[{"jcr:title":"O impacto das redes sociais nas escolhas individuais","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Em palestra no Insper, o economista Leonardo Bursztyn mostrou como o uso de plataformas digitais é moldado por pressões sociais mais do que por preferência pessoal","authorDate":"31/10/2025 16h55","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia","title":"O impacto das redes sociais nas escolhas individuais","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O segundo dia da  [Conferência BFI–Insper 2025](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/10/bfi-insper-public-keynote-sessions)  foi marcado por uma palestra do economista brasileiro Leonardo Bursztyn, professor da Universidade de Chicago e fundador do Normal Lab, um centro de pesquisa que investiga como normas sociais e contextos coletivos moldam as escolhas individuais e os grandes fenômenos econômicos, políticos e sociais. Em tom informal e instigante, Bursztyn apresentou dados de suas pesquisas recentes sobre redes sociais, argumentando que plataformas como Instagram e TikTok funcionam como “armadilhas coletivas”: os usuários continuam nelas não por gosto, mas por medo de exclusão social. “57% dos usuários do Instagram disseram que prefeririam viver em um mundo sem a plataforma. Para o TikTok, cerca de 33% afirmaram o mesmo”, revelou. “Imagine se 57% dos donos de geladeiras quisessem que geladeiras não existissem”, comparou, arrancando risos da plateia. A comparação destaca o paradoxo: os mesmos produtos que consumimos intensamente são os que, coletivamente, gostaríamos de ver desaparecer. A explicação, segundo Bursztyn, está no custo social de não participar. “Se todo mundo está no Instagram e você não, você sente que está fora do ciclo social. Mesmo que prefira que a rede não existisse, é menos custoso estar nela do que ficar de fora”, disse. Essa lógica sustenta o conceito de mercados como armadilhas coletivas, tema de um artigo de sua autoria que será publicado na American Economic Review em dezembro. Os dados vêm de experimentos com cerca de mil estudantes universitários nos Estados Unidos. Quando questionados sobre quanto dinheiro precisariam receber para desativar suas contas por quatro semanas, os valores médios foram de US$ 47 para o Instagram e US$ 55 para o TikTok. Mas quando a desativação era coletiva — todos os colegas também deixariam as redes —, os valores caíam drasticamente. Em alguns casos, os participantes estariam dispostos a pagar para que as plataformas fossem desativadas para todos. “Essa inversão mostra que o consumo é motivado mais pelo medo da exclusão do que por prazer direto na plataforma.” Bursztyn também destacou que esse tipo de mercado pode sobreviver mesmo gerando bem-estar negativo. “Não podemos supor que um mercado existe porque seus produtos geram bem-estar. Em contextos de coordenação social, o mercado pode se sustentar mesmo que a maioria dos consumidores derive utilidade negativa do produto.” Como exemplo, ele citou pais que incentivam seus filhos a usar inteligência artificial para estudos, mesmo desconfiando dos efeitos negativos de longo prazo — apenas porque outros pais estão fazendo o mesmo. Pressão social e soluções coletivas A palestra trouxe outro caso emblemático: o chamado green bubble effect, nos Estados Unidos, entre usuários de iPhone e Android. Muitos jovens sentem vergonha de usar Android, pois as mensagens aparecem com bolhas verdes em vez de azuis. “Não é que o iPhone seja melhor. Mas o custo social de parecer um outsider é alto demais. A Apple explora isso estrategicamente”, afirmou. Pesquisas mostram que até usuários de iPhone prefeririam que a distinção fosse removida. Além das descobertas acadêmicas, Bursztyn apresentou soluções práticas inspiradas em suas pesquisas. Uma delas é o aplicativo NOMO (No Missing Out), desenvolvido por sua empresa homônima. A proposta é simples: permitir que grupos de amigos se desconectem juntos das redes sociais, reduzindo o medo de perder algo ou de ficar de fora. Com gamificação e parcerias com escolas, o app já vem sendo testado nos Estados Unidos, com foco especial em adolescentes de 12 a 14 anos — faixa etária que, segundo ele, está prestes a entrar com força nesse ciclo de dependência digital. Durante a sessão de perguntas, Bursztyn também comentou a eficácia da publicidade nas redes. Segundo ele, os jovens mal retêm o conteúdo dos anúncios. “Depois de 10 minutos de TikTok, se você perguntar qual foi o último anúncio que viram, apenas 4% conseguem lembrar. E eles literalmente acabaram de ver um”, ironizou. Com uma apresentação rica em dados, comparações e crítica social, Bursztyn encerrou a Conferência BFI–Insper com uma mensagem: mesmo as escolhas mais individuais estão profundamente ancoradas em dinâmicas coletivas. E repensar essas dinâmicas é essencial para moldar o futuro da economia, da tecnologia e da vida em sociedade.  "}]