[{"jcr:title":"Como prever grandes quedas no mercado usando apenas os preços de opções","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:economia/mercado-financeiro","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Ian Martin, professor da London School of Economics, explicou no Encontro Brasileiro de Finanças como derivar, em tempo real, limites para o risco de crash a partir das opções negociadas no mercado","authorDate":"04/08/2025 10h15","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia/mercado-financeiro","title":"Como prever grandes quedas no mercado usando apenas os preços de opções","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"No segundo dia do  [25º Encontro Brasileiro de Finanças](https://doity.com.br/25ebfin) , realizado no Insper entre 24 e 26 de julho, o professor  [Ian Martin](https://www.lse.ac.uk/finance/people/faculty/Martin) , da London School of Economics, apresentou uma pesquisa que busca responder a uma pergunta central para investidores e reguladores: é possível medir o risco de quedas bruscas na bolsa apenas olhando para os preços das opções?   “Os preços das opções são como janelas para a mente coletiva do mercado. Eles mostram não só o que as pessoas esperam, mas também do que têm medo”, explicou Martin logo no início. “Não estamos tentando prever o dia exato do próximo crash. O que queremos saber é: agora, qual é a chance de uma grande queda?”   Ele lembrou que medidas derivadas dos preços de mercado já são usadas para prever juros, inflação e volatilidade, justamente porque refletem em tempo real as expectativas coletivas. “O mercado reage na hora. Quando chega uma crise, os modelos históricos ficam cegos — mas as opções se mexem imediatamente”, disse.   O professor deu ainda um exemplo simples: algumas notícias chegam aos poucos, mas outras vêm em choques, como um gol em um jogo ou uma notícia inesperada. “O preço das opções captura esses choques instantaneamente. É isso que as torna tão poderosas.”     A solução: limites superiores e inferiores   A partir de um resultado clássico que permite inferir distribuições de preços futuros a partir das opções, Martin e o coautor Ran Shi, da Universidade do Colorado, criaram um método que gera duas referências: um limite superior e um limite inferior para a probabilidade de um crash.   A chave está em uma hipótese simples: imaginar um investidor típico, avesso ao risco, que mantém uma posição passiva no mercado e não reage de forma histérica a cada notícia. Com essa hipótese, os autores conseguem ajustar as probabilidades implícitas, filtrando o “exagero” natural do mercado.   “O nosso indicador favorito é o limite inferior”, explicou Martin. “Ele retira parte do pânico do mercado e dá uma medida mais estável e confiável do risco de uma queda grande — mesmo em momentos de tensão, como em 2008 ou na pandemia.”   Aplicando a técnica aos preços de opções de empresas do S&P 500, os pesquisadores calcularam a chance de quedas de 10%, 20% e 30% em prazos de um mês a um ano. Os resultados foram claros: A banda inferior antecipa melhor os crashes do que medidas tradicionais. Mesmo em crises severas, o método manteve desempenho estável. Modelos sofisticados, incluindo os que usam inteligência artificial, ficaram para trás.     Setores mais vulneráveis e sinais de alerta   A análise também revelou padrões por setor: tecnologia foi a mais arriscada após a bolha “.com”, bancos na crise subprime e turismo e transportes durante a pandemia.   Além dos setores, o estudo identificou características que aumentam a vulnerabilidade de uma empresa: ações muito baratas (“penny stocks”), volatilidade alta, interesse elevado em posições vendidas e retornos fracos são sinais de alerta que aparecem na medida de risco.   “É como um termômetro do medo do mercado, funcionando em tempo real”, resumiu Martin. E concluiu: “Às vezes, uma estrutura teórica simples é mais útil do que um modelo hipercomplexo. O importante é usar bem a informação que já está nos preços”.   [ Confira aqui a palestra de Ian Martin e outros trabalhos apresentados no segundo dia do 25º Encontro Brasileiro de Finanças. ](https://www.youtube.com/live/cqQJAkCDGF4)  "}]