[{"jcr:title":"Levantamento avalia as causas da redução histórica da desigualdade de renda no Brasil","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:centro-de-gest-o-e-pol-ticas-p-blicas","cq:tags_3":"formato-de-programa:doutorado","cq:tags_4":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/pesquisa"},{"richText":"Publicado no tradicional Journal of Economic Literature , o trabalho de Sergio Firpo e Alysson Portella revisa a literatura acadêmica disponível sobre o tema","authorDate":"26/03/2026 11h46","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia","title":"Levantamento avalia as causas da redução histórica da desigualdade de renda no Brasil","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Entre 1995 e 2015, o índice de Gini do Brasil saiu de 58 para 48 pontos. Utilizado para quantificar a desigualdade de distribuição de renda, o indicador coloca em números um fenômeno: a redução expressiva da desigualdade de renda no país.  [Alysson Portella](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/politicas-publicas/uma-carreira-na-intersecao-entre-economia-e-politicas-publicas)  cursava graduação em Ciências Econômicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 2013, quando um professor experiente mencionou o fenômeno. “Ele comentava que não esperava ver esse fenômeno em sua geração. O país era tradicionalmente conhecido como campeão mundial de desigualdade de renda, que aumentou a partir dos anos 60 e por três décadas se manteve em um patamar muito alto. A mudança que aconteceu depois foi histórica”, afirma. Posteriormente, já como aluno de  [Doutorado em Economia dos Negócios](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/economia-dos-negocios)  no Insper, em 2016, ele se tornou assistente de pesquisa do professor  [Sergio Firpo](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/sergio-pinheiro-firpo) . A partir do final da década, começou a trabalhar em uma revisão da literatura acadêmica sobre o tema. Produzido por encomenda do Banco Mundial, o trabalho foi  [publicado](https://www.aeaweb.org/articles?id=10.1257/jel.20241697)  em meados de 2025, no tradicional Journal of Economic Literature (JEL), publicado pela primeira vez em 1969, pela American Economic Association, e dedicado a auxiliar economistas a se manterem atualizados com o vasto fluxo de literatura científica. O trabalho publicado no JEL aponta que o Brasil representa um caso de estudo privilegiado para compreender o fenômeno mais amplo da redução da desigualdade em outras partes do mundo em desenvolvimento. “O Brasil representa um ótimo laboratório para pesquisadores que estudam desigualdade de renda em outros locais do mundo. É um país gigantesco, com grande heterogeneidade regional e dados muito bons, datados de algumas décadas. Temos, por exemplo, informações confiáveis sobre todos os empregos formais e informais desde o final dos anos 1980, o que não é comum entre outros países em desenvolvimento que experimentaram fenômeno semelhante”, relata Alysson, que também cursou pós-doutorado no Insper até encerrar sua passagem pela instituição."},{"fileName":"Gráfico_artigo Alysson Portella.png","alt":"Gráfico de desigualdade de renda"},{"text":"Novo ambiente corporativo Com mais de 40 páginas, o artigo apresenta dados sobre a desigualdade de renda salarial e examina pesquisas, publicadas nos periódicos internacionais mais relevantes, que avaliam as possíveis causas de sua redução. Uma das principais é o aumento real do salário-mínimo, cujo poder de compra mais do que dobrou entre 1995 e 2015. “Aproximadamente metade da queda na desigualdade do período é explicada por este fator”, aponta o pesquisador, que menciona também uma limitação: a análise se aplica ao setor formal da economia. “Existem estudos em revisão que apontam que, quando se inclui o setor informal, o impacto foi menor, porque um salário-mínimo maior provocaria um aumento da informalidade.” Outro fenômeno identificado no estudo foi a diminuição do prêmio por experiência — ou seja, a desigualdade entre a renda em início de carreira, na comparação com os ganhos dos profissionais mais velhos. “As causas para esta mudança não são bem conhecidas. Uma função da revisão de literatura é precisamente apontar lacunas de conhecimento.” Outro fator identificado pelos autores foi o aumento da escolaridade. “Cresceu a proporção de pessoas com ensino superior, completo ou incompleto, dentro das empresas, o que ajudou a reduzir e desigualdade entre rendas”, descreve o pesquisador. Neste ponto, pesquisas recentes apresentam um grau de nuance. “Elas apontam que o aumento da oferta de trabalhadores da alta escolaridade é uma faca de dois gumes, porque a dispersão salarial é maior entre as pessoas com formação superior.” Fenômenos macroeconômicos O trabalho também identifica estudos que apontam para o aumento da diversidade e diminuição da discriminação no mercado de trabalho, outro fator capaz de reduzir desigualdades. Para Alysson, o aumento da competição na economia nacional, provocada pela abertura comercial, impulsionou em parte esta mudança. “A margem para discriminar trabalhadores cai quando se aumenta a competição com empresas estrangeiras.” A maior participação das mulheres no mercado de trabalho, devido a mudanças nas normais sociais e potencializada pela redução no número de filhos, também contribuiu para reduzir as desigualdades no mercado de trabalho, segundo Alysson. Quanto à abertura comercial, “ela não afetou todo trabalhador da mesma forma, mas ajudou a reduzir a desigualdade no geral”, diz o pesquisador, que também aponta o boom das comodities e as mudanças tecnológicas como fatores relevantes. “Para todos os aspectos analisados, há nuances e possíveis outras interpretações. Mas o levantamento apoia os pesquisadores dedicados a entender a redução da desigualdade em outros países, especialmente aqueles onde não há dados tão qualificados quando no Brasil”, finaliza Alysson.  "}]