[{"jcr:title":"Pesquisa do PIBIC avalia a autonomia do Comitê de Supervisão da Meta","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:direito","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/programa-de-bolsas"},{"richText":"A aluna Ruth Gaudêncio da Silva, do curso de Direito, utilizou técnicas de Processamento de Linguagem Natural para classificar os comentários e analisar seu impacto sobre as decisões do órgão","authorDate":"16/04/2026 13h47","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:pesquisa-na-graduação","title":"Pesquisa do PIBIC avalia a autonomia do Comitê de Supervisão da Meta","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Em 2018, o CEO do Facebook (hoje Meta), Mark Zuckerberg, anunciou a criação de uma nova área dentro da empresa, o  [Comitê de Supervisão](https://transparency.meta.com/oversight/overview/) , que começaria a atuar no final de 2020. Seu papel, de acordo com a página oficial da companhia, é “ajudar a responder a algumas das perguntas mais difíceis sobre o tema da liberdade de expressão online: o que remover, o que permitir e por quê”. O órgão tem estatuto próprio, regulamentos internos e se propõe a atuar de forma independente. Os casos são selecionados pelos membros do conselho após os usuários esgotarem o processo de apelação da Meta, seja em relação a conteúdo próprio ou a conteúdo que tenha sido denunciado. A própria empresa também encaminha situações para análise. “As pessoas podem fazer apelações caso discordem das decisões de monitoramento de conteúdo da Meta no Facebook, no Instagram ou no Threads. Comprometemo-nos a implementar as decisões do comitê sobre conteúdo, e suas recomendações ajudarão a determinar como lidaremos com as nossas políticas”, informa a empresa. Mas, na prática, a participação do público, expressa por meio de comentários, converge com as decisões finais do conselho?  O projeto de pesquisa desenvolvido pela aluna de Direito  [Ruth Gaudêncio da Silva](https://www.linkedin.com/in/ruth-gaudencio/)  se propôs a responder a esta pergunta. O  [trabalho](https://repositorio-api.insper.edu.br/server/api/core/bitstreams/dccc375a-3d73-474f-a0d9-23825cb317f7/content)  “Comportamento Judicial e o Facebook Oversight Board: O papel dos comentários públicos” foi produzido no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Cientifica ( [PIBIC](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/pesquisa-na-graduacao/pibic) ) e constatou, como indica o relatório final, que “a participação pública é altamente concentrada em poucos casos de grande repercussão, enquanto a maioria recebe baixo engajamento, o que limita a representatividade da sociedade civil no processo”. Por outro lado, o estudo também atestou que a correlação entre o posicionamento dos comentários públicos e as decisões finais do conselho é limitada, o que sugere certo grau de autonomia nas deliberações.  Projeto de longo prazo “Se uma postagem é interpretada como ofensiva, ela é excluída, automaticamente ou após uma denúncia. Mas o autor da mensagem pode recorrer internamente. É uma forma de a Meta reduzir a judicialização envolvendo o uso de suas plataformas”, diz a aluna. “Há casos em que um post sobre câncer de mama é retirado sob a alegação de expor o corpo humano, ou situações em que uma determinada palavra, num contexto local, tem um significado diferente do interpretado pelos autores de uma denúncia”, exemplifica. O comitê atua, nestes casos, como uma instituição de última instância. O trabalho da aluna faz parte de um contexto mais amplo, como explica o orientador, o professor associado  [Ivar Hartmann](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/ivar-alberto-glasherster-martins-lange-hartmann) . “O projeto dela se inseriu em um arco maior de pesquisa sobre o Oversight Board envolvendo diferentes pessoas. Isso permitiu também à Ruth pensar sobre questões de compartimentalização e sobre a relação entre etapas e elementos de uma mesma pesquisa”.  O objetivo principal, a construção de uma grande base de dados sobre todos os casos julgados pelo Oversight Board, contendo dezenas de variáveis sobre cada caso, foi alcançado e vai apoiar novas pesquisas, informa ele. “O projeto é importante para a compreensão das alternativas para a moderação de conteúdo on-line em redes sociais atualmente. Ele continua, com outros dois alunos de graduação realizando uma etapa diferente da pesquisa”. A metodologia empregada por Ruth se apoiou em uma abordagem mista, combinando análise manual inicial para definir os parâmetros de classificação, e posteriormente, técnicas de Processamento de Linguagem Natural (PLN), com a aplicação de Large Language Models (LLMs) implementados em Python e da ferramenta ChatGPT. “A análise automatizada visa classificar e analisar o conteúdo dos comentários, permitindo a identificação de padrões entre eles. Os resultados indicaram uma taxa de concordância entre a classificação automatizada e a manual de 90%, demonstrando o potencial da utilização de LLMs para compreender, posteriormente, a influência da participação pública nas decisões do Oversight Board”, aponta o relatório da pesquisa.  Neste caso, ter cursado programação no curso de Direito se mostrou fundamental, diz a aluna. “Eu já tinha os conhecimentos básicos para começar. E também passei pelo  [Insper Data](https://linktr.ee/insperdata) , uma experiência que me ajudou neste momento”, relata, fazendo referência à organização estudantil que busca aplicar ciência e engenharia de dados a problemas reais.   Desmistificando a iniciação científica O professor Ivar aponta os benefícios de desenvolver projetos de iniciação científica na graduação. “Primeiro, o contato em primeira mão com o planejamento, a execução e o relato de estudos com rigor científico. Segundo, o treinamento de habilidades relacionadas à pesquisa, mas também necessárias em qualquer carreira, como a análise de dados, o raciocínio crítico e a tomada de decisão em situações inesperadas. Terceiro, a oportunidade de criar contatos e consolidar relacionamentos com docentes e discentes para além da sua turma de graduação. Quarto, compreender o processo de produção de conhecimento científico, o que é crucial para consumir notícias no mundo de hoje.” Ruth, que atualmente está no oitavo semestre do curso, é  [bolsista integral](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/acontece-no-insper/pais-que-fazem-a-diferenca-o-sacrificio-que-vira-oportunidade)  e no início de 2025  [participou](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/gestao-e-negocios/encontro-celebra-a-parceria-entre-o-insper-e-a-universidade-de-st-gallen)  do Digital Policy Leadership Program, na Universidade de St. Gallen, na Suíça, relata que observou esses benefícios. “É uma oportunidade muito boa. Mas, no começo da graduação eu ficava em dúvida. Entrei no curso focada no mercado de trabalho, preocupada com atividades que me ajudassem a estagiar mais rápido. Tinha a impressão de que a pesquisa era para quem quer carreira acadêmica, exclusivamente.” Ao iniciar o projeto, ela percebeu, na prática, o impacto positivo da experiência sobre sua trajetória. “O projeto me deu autonomia e tempo para trabalhar. É muito diferente dos trabalhos de sala de aula, que costumam ser mais direcionados pelos professores. No PIBIC, vamos explorando enquanto desenvolvemos o tema. Além disso, trabalhar com pesquisa abre portas para cursar mestrado e doutorado, que são importantes para quem segue carreira profissional, e não necessariamente acadêmica, no Direito.”"}]