[{"jcr:title":"Portal de dados do Insper amplia acesso a informações estruturadas sobre mobilidade urbana","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Evento de lançamento da plataforma destacou seu potencial para subsidiar pesquisas, políticas públicas e projetos em parceria com cidades e instituições","authorDate":"18/12/2025 16h46","author":"Bruno Toranzo","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Portal de dados do Insper amplia acesso a informações estruturadas sobre mobilidade urbana","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável — fruto da parceria entre o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper e o Grupo Motiva — lançou no dia 4 de dezembro o seu  [portal de dados](https://observatorio-nacional.vercel.app/) , com informações compartilhadas pela Rede de Cidades. O objetivo da iniciativa é preencher uma lacuna histórica: a falta de dados estruturados e padronizados sobre o transporte público no Brasil. Com isso, espera-se fomentar políticas públicas baseadas em evidências. O evento de lançamento reuniu gestores públicos, acadêmicos e representantes do setor privado para debater como a ciência de dados pode transformar a realidade urbana, superando a chamada “era do achismo” — expressão usada por especialistas presentes. Na avaliação de Tomas Alvim, coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades, trata-se de um marco para o setor. Na abertura do evento, ele ressaltou que dados são ferramentas essenciais, no entanto dependem fundamentalmente da visão e da utopia que projetos como o Observatório materializam, e agradeceu especialmente à parceria da Motiva por ter apostado nesse projeto desde o início. “O portal representa um passo fundamental na consolidação de dados sobre mobilidade urbana no Brasil, permitindo debates fundamentados para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficientes, sustentáveis e inclusivas”, afirmou. Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, parabenizou a todos pelo trabalho. “Esse processo é fruto de uma base construída por muitas relações. Acreditamos profundamente em uma atuação que integra diferentes setores. Os desafios são complexos, e sozinhos não damos conta — por isso, trabalhamos em parceria. Nosso papel é facilitar”, afirmou. “O que vemos agora é o resultado final, mas sabemos o quanto foi necessário articular, compatibilizar informações e costurar acordos nos bastidores. É muito positivo ver que estamos avançando nesse caminho.” Atualmente, mais de 20 cidades integram a Rede de Cidades do Observatório, lançada em abril deste ano para facilitar a colaboração entre municípios brasileiros por meio do compartilhamento estruturado de dados sobre mobilidade urbana. A iniciativa promove reuniões regulares para a troca de experiências e boas práticas na gestão de dados. A meta para 2026 é dobrar o número de participantes, com foco nas maiores cidades do país — mas também com atenção às pequenas, incentivando-as a iniciar processos de digitalização e compartilhamento de dados. Para Helena Coelho, coordenadora-adjunta do Observatório, a plataforma pretende se tornar uma base confiável de dados sobre transportes. “Os dados até existem, contudo  estão dispersos entre diferentes fontes, como empresas e prefeituras, sem padronização nem catalogação adequada. O custo dessa desorganização resulta em decisões infundadas, dados fragmentados e dependência de consultorias externas”, disse. Ela destacou que o projeto valida 100% dos dados em conjunto com os parceiros, garantindo um repositório capaz de atender desde grandes centros urbanos até municípios de menor porte. Segundo Helena, o papel do Observatório vai além da consolidação técnica. “Nosso desafio é trabalhar pela universalização e democratização dos dados, incluindo as cidades que ainda estão começando a estruturar suas informações”, pontuou. Vinícius Oike, cientista de dados do Observatório, apresentou os quatro pilares que orientam a gestão do que chega ao portal: qualidade, documentação, relevância e acessibilidade. Ele também destacou que o projeto se beneficiou do uso de inteligência artificial para acelerar tarefas de organização e visualização de dados — embora tenha alertado que, nas etapas mais complexas de análise e validação, o trabalho humano ainda é indispensável. A construção da plataforma seguiu critérios rigorosos para garantir a utilidade das informações tanto para pesquisadores quanto para gestores. O portal oferece ferramentas como tabelas interativas da Pemob (Pesquisa Nacional de Mobilidade Urbana), dashboards comparativos e um geoportal com camadas espaciais sobre rotas de transporte, densidade populacional e tarifa zero. Essa infraestrutura conta com o apoio do Centro de Dados e IA do Insper, que está completando quatro anos de existência. A gerente da área, Suelane Garcia Fontes, enfatizou a importância de construir uma cultura de dados orientada por evidências, apoiando pesquisadores com acesso a dados e recursos computacionais. Com o novo portal de dados, Adriano Borges, coordenador acadêmico do Laboratório Arq.Futuro do Insper, projeta um futuro promissor. Para ele, a plataforma representa o primeiro passo rumo à criação de um sistema nacional de informações sobre mobilidade urbana, nos moldes dos já existentes nas áreas de saúde e educação. Ele também apontou o potencial do portal como base para projetos de pesquisa aplicados, como o estudo em desenvolvimento sobre o impacto do BRT Transbrasil, no Rio de Janeiro. A proposta é utilizar os dados consolidados para medir transformações reais nas cidades, influenciar decisões de investimento público e promover estudos em territórios com alta vulnerabilidade social. Luiz Pedro Silva, pesquisador-líder do Observatório, alertou para a estagnação populacional das cidades e o aumento do tempo de deslocamento. “Não é possível continuar no ‘achismo’ ou insistir em modelos ultrapassados, como a construção de mais viadutos e o alargamento de vias”, criticou, defendendo a integração entre transporte público e modais ativos. Resultados A relevância do portal foi reconhecida pelo Ministério das Cidades. O diretor de Mobilidade Urbana da pasta, Marcos Daniel, reforçou que, embora trabalhar com dados seja desafiador, é essencial para encontrar soluções eficazes. “Nosso país é muito grande, com inúmeros desafios urbanos, e a mobilidade sustentável surge como caminho. Mas isso só é viável com base em evidências. A parceria com o Observatório visa formar profissionais apaixonados por mobilidade e dados”, declarou ele, destacando o alinhamento entre as esferas federal e local. Maína Celidonio, secretária municipal de Mobilidade Urbana do Rio de Janeiro, relembrou as dificuldades que enfrentou como pesquisadora. “Passei dois anos buscando dados para minha tese, o que exigiu milhares de reuniões. No Rio, antes de 2021, tudo era em papel”, relatou. A digitalização iniciada naquele ano foi ressaltada por Lauro Silvestre, subsecretário de Tecnologia em Transportes da cidade, que mencionou a criação do Sistema de Gestão da Mobilidade (Sigmob). De Belo Horizonte, Daniel Nogueira, diretor de Governança e Dados da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, destacou a evolução de planilhas simples para sistemas que processam bilhões de registros de geolocalização. Esses dados são usados para avaliar a qualidade das viagens e remunerar o sistema de transporte de maneira mais justa. “O principal desafio não são os dados em si, mas criar uma cultura de dados dentro da secretaria”, avaliou. Já Antônio Henrique, gerente geral de Mobilidade Humana da CTTU (Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano de Recife), frisou que o trabalho com evidências superou o antigo predomínio do “achismo” e é essencial para projetos de segurança viária. No encerramento do evento, Sérgio Avelleda, coordenador do Observatório, sublinhou que, apesar da tecnologia, a inovação ainda depende da criatividade humana. “Grandes transformações urbanas nasceram da inspiração e do pensamento fora da caixa, não apenas de dados”, disse. Para Avelleda, o lançamento do portal de dados cumpre uma promessa feita em 2023, quando o projeto do Observatório começou a ser estruturado. “Até aqui preparamos o terreno. Agora é hora de gerar resultados a partir dessa base.”"}]