal de fornecimento de embalagens com material reciclado às empresas, mas explora trabalhadores sem direitos básicos. Essa realidade me incomodou profundamente e me fez questionar o modelo atual de reciclagem no país.”   Com dois sócios da área de programação — Adriano Ferreira e Leandro Metropolo —, Oliveira fundou a Green Mining em 2018. O objetivo era desenvolver uma solução que utilizasse tecnologia para aumentar a eficiência logística e, ao mesmo tempo, garantisse justiça social. “Nosso modelo começou com a contratação formal de catadores, assegurando todos os direitos trabalhistas, como FGTS, INSS e férias. Assim, estruturamos uma alternativa sustentável que valoriza o trabalho dos catadores, reduz a informalidade e promove uma reciclagem mais eficiente e ética”, afirma.     Para empresas e consumidores   A Green Mining começou a atuar inicialmente no modelo B2B (business-to-business), focando na coleta para Ambev de grandes volumes de resíduos recicláveis em estabelecimentos comerciais, como bares e restaurantes. Esse processo, ativo em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, identifica os pontos que geram maiores quantidades de resíduos e organiza coletas diretamente nesses locais.    Buscando engajar o consumidor final, a startup passou a atuar também no modelo B2C (business-to-consumer), que conta atualmente com dois projetos. O primeiro, chamado Recicle e Ganhe, em parceria com a Danone, utiliza estações automatizadas em unidades do Pão de Açúcar, onde consumidores podem depositar materiais recicláveis e receber descontos. Por meio de um aplicativo, o consumidor recebe um QR Code que identifica a entrega de resíduos, permitindo rastreamento e conversão em pontos para obter descontos em suas compras. O segundo projeto, Estação Preço de Fábrica, em parceria com O Boticário, foca nos catadores, oferecendo remuneração justa pelos materiais coletados. As Estações Preço de Fábrica estão presentes em seis pontos pelo Brasil: na capital paulista (duas estações), em Embu das Artes (SP), Camaçari (BA), Lajeado (TO) e Juiz de Fora (MG).   O impacto da iniciativa é mostrado em tempo real no site da Green Mining: até o último dia 25 de novembro, a startup havia coletado mais de 9,5 milhões de quilos de materiais recicláveis, evitando a emissão de mais de 11,3 milhões de quilos de CO2 na atmosfera. A empresa emprega atualmente 32 catadores com carteira assinada e atende mais de 6 mil catadores autônomos por meio de suas soluções. “O segredo está em como estruturamos o modelo: conseguimos que as indústrias, responsáveis por cumprir a logística reversa, custeiem o processo operacional, incluindo os salários dos funcionários e a logística de transporte”, explica Oliveira. “Somos como um ‘cano de ligação’ entre a indústria e os catadores, para garantir que o valor do material passe diretamente para as mãos dos trabalhadores.”       Metas e planos de internacionalização   A Green Mining tem planos ambiciosos para o futuro. “Nossa meta é ajudar o Brasil a alcançar dois dígitos de reciclagem, chegando a 10%. Embora ainda distante de países como os Estados Unidos (36%), Inglaterra (50%) e França (80%), acreditamos que esse é um objetivo factível e urgente”, afirma Oliveira. No âmbito social, o objetivo da startup é expandir sua rede para 300 estações em todo o país.   Além disso, a Green Mining planeja internacionalizar sua tecnologia. “Nossa solução de pontos de entrega incentivados é mais eficiente, acessível e inovadora do que muitas iniciativas similares fora do Brasil”, afirma Oliveira. A empresa está atualmente em processo de due diligence com um fundo de investimento de impacto para captar recursos e ampliar a escala de suas operações.   O reconhecimento internacional já começou: durante a recente COP29, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas realizada em Baku, no Azerbaijão, o projeto Estação Preço de Fábrica recebeu uma homenagem especial do Pacto Global da ONU na categoria Gestão de Resíduos. A distinção faz parte da estratégia Ambição 2030, que avalia práticas empresariais de alto impacto em áreas como resiliência hídrica, saneamento básico, descarbonização e economia circular. O Pacto Global, maior iniciativa de sustentabilidade corporativa do mundo, com mais de 20 mil participantes em 77 países, reconheceu o pioneirismo da startup brasileira em desenvolver soluções que aliam preservação ambiental e inclusão social.   Oliveira fez o MBA no Insper entre 2008 e 2009. Desse período ele diz guardar memórias marcantes, especialmente de duas aulas: Microeconomia com Otto Nogami, e a eletiva de Teorias de Negociação. “O Otto tem uma habilidade incrível para explicar conceitos complexos de forma simples e clara. Com ele, entendi como os princípios de oferta e demanda influenciam não apenas na economia, mas em várias outras áreas”, recorda. “Já na eletiva aprendi a racionalizar o processo de negociação, entendendo os lados envolvidos, as motivações e o momento de cada interlocutor. São lições que aplico diariamente, tanto no trabalho quanto na vida pessoal.” ."}]