[{"jcr:title":"O desenho urbano e as mudanças de paradigmas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade"},{"richText":"O arquiteto colombiano Edgar Mazo veio ao país para participar de eventos em SP, Rio, Paraty e Campinas a convite do Centro de Estudos das Cidades e do Arq.Futuro","authorDate":"31/08/2026 15h32","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"O desenho urbano e as mudanças de paradigmas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A convite do  [Centro de Estudos das Cidades do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades)  – Laboratório Arq.Futuro do Insper (Insper Cidades) e do Arq.Futuro, o arquiteto colombiano Edgar Mazo participou de uma série de eventos no Brasil, de 20 a 31 de julho. Durante os itinerários do “Mudar paradigmas”, ele esteve em workshops em Campinas (SP) e nas comunidades da Maré, no Rio de Janeiro, e de Heliópolis, em São Paulo. Diretor do escritório de arquitetura Connatural, Edgar também foi convidado da mesa sobre urbanismo social na Festa Literária Internacional de Paraty (RJ). Na opinião de Tomas Alvim, coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, Edgar tem uma perspectiva muito contemporânea para os desafios urbanos, ao considerar os parques uma das intervenções capazes de reduzir o impacto das mudanças climáticas. “A gente não está tratando mais o parque urbano só com o olhar de contemplação e respiro em relação à vida urbana pós-industrial, mas como infraestruturas fundamentais para a adaptação climática nas cidades”, diz Tomas. Essa visão contemporânea propõe as intervenções urbanas como elementos de reconexão da população com a água das cidades. Na Flip, por exemplo, o arquiteto colombiano comentou que a arquitetura se situa entre a água que vem do céu e aquela que corre pelo chão, portanto os projetos devem infiltrar, conduzir e desacelerar o escoamento das águas urbanas. “Edgar pensa nos rios e nas bacias hidrográficas, nas suas nascentes e nos seus córregos”, afirma Tomas. “Essa é uma visão sistêmica do território que endereça com muita atualidade o desafio das intervenções urbanas contemporâneas.” A circularidade e a sustentabilidade são outros componentes significativos das ideias de Edgar para enfrentar os desafios urbanos, de acordo com Tomas. Os resíduos produzidos no território podem ser reaproveitados na requalificação desses espaços. “Acho que a questão da sustentabilidade e da circularidade, na abordagem de Edgar, traz um olhar muito sensível e cuidadoso com a transformação do território”, destaca Tomas. “Ao mesmo tempo que se constrói uma nova paisagem no território, também se endereça, de maneira muito estruturada, todos esses desafios.” O arquiteto Juan Sebastián Bustamante Fernández, coordenador do Núcleo de Arquitetura e Cidade do Insper Cidades, destaca a experiência de Edgar no projeto e construção de vários equipamentos urbanos que se tornaram referência para Medellín, na Colômbia, e para outros lugares mundo afora. Edgar é um nome reconhecido internacionalmente na criação de espaços públicos e projetos urbanos pensados para situações de crise climática e social. “Então propusemos uma reflexão sobre como projetar cidades que sejam sensíveis às pessoas, à água e à biodiversidade”, explica Juan Sebastián. “Convidamos Edgar Mazo porque vivemos no Brasil e na Colômbia, países que estão entre os de maior biodiversidade do planeta.” Tempo de ouvir A programação começou no Rio, nos dias 20 e 21, quando o arquiteto visitou o Complexo da Maré, circulou por espaços públicos e, em conjunto com os moradores, discutiu alternativas de transformações a partir de ações locais. Houve uma caminhada pela Rua Sargento Silva Nunes, onde estão previstas intervenções de urbanismo social. No workshop na capital fluminense, apresentado também pelo arquiteto Juan Sebastián, reuniram-se parceiros do território que estão engajados na iniciativa. “Em conjunto com a Redes da Maré e o Instituto Manu, pensamos em um primeiro projeto que começasse a trabalhar alguns temas na favela, onde há problemas de ilha de calor, inundações, violência e falta de espaço público”, diz Juan Sebastián. Conforme o coordenador do Núcleo de Arquitetura e Cidade, o workshop conseguiu alcançar o objetivo de fazer com que os parceiros do território conhecessem o tipo de projeto desenvolvido por Edgar Mazo e entendessem como eles são realizados. “E, principalmente, que as pessoas sonhassem com a possibilidade de realizar esse tipo de projeto em uma favela, como Medellín já realizou muitos, sendo uma referência em urbanismo social e, hoje, também em urbanismo regenerativo”, afirma Juan Sebastián. No dia 23, na Flip, Edgar debateu com a arquiteta paisagista Elena Geppetti e o engenheiro agrônomo e paisagista Rodrigo Oliveira, sob mediação de Heloisa Escudeiro, coordenadora-adjunta do Núcleo de Arquitetura e Cidade do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper. Edgar acredita que um projeto nasce enquanto se caminha e se ouve as pessoas. Ideias preconcebidas, portanto, devem ser evitadas. Segundo ele, a obra arquitetônica é um processo de educação no qual o operário é também o artesão que deixa a sua marca e o seu afeto no projeto. Além disso, ressaltou que os parques urbanos são uma solução baseada na natureza, que contribui para reduzir o impacto dos eventos extremos decorrentes das mudanças climáticas. Na capital paulista, os dias 27 e 28 foram reservados para um workshop com convidados do Arq.Futuro, novamente conduzido por Edgar e Juan Sebastián. Reunidos no Insper, pensadores, arquitetos e líderes públicos trocaram ideias e desenharam um projeto para a Praça Edgar Hermelino Leite, próxima à escola e inserida no projeto do  [Distrito de Inovação](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/distrito-de-inovacao-do-insper-aproxima-campus-e-territorio-por-meio-da-arte-urbana)  que o Insper está liderando na Vila Olímpia. “Assim como no Rio, cumprimos o objetivo de refletir com os convidados sobre como essa praça poderia se tornar um primeiro projeto-piloto para o Distrito de Inovação, trabalhando com a água, a biodiversidade e as pessoas”, relata Juan Sebástian. O workshop prosseguiu com a participação do arquiteto Roberto Loeb e do paisagista Rodrigo Oliveira, que estão desenvolvendo um projeto em Heliópolis, a maior favela de São Paulo. Juan Sebastián observa que, na ocasião, muitas pessoas da comunidade puderam contribuir com ideias que permitam transformar o Parque da Cidadania em projeto de referência para Heliópolis, São Paulo e o próprio país. Parques e adaptação urbana Ainda no Insper, a palestra do dia 29 tratou do tema “Desenho urbano e decisões urgentes em tempos de mudança climática”. Edgar explicou como parques, espaços públicos, infraestruturas verdes e soluções baseadas na natureza podem contribuir para enfrentar conflitos socioambientais, qualificar a vida urbana e ampliar a capacidade de adaptação das cidades. Tomas Alvim fez a abertura de apresentação e Heloisa Escudeiro mediou o evento.. Na sessão de perguntas, os alunos da  [Pós-graduação em Urbanismo Social](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-urbanismo-social)  do Laboratório Arq.Futuo do Insper consideraram aspectos diversos, entre os quais as formas de viabilizar e estruturar processos inovadores — como os que Edgar mostrou  — e associá-los a licitações e contratos públicos. Para Heloisa, um dos pontos mais interessantes da apresentação de Edgar mostrou o processo de “subtração” para constituir uma arquitetura. “É como se não fosse um processo de adicionar camadas, paredes, mas subtrair os elementos que estão ‘sobrando’, reorganizar o que já existe e reaproveitar os materiais presentes”, afirma a coordenadora-adjunta do Núcleo de Arquitetura e Cidade do Insper Cidades. A passagem do arquiteto colombiano pelo Brasil culminou com o workshop dos dias 30 e 31 em Campinas, no qual os esforços se concentraram em um projeto na favela Jardim Novo Flamboyant. Juan Sebastián conta que a proposta também é realizar na região um projeto associado aos conceitos do urbanismo social. Toda a programação foi uma parceria da Redes da Maré, do Instituto Manu, da Unas (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região), da Flip, da Casa da Arquitetura e do Insper. A criação e realização estava sob responsabilidade do Arq.Futuro, do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper e da BEĩ Editora."}]