[{"jcr:title":"Sergio Firpo integra lista de cientistas que mais influenciam políticas públicas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"docentes:","cq:tags_3":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas"},{"richText":"Professor do Insper, que prepara lançamento do Observatório da Qualidade do Gasto Público, destaca a importância de avaliações na definição do orçamento público","authorDate":"27/11/2025 11h08","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia","title":"Sergio Firpo integra lista de cientistas que mais influenciam políticas públicas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O economista Sergio Firpo, professor titular do Insper, foi incluído na  [lista](https://www.overton.io/blog/how-brazilian-researchers-are-shaping-public-policy)  dos 107 cientistas brasileiros que mais influenciam decisões de políticas públicas no mundo, segundo levantamento da Agência Bori em parceria com a plataforma internacional Overton. A seleção se baseia em menções a trabalhos acadêmicos em relatórios técnicos, pareceres e documentos utilizados por governos e organizações multilaterais desde 2019. A Overton afirma manter o maior banco de dados de literatura de políticas públicas do mundo. O estudo mapeou pesquisadores brasileiros cujos trabalhos foram citados em pelo menos 150 documentos de políticas — incluindo relatórios de governos, organismos multilaterais e organizações da sociedade civil — publicados nacional e internacionalmente. O objetivo foi identificar quais acadêmicos estão efetivamente influenciando decisões públicas em áreas como saúde, economia, meio ambiente, nutrição e educação. Firpo, que ficou em 22ª posição na lista (1ª entre aqueles que trabalham com ciência social), recebeu a notícia com surpresa. “Nem sabia que existia esse estudo. Fiquei feliz, claro, mas mais surpreso do que qualquer coisa”, comenta. Para ele, a presença na lista reflete uma trajetória acadêmica voltada para avaliação de políticas públicas, e não apenas sua passagem recente pelo governo federal. “Meu trabalho com métodos de avaliação já foi usado em diversos estudos aplicados, e imagino que isso tenha levado a essas citações.” Graduado em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e doutor em Economia pela Universidade da Califórnia, em Berkeley — onde também concluiu mestrado em Estatística —, Firpo construiu uma carreira internacional. Foi professor na University of British Columbia (UBC), no Canadá, entre 2003 e 2006; na PUC-Rio, entre 2004 e 2008; e na Escola de Economia de São Paulo da FGV, entre 2008 e 2015, antes de chegar ao Insper em 2016. No Insper, concentra sua atividade docente na pós-graduação, especialmente no doutorado e no mestrado profissional em políticas públicas. Suas áreas de pesquisa incluem microeconometria, economia do trabalho, desenvolvimento e avaliação de políticas públicas. Em fevereiro de 2023, assumiu o cargo de Secretário Nacional de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas no Ministério do Planejamento e Orçamento, função que exerceu até maio de 2025. No cargo, estruturou processos sistemáticos de avaliação de políticas públicas, com o objetivo de integrar os resultados ao processo decisório. “A experiência no governo foi enriquecedora. Você vê de perto os desafios e também as oportunidades de fazer com que evidências geradas pela academia influenciem o redesenho de políticas públicas”, diz Firpo. A vivência no Executivo ampliou seu foco de atuação. Além de avaliar políticas, passou a dedicar especial atenção à questão do orçamento público. “Não basta saber o que funciona e o que não funciona. É preciso pensar como o orçamento pode refletir essas evidências, para que o gasto público seja mais qualificado.” Iniciativa para qualificar o debate orçamentário Com esse objetivo, ele lidera a criação do Observatório da Qualidade do Gasto Público, nova iniciativa do Centro de Gestão e Políticas Públicas ( [CGPP](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas) ) do Insper cujo lançamento oficial está previsto para janeiro de 2026. A proposta é produzir análises, estudos e metodologias que contribuam para a formulação de políticas públicas mais eficazes e com melhor uso dos recursos públicos. “A ideia é pensar na avaliação como um instrumento para melhorar a alocação orçamentária, e não como um exercício acadêmico isolado.” Para Firpo, o Observatório surge num momento em que o debate fiscal no Brasil se encontra polarizado e empobrecido. “De um lado, há quem defenda o ajuste fiscal como prioridade absoluta. De outro, quem coloca as demandas sociais como prioridade. As duas perspectivas têm seu valor, mas precisamos superar essa falsa oposição. A chave é melhorar a qualidade do gasto público.” O pesquisador acredita que o Observatório pode trazer mais substância ao debate, oferecendo alternativas a medidas simplificadas, como cortes lineares de orçamento. “Cortar 10% de tudo parece simples, mas desconsidera quais políticas funcionam e quais não. Sem evidência, corre-se o risco de reduzir recursos de políticas eficazes e manter programas ineficientes.” Embora considere natural o caminho entre academia e política pública, Firpo observa que as condições para que o trabalho científico alcance formuladores de políticas públicas nem sempre estão postas. “A função do pesquisador não é necessariamente influenciar a política. Mas, se houver um canal para isso, é importante que exista uma estrutura que permita que o conhecimento acumulado possa ser útil.” Com o retorno ao Insper e o lançamento do Observatório, ele pretende continuar trabalhando nesse espaço entre pesquisa e formulação de políticas. “A agenda de avaliação no Brasil avançou muito, mas ainda há espaço para que os resultados de pesquisas sejam levados em conta na alocação dos recursos públicos.”"}]