[{"jcr:title":"De São Paulo à Dinamarca, uma trajetória construída com engenharia e curiosidade","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:engenharia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:tecnologia","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni"},{"richText":"Apaixonado por matemática e por blocos de montar desde criança, Felipe Giorgi Vaz Guimarães formou-se em Engenharia Mecânica pelo Insper e construiu um caminho profissional que o levou do laboratório da faculdade ao time de engenharia da LEGO","authorDate":"19/08/2025 17h13","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:engenharia","title":"De São Paulo à Dinamarca, uma trajetória construída com engenharia e curiosidade","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Desde criança, o paulistano Felipe Giorgi Vaz Guimarães tinha um fascínio especial por entender como as coisas funcionam. “Sempre fui apaixonado por matemática”, lembra. “Na escola, era a matéria de que eu mais gostava. E também tinha essa curiosidade de saber como as coisas eram feitas.” Outro ingrediente importante dessa vocação veio dos brinquedos: “Meu pai me apresentou o LEGO quando eu tinha quatro ou cinco anos. Montei LEGO a vida inteira — e continuo montando até hoje”.   Formado em [Engenharia Mecânica](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/graduacao/engenharia/engenharia-mecanica) pelo Insper em 2021, Felipe vive atualmente em Copenhague e trabalha como engenheiro na LEGO, na Dinamarca — país para o qual se mudou em 2022 para cursar mestrado na Universidade Técnica da Dinamarca (DTU). Mas o caminho até o emprego dos sonhos foi repleto de decisões estratégicas, mudanças de planos e momentos marcantes na formação.     Escolha pelo Insper e o gosto pela manufatura   Quando decidiu seguir carreira em engenharia, Felipe buscava um curso que unisse inovação e prática. Seu pai, que trabalhava em banco e admirava o perfil dos alunos do Insper, o influenciou na escolha. “Ele sempre falava muito bem do Insper, dizia que os alunos tinham um perfil mais completo. E quando conheci o campus e os laboratórios, me encantei”, relata.   No início do curso, porém, Felipe viveu um momento de incerteza. Vindo de uma afinidade com números e lógica, ele ainda não tinha clareza sobre qual caminho seguir dentro da engenharia. Curiosamente, foi uma disciplina que acabou ficando em dependência no segundo semestre — Design para Manufatura — que mudou completamente sua perspectiva. “Fiz a DP sozinho, com mais atenção dos professores (Alex Bottene e Gustavo Marcos), e botei realmente a mão na massa. Foi aí que falei: ‘Isso aqui é demais. Vou focar meus estudos em manufatura’.”    Para ele, essa experiência foi transformadora: poder experimentar, errar e corrigir sob a orientação próxima dos docentes fez com que entendesse, na prática, como conceitos técnicos se aplicam a problemas concretos. A partir dali, mergulhou no universo de prototipagem, processos industriais e inovação, assumindo o papel de monitor (“ninja”) nas disciplinas de manufatura e ajudando outros colegas a superar as mesmas dificuldades que ele havia enfrentado. Esse envolvimento não apenas consolidou seu conhecimento, como também lhe deu segurança para encarar desafios maiores no futuro.   Ainda durante a graduação, Felipe planejou fazer intercâmbio, mas a pandemia da covid-19 frustrou a oportunidade. “Acho que não ter ido estudar fora do Brasil manteve esse desejo vivo em mim e na minha namorada”, conta. Já no final da faculdade, começou a pesquisar mestrados na Europa. A escolha pela Dinamarca veio de uma combinação de fatores: um curso específico de manufatura e materiais, a possibilidade de estudar de graça por ter cidadania europeia e o interesse pelo país onde está a sede da LEGO. “Não vim pensando 100% na LEGO, mas sabia que, se tivesse oportunidade, seria incrível trabalhar na empresa”, diz.     Do estágio ao emprego na LEGO   O primeiro passo foi quase casual. Em um evento de carreiras na DTU, Felipe visitou o estande da LEGO e se inscreveu para uma visita à fábrica na cidade de Billund, a 266 quilômetros de Copenhague. “Na volta, no trem, já comecei a me inscrever para estágios. Fiz meio sem expectativas, mas um mês depois me ligaram para a entrevista.”   O estágio de seis meses no time de simulação da LEGO envolvia analisar e otimizar o processo de injeção de plástico das peças. “Nós simulamos a fabricação, identificamos defeitos e sugerimos mudanças no design ou no molde para evitar problemas.” A boa experiência levou Felipe a fazer sua tese de mestrado na DTU também em parceria com a LEGO, desta vez combinando simulação e testes físicos de peças no laboratório.   Pouco depois de concluir o mestrado, surgiu uma vaga no mesmo time em que estagiava na LEGO. Ele foi contratado em maio de 2025 como engenheiro em tempo integral. Hoje, atua na área de operações, trabalhando diretamente com o desenvolvimento e a validação de novas peças.   O trabalho na LEGO envolve muito mais engenharia do que se imagina. “Temos um time só de simulação com 19 pessoas, além de centenas de especialistas em materiais. É muita inovação dentro do mundo dos plásticos”, explica Felipe. As decisões técnicas passam por múltiplas iterações entre os designers e o time de manufatura antes que um molde chegue à produção. A sede e a principal fábrica ficam em Billund, mas Felipe vive em Copenhague, de onde viaja semanalmente para a cidade. “É um modelo híbrido: dois dias de home office e três na fábrica.”     Planos e vínculo com o Brasil   Embora se sinta realizado por trabalhar na LEGO, Felipe, que tem 27 anos, não descarta voltar ao Brasil no futuro. “É difícil dizer. Nossos planos mudam muito rápido, mas sempre temos carinho pelo Brasil, pela família e pelos amigos.”   O que Felipe leva do Insper para o trabalho atual é, segundo ele, muito mais do que o diploma. “A faculdade me deu uma base técnica sólida em manufatura, CAD, simulação e programação, mas também me ensinou a aprender rápido e a não ter medo de resolver problemas novos”, afirma. Ele lembra que, nos laboratórios e projetos práticos, precisou lidar com prazos apertados, trabalhar em equipe com pessoas de perfis diferentes e encontrar soluções criativas para desafios reais de engenharia. “Quando cheguei ao mestrado, já estava acostumado a essa dinâmica intensa. Isso me ajudou a acompanhar o ritmo desde o início e a me adaptar a um ambiente internacional sem me sentir perdido.”   Ao relembrar o caminho percorrido, ele enxerga uma linha contínua entre a curiosidade que sentia ao montar seus primeiros blocos de brinquedo, a formação abrangente que recebeu no Insper e a posição que ocupa hoje. “Se eu não tivesse feito aquela DP no segundo semestre, talvez minha história fosse outra. Foi ali que percebi que queria unir teoria e prática, que tinha prazer em criar e melhorar coisas. Cada projeto, cada hora no laboratório, cada conversa com colegas e professores me preparou para estar aqui. No fim das contas, foi essa soma de experiências que me levou a trabalhar com engenharia, com inovação e, de forma muito especial, com a LEGO que sempre fez parte da minha vida.”"}]