[{"jcr:title":"Um conselho para impulsionar a adaptação das cidades às mudanças climáticas","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"O embaixador André Corrêa do Lago anunciou a criação de um grupo de discussão com a sociedade civil e as autoridades locais no evento Cidade +2°C, realizado no Insper","authorDate":"12/08/2025 10h29","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Um conselho para impulsionar a adaptação das cidades às mudanças climáticas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"amarelo / preto / vermelho"},{"themeName":"amarelo / preto / vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O anúncio da criação de um conselho de personalidades brasileiras para discutir, com a sociedade civil e as autoridades locais, soluções de adaptação às mudanças climáticas marcou a conferência de abertura do evento Cidade +2°C: adaptação urbana, risco climático e financiamento em um mundo em aquecimento. A novidade foi apresentada pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), no  [encontro](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/08/cidade-2c-adaptacao-urbana-risco-climatico-e-financiamento-em-um-mundo-em-aquecimento)  promovido pelo [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) do Insper no dia 5 de agosto (confira aqui o  [vídeo](https://www.youtube.com/live/h64smLB5GPM)  na íntegra).   Corrêa do Lago, que participou do evento remotamente, reforçou um pensamento que permeou a programação: a mudança do clima é uma oportunidade para repensar certas infraestruturas que foram projetadas e construídas num contexto de desconhecimento da intensidade e da frequência dos fenômenos extremos. A melhor maneira de adaptar as cidades é incorporar os efeitos da mudança de clima no planejamento e no desenvolvimento urbano. Essa é uma das linhas seguidas pela COP30. “Hoje, temos informação e capacidade de modelagem que nos permitem prever o que realmente é necessário na infraestrutura da cidade”, disse o embaixador.   Embora a negociação seja um movimento essencial nas COPs, os membros orientam-se por uma agenda de ação, feita com base em iniciativas independentes tomadas pelos países. Para monitorar o Objetivo Global de Adaptação (GGA, em inglês) será lançada uma lista de 100 indicadores — alguns deles relacionados a sistemas urbanos. No balanço geral do Acordo de Paris, que vai completar 10 anos em dezembro, há uma série de questões sobre as quais os países já mostraram que estão de acordo, como duplicar a eficiência energética do mundo, triplicar as fontes renováveis e acabar com o desmatamento até 2030.   Instigado por uma pergunta do público, Corrêa do Lago reconheceu que é difícil obter consenso entre duas centenas de países, afinal a mudança do clima passou a ser uma discussão de desenvolvimento econômico e social e cada estado tem seus interesses particulares. Por isso, destacou a importância da agenda de ação: “Se já foi acordado que temos que nos afastar dos combustíveis fósseis ou avançar em temas como cidades, vamos mostrar que é factível e vamos procurar pelos recursos humanos, financeiros e tecnológicos, para que a maior parte dos países possa fazer isso. Você não precisa de consenso para a ação”.   Os seis grupos de debates da COP30 contemplarão discussões relevantes aos gestores urbanos, baseadas na agenda de ação. São eles: construção da resiliência nas cidades, infraestrutura e água; promoção do desenvolvimento humano e social; transição do setor de energia, indústria e transporte; gestão sustentável de florestas, oceanos e biodiversidade; transformação de agricultura e sistemas alimentares; e temas transversais (financiamento, tecnologia e capacitação).   No total, são 30 prioridades, algumas delas relativas à área de cidades, como governança multinível essencial; construções e edificações sustentáveis e resilientes; arquitetura, desenvolvimento urbano, mobilidade e infraestrutura resilientes; gestão de água e gestão de resíduos sólidos; cultura, patrimônio cultural e ação climática; e capacitação e educação. Além disso, a COP30 nomeou 22 enviados especiais, encarregados de temas essenciais. O ex-diplomata Philip Yang, fundador do Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole (Urbem), responde por soluções urbanas.     Soluções que vêm da cidade   Para Corrêa do Lago, os problemas das cidades não podem ser esquecidos por uma conferência realizada na Amazônia, onde 75% da população de 15,8 milhões de pessoas vive em municípios com mais de 30.000 habitantes. “As soluções para a Amazônia, em grande parte, vêm das cidades”, afirmou ele. “O Brasil é um país que consegue ter os desafios da riqueza e os desafios da pobreza. Vários países envolvidos na COP têm soluções magníficas, mas não têm os mesmos desafios da maioria da população mundial. Lembrando que 80% dos países membros das Nações Unidas são mais pobres que o Brasil.”   Respondendo à pergunta de Tomas Alvim, coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades do Insper, o embaixador equiparou a dimensão do território do bioma Amazônia ao da Índia, com 1,4 bilhão de habitantes. Diante de populações menores em territórios de tamanhos similares, não há como o Brasil justificar a falta de avanço nas questões urbanas, comentou Corrêa do Lago.   O presidente da COP30 falou sobre a preocupação de que as decisões sobre os temas tratados na conferência sejam comunicadas com clareza às pessoas, em questão levantada por Eliana Sousa Silva, coordenadora da Pós-Graduação em Urbanismo Social e da Iniciativa Mulheres e Territórios do Laboratório Arq.Futuro do Insper. “Uma das três prioridades da COP30 é ser capaz de explicar que estão sendo tomadas decisões que terão um impacto imenso na vida das pessoas”, disse ele.   Segundo Corrêa do Lago, os chineses explicam que baixaram o preço dos painéis solares fotovoltaicos e estão produzindo carros elétricos em massa porque seguiram os resultados das negociações de mudança do clima das COPs anteriores. “Seria um resultado maravilhoso da COP30 que os vários setores no Brasil se dessem conta da quantidade de oportunidades que esses acordos estão criando”, afirmou. Uma sugestão é que todos os projetos de melhoria e reforma das cidades já considerem o efeito dos eventos climáticos extremos.   Hannah Arcuschin Machado, coordenadora-adjunta e pesquisadora principal do programa Cidades +2°C, do Centro de Estudos das Cidades, apresentou o dado de que, globalmente, metade dos recursos que vão para projetos de adaptação não cumpre os seus objetivos. Corrêa do Lago destacou, então, a importância de que sejam desenvolvidos guias de boas práticas de adaptação. O gargalo, no entanto, está na falta de financiamento para a implementação. Conforme o embaixador, sem recursos países em desenvolvimento não conseguem se preparar e responder à mudança do clima. Estima-se que, para adaptação, seria necessário o repasse de pelo menos 1,3 trilhão de dólares por ano dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento.   O público quis saber como a presidência brasileira na conferência climática pode contribuir para acelerar o processo e as oportunidades de adaptação urbana. Corrêa do Lago citou as ações de conservação, combate ao desmatamento e restauração de florestas. Ele disse que cada uma tem fontes de financiamento diferentes. Na COP28, em 2023, o Brasil propôs a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, em inglês), voltado à conservação, que deve ser finalmente apresentado na COP30. Se o fundo funcionar, os recursos para países com florestas tropicais virão dos países mais ricos e do setor privado.   Questões de gênero, raça e etnia — outra preocupação do público — são elementos transversais que estão presentes na COP30, garantiu o embaixador. Ele admitiu que a agenda de ação pecou na divulgação desse tema, mas pretende esmiuçar o assunto em sua  [quinta carta à comunidade internacional](https://cop30.br/pt-br/presidencia-da-cop30/cartas-da-presidencia/quinta-carta-da-presidencia-brasileira)  — uma série de comunicações escritas pelo presidente da COP desde março deste ano.   Corrêa do Lago ainda teve tempo de discorrer sobre uma possível retomada da utopia do movimento modernista brasileiro de incorporar o elemento tropical à arquitetura. “Existem vários arquitetos brilhantes fazendo ótimos projetos, mas precisamos mostrar o quanto essa solução é economicamente viável”, disse ele. “Acho que há certos ajustes na arquitetura que podem tornar a vida nos trópicos muito mais agradável e muito mais charmosa.”  "}]