[{"jcr:title":"Intervenções urbanas, pintura e educação: um projeto artístico de resgate do humano","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo"},{"richText":"Em A arte salva , Eduardo Srur mostra uma produção que articula cidade, natureza e ensino como gesto estético e político","authorDate":"27/02/2026 10h58","author":"Heloisa Loureiro Escudeiro*","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Intervenções urbanas, pintura e educação: um projeto artístico de resgate do humano","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Recém-publicado pela BEĨ Editora, [A arte salva](https://bei.com.br/livro/a-arte-salva/312) , de Eduardo Srur, consolida três décadas da trajetória de um artista que escolheu a cidade como interlocutora e arena de uma inspiração crítica. Sem se limitar a revisitar a produção de Srur, o livro articula intervenções, pintura e educação como dimensões inseparáveis de um mesmo projeto estético e político, revelando a construção da identidade do artista no decorrer do tempo.   Essa é a segunda publicação da BEĨ dedicada a ele. Em Manual de intervenção urbana (2012), Srur já expunha bastidores, materiais, experimentações e intercorrências de suas ações. Entretanto, em A arte salva, a escala se amplia: são mais de 300 páginas e centenas de imagens que constroem uma narrativa imersiva — a começar pela capa-pôster, que registra a intervenção homônima realizada em Brasília, no ano de 2011.   O livro se organiza em sete partes  [[1]](#_ftn1) que compõem um percurso pela obra do artista. A apresentação, assinada por Marisa Moreira Salles e Tomas Alvim —sócios na BEĨ Editora e, respectivamente, conselheira e coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper – evidencia a relação de Srur com a cidade e a educação, numa sintonia com a história da própria editora. Na sequência, a entrevista conduzida pelo curador francês Marc Pottier oferece um panorama da trajetória do artista tendo como ponto de apoio as suas considerações. Já os capítulos “Ateliê a céu aberto”, “Pintura e acervo” e “Ações educativas” aprofundam tanto registros quanto posicionamentos de Srur diante de seu tempo.   O posfácio, assinado pela crítica de arte Maria Hirszman, somado à seção dedicada à vida de Srur, encerram o trajeto reflexivo. Aqui vale ressaltar que, ao longo de todo o livro, o projeto gráfico orquestra vozes diversas — crítica, memória, imprensa e depoimentos do próprio artista —, criando um diálogo contínuo. O resultado é uma experiência que envolve o leitor, alternando conteúdo textual e impacto visual com consistência.   Srur tensiona fronteiras entre resistência e instinto — termos que atravessam toda a leitura. Para ele, artistas devem correr riscos. Ao submeter suas obras ao espaço público — onde estão sujeitas a reações adversas, como a perfuração de representação de uma onça, em 2017, na Suíça, ou tiros disparados contra manequins de plástico, em 2014 em São Paulo —, assume que a arte nem sempre é confortável. A cidade torna-se o seu “ateliê a céu aberto” e o espectador é convocado a ressignificar o contexto que habita.   Em termos de materialidade, como já apontado em Manual de intervenção urbana, é notável o rigor da pesquisa a cada projeto. Seja na ressignificação do plástico, seja nas composições com materiais residuais, A arte salva revela a construção paciente de uma gramática visual própria, na qual matéria e conceito caminham juntos.   Há, evidentemente, destaque à crítica ambiental explícita na obra do artista. Todavia, não há dúvida de que restringir o volume a essa dimensão seria empobrecê-lo. Dele emerge a percepção de que estamos, como sociedade, profundamente desconectados da natureza — do ponto de vista físico, mas, sobretudo, espiritualmente. Ao posicionar rios, animais e pessoas no centro do espaço urbano, Srur convoca uma reconexão sensível. Nesse sentido, sua produção se aproxima de reflexões já abordadas neste espaço, especialmente na resenha de O jeito yanomami de pendurar redes, que destaca a centralidade do espírito para a existência individual e coletiva dos povos indígenas. Se ali a natureza aparece como fundamento cosmológico, em A arte salva ela ressurge como urgência.   No correr das páginas, o papel de Srur como arte-educador ganha densidade. Ao levar sua prática para escolas, o artista constrói uma estratégia de transformação social: ao interagir com os mais jovens, ele alcança também suas famílias, criando uma cadeia de sensibilização que atravessa gerações. Essa perspectiva é sintetizada em uma afirmação que ilumina o título do volume: “Meu desafio e meu sonho é manter acesa a ideia da arte como mecanismo de resgate e cura” (p. 29). Assim, A arte salva não é somente a síntese de um percurso: funciona também como a reafirmação de um compromisso.   Nesse contexto, o resgate da base pictórica do artista não é detalhe secundário. Antes de ocupar cidades, Srur ocupou superfícies silenciosas. Na tela, aprendeu a colocar sob tensão cor e matéria; na cidade, tensiona paisagem e consciência. Quando afirma poder usar qualquer ferramenta ao alcance das mãos, revela versatilidade técnica e, igualmente, a fidelidade a um princípio: a de que a arte é uma pesquisa contínua. Assim, seu ateliê não ficou para trás — ele apenas ganhou escala.   Por fim, A arte salva é também uma obra sobre permanência. Se as intervenções são efêmeras, a publicação fixa sua potência na dimensão temporal. Para quem não viu os trabalhos de Srur in situ, as fotografias e relatos reconstroem aquele espaço-tempo com vigor; para quem viu, oferecem distanciamento crítico. Em ambos os casos, permanece a convicção de que, quando se compromete com a cidade e com as pessoas que a habitam, a arte pode — ainda — salvar algo em nós. * Heloisa Loureiro Escudeiro é coordenadora-adjunta do Núcleo Arquitetura e Cidade do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper. [ [1] ](#_ftnref1) O volume conta ainda com uma oitava parte, destacada em páginas na cor amarela, dedicada aos textos escritos em inglês."},{"fileName":"Capa livro_A arte salva.png"},{"text":"BEĨ Editora 304 páginas R$ 250,00."},{"jcr:title":"Eduardo Srur com grupo de crianças","fileName":"A arte salva_Eduardo Srur (2).png","alt":"Eduardo Srur com grupo de crianças"}]