[{"jcr:title":"De São Paulo a Boston, uma trajetória inspirada pela engenharia","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:engenharia","cq:tags_1":"programas:graduacao","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni"},{"richText":"A paulistana Rachel Rehlinger se formou na primeira turma de Engenharia Mecânica do Insper e hoje lidera pesquisas em biotecnologia nos Estados Unidos","authorDate":"17/06/2025 10h05","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:engenharia","title":"De São Paulo a Boston, uma trajetória inspirada pela engenharia","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"“Eu gostava de desmontar as coisas. Montar de novo era mais difícil.” Com essa lembrança da infância, a paulistana Rachel Rehlinger resume o impulso curioso que a levou a escolher a carreira de Engenharia ainda adolescente. Sem referências familiares — o pai publicitário, a mãe corretora de imóveis —, ela encontrou na ciência e na matemática sua linguagem natural. E foi justamente essa inquietação, essa vontade de ver “como tudo funciona por dentro”, que a levou a ingressar, em 2015, na primeira turma de  [Engenharia Mecânica](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/graduacao/engenharia/engenharia-mecanica)  do Insper.   Hoje vivendo em Boston, nos Estados Unidos, Rachel lidera uma equipe de pesquisa em uma startup de biotecnologia chamada Galy. A empresa desenvolve algodão e cacau cultivados em laboratório com foco em sustentabilidade e rastreabilidade. Seu trabalho atual toca em temas de impacto global: escassez de recursos naturais, condições de trabalho na cadeia produtiva, inovação em sistemas biológicos. Tudo isso, segundo ela, tem raízes no que aprendeu durante a graduação.     Escolha ousada, sem insegurança   Na época do vestibular, o curso de Engenharia do Insper era uma aposta ousada: um curso novo, ainda em construção, sem tradição no setor. “Mas quando fui visitar a escola, não tive dúvidas”, diz Rachel. A visita à infraestrutura do campus foi decisiva. “O laboratório do Insper era mais equipado que o de muita indústria no Brasil. E aquilo era só o começo. Estavam construindo ainda mais laboratórios que nós só usaríamos nos anos finais.”   Ela chegou a ser aprovada no vestibular de outras instituições tradicionais, como na primeira fase da Fuvest, mas optou por não concluir o processo seletivo. “Eu queria estar onde a engenharia estava nascendo. Nunca me senti cobaia. Sentia que estava ajudando a construir algo.”   O curso no Insper, segundo Rachel, foi muito além da teoria. “Desde o primeiro semestre, nós colocávamos a mão na massa.” Em vez de se basear exclusivamente em provas, o currículo era voltado a projetos práticos. “Fizemos chopeira, coração artificial, pulmão artificial. Foi divertido e desafiador.” Essa abordagem deixou uma marca profunda: o desenvolvimento da autonomia intelectual.   “O maior aprendizado foi aprender a aprender. Isso me acompanha até hoje. Saber fazer uma boa pesquisa, saber me virar, buscar as fontes certas. E se não há, inventar.”   Durante o curso, Rachel optou por uma trilha eletiva em bioengenharia, o que alimentou um interesse cada vez maior pela área médica. Seu Projeto Final de Engenharia foi feito em parceria com uma startup que desenvolvia equipamentos de fisioterapia com luz infravermelha. O estudo envolvia modelar a penetração da luz no tecido humano para o alívio de dores crônicas. “Fiquei maravilhada. Era o ápice da engenharia médica.”   Essa afinidade com temas de saúde e inovação biotecnológica viria a se consolidar nos anos seguintes. “Sempre tive interesse pela área médica. Mesmo nos momentos em que me afastei da engenharia, esse tema continuou me chamando.”     Carreira: da consultoria à biotecnologia   Logo depois de concluir a graduação, Rachel ingressou na IBM como estagiária e permaneceu lá por três anos, já efetivada na área de consultoria de negócios. Atuou em projetos para os setores automotivo, bancário e de saúde. Embora a atuação fosse mais voltada à gestão do que à engenharia, o raciocínio lógico e a capacidade analítica desenvolvidos no Insper foram diferenciais.   Depois, foi convidada por um ex-colega da IBM para integrar a Galy, onde começou novamente na área de negócios. “Fui fazendo de tudo. Gestão de projetos, contabilidade, desenvolvimento de negócios. Usei muito essa capacidade de aprender rápido e assumir responsabilidades.”   Com o tempo, voltou para o centro do laboratório — literalmente. Hoje, lidera um time que trabalha com biorreatores, desenvolvendo processos para escalar a produção de algodão em ambiente controlado. “É parecido com quem faz cerveja em casa: você começa com um tubo de ensaio e termina com um barril. Nós transformamos algumas células em quilos de algodão.”   O foco da Galy é produzir, em laboratório, insumos como algodão e cacau com menor impacto ambiental. Para se ter uma ideia, a produção de um quilo de algodão requer mais de 10 mil litros de água no método tradicional. A proposta da empresa é economizar recursos, evitar uso de agrotóxicos e garantir uma cadeia de produção ética e rastreável.   “O algodão que produzimos pode ser feito sob medida: fibras mais longas, mais resistentes, ou com textura específica para diferentes tipos de tecidos.” A empresa já atraiu o interesse de gigantes da moda, como Zara e H&M.   E o cacau? “Também é promissor. Com as mudanças climáticas, algumas regiões não conseguirão mais produzir como antes. Nosso modelo oferece uma alternativa viável e mais limpa para o futuro do chocolate.”     Mulheres na engenharia: barreiras e acolhimento   Na primeira turma de Engenharia do Insper, Rachel lembra que era uma entre apenas nove mulheres — de um total de 90 estudantes. Apesar da proporção desigual, não sentiu hostilidade. “Acho que era até o contrário. Por sermos poucas, criava-se um ambiente de cuidado e respeito. Os professores sempre foram acolhedores. Tínhamos também professoras mulheres, como a Joice Miagava, que marcou muito minha trajetória.”   Já no mercado de trabalho, ela reconhece que houve momentos desconfortáveis — especialmente em ambientes com profissionais mais velhos ou culturas menos diversas. “Mas cada vez mais vejo mudanças. A nova geração entende que não cabe mais esse tipo de comportamento.”   Para meninas que estão em dúvida sobre seguir carreira em Engenharia, Rachel deixa um recado direto: “A maior barreira está dentro da nossa cabeça. Achar que precisa provar que merece estar ali, ser a melhor, se cobrar mais que os outros... ninguém está te julgando assim. Todo mundo está preocupado com o próprio caminho. Vá em frente.”     Futuro: bioengenharia, liderança e propósito   Desde novembro de 2024, Rachel vive em Boston, onde está fazendo um MBA em gestão de projetos. Sobre seus planos para o futuro, ela é direta: “Quero ser CEO de uma empresa. Ainda não sei de que área exatamente, mas imagino que será algo próximo à engenharia, talvez na área médica. É o que me move.”   Ela diz que mantém ainda uma conexão afetiva com o Insper, acompanhando as notícias e, quando no Brasil, visitando o campus. “É uma relação que marcou minha vida. O Insper me deu base, confiança e um senso de propósito que levo comigo até hoje.”  "}]