[{"jcr:title":"Eduardo Jordão chega ao Insper com foco em regulação e ensino participativo","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:direito","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"docentes:"},{"richText":"Novo senior research fellow de Direito Público reúne trajetória internacional e ampla produção acadêmica","authorDate":"11/08/2026 09h19","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:direito","title":"Eduardo Jordão chega ao Insper com foco em regulação e ensino participativo","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Recém-contratado pelo Insper como professor  senior research fellow  de Direito Público,  [Eduardo Jordão](https://www.insper.edu.br/pt/docentes/eduardo-ferreira-jordao)  chega à instituição interessado em aprofundar suas pesquisas sobre regulação e agências reguladoras e em contribuir para a consolidação da escola de  [Direito](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/graduacao/direito) , cuja primeira turma concluiu a graduação no fim de 2025. “Estou muito animado com este início no Insper. Um dos meus grandes interesses é participar de uma escola ainda em formação e poder influenciar os rumos que ela vai tomar”, diz. Ao longo da carreira, Jordão publicou 14 livros, mais de 50 artigos científicos e mais de 100 textos em jornais, revistas e sites especializados. Sua produção acadêmica se organiza, segundo ele, em torno de duas grandes linhas. A primeira, que ocupou a maior parte de sua carreira até aqui, é dedicada ao controle da administração pública: como juízes, tribunais de contas e demais controladores fiscalizam a atuação do Estado. Nessa frente, Jordão desenvolveu uma leitura crítica do que chama de visão “romântica” do controlador — a ideia de que ampliar os poderes dos órgãos de controle é sempre uma forma segura de combater erros e corrupção. Sua crítica não se dirige à existência do controle, mas à idealização de seus agentes e à suposição de que a intervenção do controlador sempre será para melhor. Essa é a proposta da coletânea Estudos Antirromânticos sobre o Controle da Administração Pública (Editora JusPodivm, 2025), atualmente na terceira edição, e também de seu livro mais recente, Quem Controla o Controlador (Editora JusPodivm, 2026), no qual ele e outros autores discutem a falta de controle efetivo sobre as contas do próprio Tribunal de Contas da União. A segunda linha, à qual tem se dedicado com mais intensidade nos últimos anos, trata da regulação e das agências reguladoras brasileiras, criadas principalmente nos anos 1990 e no início dos anos 2000 para atuar em setores como telecomunicações, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. “O modelo de Estado Regulador não foi implementado no Brasil tal como se imaginava lá atrás. Muitas das minhas publicações recentes tratam disso: da instituição agência reguladora e da própria teoria da regulação”, explica. No Insper, Jordão apresentou a proposta, ainda em análise, de lecionar uma disciplina de teoria da regulação para o  [Mestrado Profissional em Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas) , ainda neste segundo semestre de 2026. Posteriormente, ele deve atuar também na graduação e na pós-graduação lato sensu. Ensino participativo Jordão defende um modelo de aula baseado na discussão, em contraposição à exposição tradicional do professor. Ele teve os primeiros contatos com esse método durante o LL.M. na London School of Economics (LSE), mas foi sobretudo na Universidade Yale que o ensino participativo marcou sua maneira de pensar a vida acadêmica. “A aula expositiva não é muito superior ao conhecimento que o aluno obteria sozinho, em casa, com um livro. Faz mais sentido guardar a sala de aula para algo que só possa ser feito ali”, afirma. Nesse modelo, os estudantes fazem leituras prévias e chegam à aula preparados para debater. Cabe ao professor selecionar textos provocativos, formular perguntas e conduzir a discussão, de modo que diferentes interpretações, experiências e formas de argumentação contribuam para o aprendizado. Jordão diz nunca ter lecionado no formato expositivo tradicional. Para incentivar outros professores a adotar metodologias participativas, ajudou a criar, com três colegas, a  [Auloteca](https://www.auloteca.com.br/) , plataforma que disponibiliza gratuitamente cerca de cem roteiros de aulas de Direito Administrativo elaborados por mais de cem docentes. Também participou da criação do Prêmio Jovem Publicista, que seleciona trabalhos de jovens pesquisadores de programas de mestrado e doutorado para publicação como livro. No Instagram, mantém o perfil  [@instantededireitoadm](https://www.instagram.com/instantededireitoadm/) , dedicado a novidades da área e acompanhado por cerca de 10 mil seguidores. Do futebol ao Direito Público Nascido no Recife, Jordão foi criado em Salvador, onde viveu até os 23 anos. Não havia tradição jurídica na família: os parentes próximos eram, em sua maioria, engenheiros, e o próprio Jordão chegou a vencer uma olimpíada de matemática do Estado da Bahia aos 15 anos. Seu interesse pelo Direito surgiu de outras afinidades: o gosto pela leitura, pela discussão, pela argumentação e, sobretudo, pela escrita e pela publicação de textos. Aos 15 anos, criou com um amigo do Paraná, que havia conhecido pela internet, o FutBrasil.com. O site chegou a reunir mais de 20 pessoas e cerca de 150 perfis de jogadores, além de notícias, quizzes e entrevistas com atletas da seleção brasileira. O projeto se tornou parte importante de sua adolescência e chegou a gerar alguma receita, mas foi encerrado no início dos anos 2000, depois que a explosão da bolha da internet reduziu os investimentos no setor e deixou o site com uma estrutura de custos difícil de sustentar. Foi também nessa época que Jordão cogitou cursar Jornalismo em São Paulo. Seu pai, porém, considerou que ele ainda era muito jovem para morar sozinho em outra cidade. Como não queria fazer o curso em Salvador, acabou optando pelo Direito. O interesse pela atividade jornalística, segundo ele, permaneceu presente em sua produção acadêmica. “Gosto muito de escrever e de publicar. Acho que essa é uma das coisas de que eu mais gostava no jornalismo e que transferi para o Direito.” Jordão formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia em 2004 e, no ano seguinte, mudou-se para São Paulo para cursar o mestrado em Direito Econômico na Universidade de São Paulo. Trajetória internacional Depois de um ano e meio em São Paulo, Jordão deixou o Brasil e passou sete anos no exterior. Viveu um ano em Londres, onde cursou o LL.M. na London School of Economics; dois anos em Paris e um em Roma, durante o doutorado em cotutela entre a Universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne e a Universidade Sapienza de Roma; um ano em Yale, como pesquisador visitante; e outros dois na Alemanha, como bolsista dos Institutos Max Planck de Heidelberg e Hamburgo. Sua tese, dedicada ao controle judicial de uma administração pública complexa, recebeu, em 2015, o Prêmio Lévy-Ullmann, concedido pela Chancelaria das Universidades de Paris, e foi finalista do Prêmio Jabuti em 2017. Mais tarde, já como professor, realizou pesquisas de pós-doutorado na Harvard Law School e no MIT, na área de Economia. Foi em Yale, segundo Jordão, que sua relação com a vida acadêmica se consolidou. Além do contato com o ensino participativo, ele se identificou com um ambiente marcado pela proximidade entre professores e alunos, pela interdisciplinaridade e pela possibilidade de diálogo menos formal. Também foi importante a convivência com Diego Werneck Arguelhes, hoje professor associado e diretor da Unidade Acadêmica de Direito do Insper. Arguelhes o incentivou a considerar a carreira acadêmica no Brasil, quando Jordão ainda imaginava que voltaria ao país para se dedicar prioritariamente à advocacia. Da FGV ao Insper De volta ao Brasil, Jordão optou pela carreira acadêmica e ingressou, em 2013, como professor em tempo integral na FGV Direito Rio. Permaneceu nesse regime durante seis anos. Nesse período, ele e outros professores da escola participaram de projetos em parceria com jornais para comentar regularmente decisões e julgamentos de repercussão nacional. A experiência, segundo Jordão, permitia que os pesquisadores participassem de alguns dos principais debates jurídicos e políticos do país. Em 2019, uma mudança na vida familiar levou Jordão a se estabelecer em São Paulo. Sua mulher, Tarcila Reis Jordão, assumiu naquele ano um cargo no governo paulista, primeiro como subsecretária e depois como secretária de Projetos e Ações Estratégicas, com atuação em concessões e parcerias público-privadas. Jordão deixou então o regime de dedicação integral, retomou a advocacia e passou a dividir a semana entre São Paulo e o Rio de Janeiro, onde continuou dando aulas na FGV até 2026. Também manteve o escritório Portugal Ribeiro & Jordão, especializado em concessões e parcerias público-privadas. Neste ano, encerrou esse ciclo: deixou a FGV e o escritório próprio para se juntar ao Insper e ingressou como sócio no escritório Pereira Neto | Macedo | Rocco. “Fico agora definitivamente em São Paulo, sem precisar ir ao Rio todas as semanas, e venho para o Insper de forma definitiva”, resume. Ao falar sobre a chegada ao Insper, Jordão compara o momento atual ao vivido pelas faculdades de Direito da FGV em São Paulo e no Rio de Janeiro no início dos anos 2000. Naquela época, quando chegou à capital paulista para cursar o mestrado, acompanhou como espectador a formação de escolas que introduziam novas propostas de ensino e pesquisa jurídica. “Tenho a sensação de que posso participar agora de um segundo momento parecido, com a criação da escola de Direito do Insper. Acho que ela tem potencial para se tornar uma das melhores do Brasil, e quero participar dessa construção”, diz. “Estou em um momento bem feliz da minha vida. Quero que as coisas continuem: seguir publicando, seguir trabalhando e participar desses movimentos — principalmente o do Insper”, conclui.  "}]