[{"jcr:title":"Insper na COP30: acompanhe as perspectivas dos professores e pesquisadores que estão na conferência da ONU","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30"},{"richText":"Diário de Belém reunirá relatos e reflexões diretas do evento, destacando como o Insper tem contribuído para o debate sobre sustentabilidade, políticas públicas e inovação","authorDate":"10/11/2025 07h00","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30","title":"Insper na COP30: acompanhe as perspectivas dos professores e pesquisadores que estão na conferência da ONU","variant":"nobackground"},{"jcr:title":"verde - vermelho - laranja"},{"themeName":"verde - vermelho - laranja"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Enquanto líderes globais, pesquisadores e representantes da sociedade civil se reúnem em Belém para discutir os caminhos da transição climática, o Insper marca presença na COP30 com uma delegação de pesquisadores e especialistas do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro e do Centro de Estudos em Negócios do Insper . Ao longo dos dias de conferência, o Diário de Belém reunirá relatos e reflexões diretas do evento, destacando como o Insper tem contribuído para o debate sobre sustentabilidade, políticas públicas e inovação — e o que essas discussões internacionais podem inspirar nas agendas de ensino e pesquisa da escola."},{"text":"COP 30 | 20 de novembro (tarde) | Sérgio Avelleda, coordenador do nosso Núcleo Mobilidade Urbana do Insper Cidades Acabo de participar de um painel sobre as oportunidades da transição climática. Debati em uma mesa liderada pelo Ministério das Cidades e pela Confederação Nacional do Transporte. Discutimos soluções que a eletrificação das frotas de ônibus e a transição energética podem trazer: mais inclusão, mais justiça social e mais desenvolvimento econômico. Falamos sobre que tipo de solução tecnológica pode acompanhar a eletrificação — aproveitando esse momento para dar prioridade ao ônibus no uso das vias, repensar a digitalização do transporte público e garantir que o transporte da sua cidade esteja literalmente na palma da mão. Que você possa comprar o bilhete, consultar horários, prever o tempo da viagem e verificar as integrações disponíveis, tudo pelo celular. Também destacamos a importância de garantir que, durante a transição para ônibus com novas tecnologias, ninguém fique para trás. Como os novos motores exigem menos manutenção, é essencial cuidar da formação profissional, promover treinamento e assegurar inclusão social. Enfim, foi um debate muito proveitoso. Lembramos ainda da necessidade de pensar no desenvolvimento brasileiro. O Brasil sempre foi uma plataforma importante de exportação de ônibus a diesel, e não podemos perder esse patrimônio econômico. Precisamos de uma indústria nacional forte de ônibus elétricos, capaz não só de atender ao mercado interno, mas também de competir no mercado externo. Foi uma conversa rica, com uma plateia muito atenta, o que me chamou bastante a atenção. E agora vamos conhecer a COP 30 e reencontrar colegas que estão aqui com a mesma missão: contribuir para a transição climática."},{"fileName":"PHOTO-2025-11-20-16-59-00.jpg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"Casa do Seguro – COP30, Belém | 14 de novembro (Tarde) | Élcio Batista, coordenador do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Se o debate da manhã na Casa do Seguro foi sobre bilhões, risco e infraestrutura, a conversa da tarde na CasAmazônia foi sobre como fazer esses bilhões chegarem na ponta, na vida real das pessoas. O painel “Soluções locais para uma transição justa” girou em torno de uma pergunta muito simples e muito difícil: como é que o dinheiro da transição climática desce a escada e chega até o chão das comunidades? Na mesa estavam experiências de organizações que vivem o território no dia a dia – Instituto Decodifica, Fundo Casa Socioambiental, Lab da Cidade – mediadas por quem atua em redes de fundos socioambientais no Sul Global. Não era um debate abstrato: era sobre microprojetos, soluções de baixo custo e organizações de base que já estão melhorando a vida das pessoas, mas que ainda recebem migalhas diante das promessas bilionárias da agenda do clima. ⸻ A sociedade civil começa pela base, não pelo power point Um ponto comum entre as falas: a sociedade civil organizada nasce de baixo pra cima. Ela surge quando vizinhos se juntam, quando mulheres montam uma cooperativa, quando ribeirinhos se organizam em associação. É daí que vêm as soluções mais baratas e mais criativas para: • melhorar o bem-estar no bairro; • proteger o território; • gerar renda com menos impacto ambiental. Só que esses grupos quase nunca entram na foto quando se fala em “fluxos financeiros para o clima”. Falta linguagem, falta ponte, falta quem traduza. ⸻ “COP é Copa?” – o esforço de tradução O pessoal do Decodifica trouxe uma imagem poderosa: a pergunta recorrente que escutam em oficinas é “COP é Copa?”. Essa confusão não é ignorância; é sintoma de distância. Por isso o trabalho deles é apresentado como um esforço permanente de tradução: • traduzir jargão climático para a linguagem do bairro; • traduzir experiência de enchente, calor extremo, desmatamento em dado qualificado; • traduzir o que se vive no território em algo que consiga dialogar com fundos, editais e políticas públicas. Eles mostraram como vêm retratando as enchentes a partir de duas camadas: os dados (onde alagou, quanto perdeu) e a voz do território (como isso afetou a vida). Esse tipo de registro, feito em parceria com as comunidades, vira uma espécie de “prova material” de que ali existe problema, solução e gente capaz de cuidar do próprio lugar – desde que tenha apoio. ⸻ Monitorar para existir: o caso do Fundo Casa Do lado do Fundo Casa Socioambiental, a mensagem foi direta: para conseguir mais recursos, eles precisaram estruturar uma área robusta de monitoramento e avaliação. Não foi uma exigência burocrática qualquer. Foi o que permitiu: • mostrar resultado para financiadores; • comprovar que pequenos projetos de base geram impacto real; • demonstrar que comunidades locais contribuem para a agenda do clima, mesmo quando não usam esse vocabulário. A frase que ficou é simples: “Sistema de monitoramento foi – e continua sendo – fundamental para provar que essas iniciativas existem, funcionam e merecem mais recursos.” Sem isso, as histórias se perdem no “achismo” e o dinheiro continua circulando lá em cima, entre grandes projetos, consultorias e declarações de intenção. ⸻ Mitigação, adaptação e transição justa: três agendas, um território As falas também reforçaram a ideia de que a agenda climática não é uma coisa só. Ela se desdobra em pelo menos três frentes: 1. Mitigação – reduzir emissões, mudar matriz energética, evitar que a crise piore. 2. Adaptação – ajudar pessoas e cidades a lidarem com impactos que já estão acontecendo. 3. Transição justa – garantir que essa mudança de modelo não aprofunde desigualdades, mas ajude a corrigi-las. Aqui veio uma síntese importante: mudança do clima não pode servir para encobrir desigualdades; tem que ser instrumento para reduzi-las. Se a transição energética gera emprego só para quem já está bem posicionado, alguma coisa está errada. Se o dinheiro do carbono não chega na comunidade que protege a floresta, mais errado ainda. ⸻ Do potencial à transformação: o papel do conhecimento Outra chave do debate foi a diferença entre potência e transformação. Potência, a Amazônia tem de sobra. O desafio é transformar isso em mudança concreta na vida de quem mora lá. A economia do açaí apareceu como exemplo: é um setor já grande e consolidado, mas ainda com enormes vazios de conhecimento – desde cadeias de valor até questões de saúde, nutrição, logística e impacto ambiental. Se isso é verdade para o açaí, é ainda mais verdade para a bioeconomia como um todo. Daí a frase: o conhecimento é o principal mediador e acelerador da transformação. Sem dados, sem pesquisa aplicada, sem troca entre saber tradicional e ciência, a bioeconomia vira só um novo rótulo para velhas práticas extrativistas. ⸻ Dados cidadãos para enfrentar narrativas Uma ideia poderosa que apareceu na conversa foi a de mecanismos de geração cidadã de dados. Em vez do território ser visto apenas como “objeto de estudo”, as próprias comunidades produzem: • mapas de uso do solo; • registros de enchente, seca, contaminação; • evidências de impacto de projetos. Isso serve para validar fatos e não narrativas. Ajuda a equilibrar o jogo em mesas onde, muitas vezes, só entram os números produzidos por quem já tem poder. O Decodifica resumiu essa abordagem dizendo que a agenda do território nasce do intercâmbio de saberes e interesses: cientistas, gestores públicos, lideranças comunitárias, jovens, povos tradicionais. ⸻ O dinheiro tem que descer a escada Um dos pontos mais fortes do painel foi a discussão sobre estratégias de financiamento. Todo mundo concorda que não faz mais sentido aceitar desculpas como: • “a documentação é muito complexa”; • “ninguém na comunidade fala inglês”; • “o edital não conversa com essa realidade”. Se a transição é para ser justa, o dinheiro precisa chegar na base. As barreiras linguísticas, burocráticas e geográficas não podem continuar servindo como filtro invisível que impede a entrada de quem realmente está na linha de frente da proteção ambiental e da adaptação. ⸻ Um novo paradigma de urbanização e desenvolvimento Por fim, o painel tocou em um ponto que conecta diretamente com o trabalho do Insper Cidades: superar os modelos tradicionais de urbanização. Seja no micro (uma vila, um bairro ribeirinho) ou no macro (cidades inteiras, regiões metropolitanas), a mensagem é a mesma: não dá mais para repetir o modelo de expansão desordenada, infraestrutura excludente e políticas feitas de longe. É preciso um novo paradigma, em que: • conhecimento local e técnico caminham juntos; • clima não é “tema de especialista”, mas critério de decisão; • recursos financeiros são pensados desde o início para chegar na ponta. ⸻ Por que isso importa para o Insper O painel da CasAmazônia reforça um ponto que dialoga diretamente com o Programa Cidade +2°C: não basta produzir diagnósticos e grandes estratégias; é preciso construir pontes com quem está no território e criar arranjos em que: • dados gerados por comunidades sejam reconhecidos como insumo válido; • conhecimento acadêmico ajude a desenhar bons sistemas de monitoramento e avaliação, como o do Fundo Casa; • modelos financeiros sejam pensados, desde o início, para atender microprojetos de base; • a agenda climática seja usada deliberadamente para reduzir desigualdades e não só para cumprir metas globais. Em resumo, o painel “Soluções locais para uma transição justa” lembrou algo óbvio e, ao mesmo tempo, esquecido: a transição só é justa se quem vive na Amazônia, nas periferias urbanas e nos territórios mais vulneráveis tiver voz, dado, recurso e poder para decidir o próprio futuro. Tudo o resto é protocolo. "},{"fileName":"WhatsApp Image 2025-11-20 at 16.02.14.jpeg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"Casa do Seguro – COP30, Belém | 14 de novembro (Manhã) | Élcio Batista, coordenador do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Na Casa do Seguro, em Belém, durante a COP30, o recado foi simples: as cidades estão no centro da crise climática e a indústria de seguros não pode mais ser apenas “pagadora de sinistro”. Ela está sendo empurrada para um novo papel: transformar risco em resiliência urbana. 1. Cidades feitas para um clima que já acabou O primeiro painel, sobre cidades resilientes e planejamento urbano para um clima imprevisível, começou com uma constatação incômoda: nossas cidades ainda estão adaptadas ao clima do passado, não ao do futuro. Enquanto a população urbana explode no mundo e no Brasil – regiões da China com 70 milhões de habitantes, região metropolitana de São Paulo com 27 milhões – a gente segue repetindo o mesmo modelo:/ • solo impermeabilizado; • cidades como grandes emissores; • poucas áreas verdes; • tudo concentrando pessoas, riqueza e oportunidades justamente onde o risco é maior. O contraste com a Europa foi didático. Várias cidades europeias, antes referência de planejamento, hoje são cidades bonitas, mas desenhadas para um clima que não existe mais. Na sequência vieram três exemplos positivos, que apontam outro caminho: • Singapura: espaços verdes usados como “canivete suíço” – drenagem, redução de calor e lazer ao mesmo tempo. • Roterdã: uma praça que vira uma enorme “banheira” durante tempestades, segurando a água onde ela não destrói nada. • Medellín: corredores verdes e mobilidade integrados à redução de risco em comunidades vulneráveis Desses casos saíram três princípios práticos: 1. Solutions with co-benefits – cada intervenção precisa resolver mais de um problema: risco, conforto térmico, qualidade de vida, valor imobiliário. 2. Design for extremes, not averages – projetar cidade e seguro para os extremos climáticos, não para a média histórica. 3. Integrate community expertise – levar a sério o conhecimento de quem mora no território. A comunidade sabe onde alaga, onde o barranco cede, onde o ônibus não passa. No fundo, o recado é: adaptação climática é um novo projeto de cidade, não um apêndice técnico. 2. Preparar e avisar antes salva vidas – e dinheiro Um segundo bloco tratou de preparação e sistemas de alerta precoce: • A maior parte das mortes por desastres acontece em países em desenvolvimento. • Alguns países chegam a perder até 30% do PIB em um único desastre. • 94% das mortes associadas a eventos extremos se concentram em nações em desenvolvimento ou em transição. Ao mesmo tempo, os dados mostram que sistemas de alerta antecipado têm retorno de até 10 vezes o investimento. Ou seja, avisar antes é barato perto do tamanho do prejuízo que se evita. Aqui está um ponto direto para nós: se o Brasil quer reduzir perdas humanas e econômicas, precisa unir seguros, prefeituras e ciência de dados para construir sistemas de alerta que falem a língua da população e cheguem onde o desastre acontece. 3. O tamanho do buraco: o gap de proteção do seguro A partir daí entrou um conceito que apareceu o tempo todo: insurance protection gap, o buraco entre o que se perde e o que está segurado. Em 2024, os desastres naturais geraram algo como US$ 318 bilhões em perdas econômicas. Desse total, só US$ 137 bilhões estavam segurados. Resultado: um gap de proteção de 57%. Metade do prejuízo fica sem cobertura. Esse gap não é homogêneo: • Empresas sofrem com riscos operacionais, aumento de prêmios, ruptura de cadeias de suprimento, desvalorização de ativos e instabilidade financeira. • Comunidades enfrentam recuperação lenta, infraestrutura no limite, desigualdade aumentando, deslocamento de famílias e queda de investimento. • Indivíduos ficam com a parte mais cruel: perda de renda, casa destruída, deslocamento, dificuldade de acesso a crédito. Aqui entra a frase que resume o espírito dos painéis: Transformar risco em resiliência é o papel da indústria de seguros. Não dá mais para o seguro ser só o cheque depois da tragédia. Ele precisa induzir prevenção e adaptação. 4. O Brasil já está no olho da crise Os dados apresentados sobre o Brasil também foram contundentes: • +200% de aumento em eventos climáticos extremos nas últimas décadas • +20% ao ano no número de sinistros de automóveis por alagamento em áreas urbanas críticas • Nos seguros empresariais, 25% das acionadas de lucros cessantes desde 2020 estão ligadas a eventos climáticos. A consequência é dupla: 1. o país começa a ser visto menos como “abençoado por Deus e bonito por natureza” e mais como território de desastres recorrentes; 2. o modelo urbano atual se mostra financeiramente insustentável – para famílias, empresas, governos e seguradoras. A resposta do setor tem sido ampliar coberturas, como o seguro residencial para enchentes, e redesenhar produtos, mas isso não fecha a conta se o território continuar sendo ocupado do mesmo jeito. 5. Tech, dados e clima: o seguro como hub As apresentações também mostraram o uso crescente de plataformas globais de avaliação de risco, como a GloRia, e ferramentas como o CAReS, em que o seguro funciona como um verdadeiro hub climático: • integra dados de clima, território e comportamento; • alimenta modelos de risco e precificação; • orienta investimentos em infraestrutura resiliente; • apoia mobilidade e transição energética; • ajuda a definir o que é “segurável” em cada contexto. No agronegócio, a mensagem foi direta: de quinze variáveis de ESG, onze já são climáticas. Quem não entender clima não entende risco de produção, crédito, logística ou valor de ativo. 6. O que isso abre para o Insper Cidades / Cidade +2°C No final, ficou clara a pergunta que nos toca diretamente: como o Insper pode dialogar com esse novo paradigma de seguros e clima? Algumas pistas que os painéis deixam: 1. Dados e mapas de risco urbano Apoiar o desenvolvimento de bases de dados e modelos que ajudem seguradoras, resseguradoras e governos a identificar onde o risco está se concentrando – e onde investimentos em infraestrutura resiliente fazem mais diferença. 2. Modelos de financiamento e seguros para adaptação Trabalhar em conjunto com o setor para desenvolver produtos e arranjos que combinem crédito, seguro e investimento público em adaptação urbana. 3. Ciência de dados aplicada a alerta precoce Traduzir o conhecimento acadêmico em sistemas de early warning que conversem com a população e com os gestores municipais, reduzindo mortes e perdas econômicas. 4. Formação executiva de nova geração Criar e fortalecer cursos para gestores públicos, executivos de seguros, investidores e líderes comunitários que queiram entender clima, risco, dados e finanças na mesma mesa. 5. Produzir evidências sobre prevenção x reparação Trabalhar com o setor para mostrar, com números, que investir antes (em drenagem, mobilidade, áreas verdes, habitação segura) é mais eficiente do que pagar o prejuízo depois. 7. Em resumo O que se ouviu na Casa do Seguro, em Belém, foi isso: • Cidades foram desenhadas para um clima que acabou. • Eventos extremos estão se multiplicando e o gap de proteção é enorme. • Países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, pagam o preço mais alto em vidas e em PIB. • A indústria de seguros está sendo puxada para o centro da adaptação climática. • Dados, tecnologia e ciência podem transformar o seguro de “conta do desastre” em motor de prevenção e resiliência. É exatamente nessa fronteira – entre cidade, clima, dados e finanças – que o Insper Cidades / Programa Cidade +2°C pode se posicionar como parceiro estratégico da indústria de seguros, no Brasil e lá fora."},{"text":"COP30 | 14 de novembro | Hannah Arcushin Machado, coordenadora Adjunta e Pesquisadora Principal do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Na sexta-feira, 14/11, participei de dois painéis na Zona Azul da COP30, área dedicada às negociações entre governos. O primeiro ocorreu no Pavilhão do Instituto Internacional para Sustentabilidade, onde lançamos o relatório síntese Cidades Verdes-Azuis Resilientes, do qual sou uma das autoras. A sessão foi aberta por Maurício Guerra, diretor de Meio Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, que apresentou os resultados da chamada do Programa Cidades Verdes Resilientes. A iniciativa identificou uma demanda de R$ 10 bilhões em investimentos para adaptação climática urbana a partir de 250 projetos estruturados por municípios brasileiros, grande parte deles com soluções baseadas na natureza. Em seguida, a autora principal do relatório, Maria Fernanda Lemos (PUC-Rio), apresentou as mensagens-chave do estudo elaborado pelo Centro de Síntese em Mudanças Ambientais e Climáticas (SIMACLIM/MCTI). O documento reúne evidências científicas sobre os desafios e oportunidades para fortalecer a resiliência urbana no Brasil, com foco em subsidiar decisões públicas e ampliar justiça e equidade nos territórios urbanos. Após a apresentação, os autores Bruna Pavani (IIS), Maurício Lamano (PROCAM/USP), Mila Avellar (SIMACLIM) e eu aprofundamos diferentes aspectos abordados pelo relatório. No debate, tratamos inicialmente da centralidade do setor de habitação para a adaptação climática. Destacamos que o relatório evidencia como a moradia resiliente é um dos pilares estruturantes da capacidade adaptativa das cidades, especialmente em contextos marcados por vulnerabilidade socioambiental. Em seguida, discutimos os achados referentes a governança, financiamento e implementação, temas que compõem a seção final do relatório. A revisão de conhecimento mostra que o avanço da agenda de adaptação depende de arranjos institucionais mais coordenados, instrumentos financeiros adequados à escala dos desafios e capacidades técnicas ampliadas para execução. Outro ponto debatido foi a desigualdade na distribuição da arborização urbana. Evidências reunidas no relatório mostram que bairros mais pobres tendem a ter menos cobertura vegetal, o que aumenta a exposição ao calor extremo, agrava problemas de saúde e aprofunda injustiças climáticas. A discussão se conectou ao papel estratégico do manejo qualificado da vegetação nas margens de rios, encostas e áreas sujeitas a eventos extremos. Esse manejo, quando planejado, reduz riscos hidrológicos, minimiza danos durante tempestades e fortalece a capacidade adaptativa diante do aumento das chuvas intensas projetado pelo IPCC. Também refletimos sobre qual seria a principal alavanca de política pública capaz de apoiar municípios na transição de ações pontuais para uma integração consistente da resiliência “verde e azul” no planejamento urbano de longo prazo. Abordamos ainda a diversidade dos desafios hídricos do país — que vão da escassez no semiárido às inundações em áreas urbanas e costeiras — e debatemos as recomendações do relatório para viabilizar e escalar soluções adaptadas às diferentes realidades municipais. No período da tarde, participei do painel “Futuro sem risco: construindo uma economia de adaptação”, organizado pela Itaúsa no pavilhão da Confederação Nacional da Indústria. A discussão partiu do reconhecimento de que adaptação é também produtividade e competitividade: cada dólar investido pode gerar retorno de até 10,50 dólares em benefícios econômicos e sociais. Apesar disso, menos de 5% do financiamento climático global é destinado à adaptação. No Brasil, o cenário é um pouco melhor: nos últimos 10 anos, 40% dos financiamento externo foi destinado a projetos de adaptação urbana, segundo um estudo que estamos desenvolmento no Insper Cidades. Esses projetos são principalmente de saneamento, gestão de risco de desastres e revegetação. A sessão foi moderada por Marcelo Furtado (Itaúsa) e contou com a participação de Annelise Vendramini e Mariana Nicolletti (FGV), além de mim."},{"fileName":"WhatsApp Image 2025-11-18 at 19.52.53.jpeg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"COP30 - Casa C.A.S.E. – COP30 Transporte | 13 de novembro | Élcio Batista, coordenador do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Na tarde do dia 13, na Casa C.A.S.E., o debate foi sobre transporte e cidades. A C.A.S.E. (Climate Action Solutions & Engagement) é o espaço montado por empresas como Bradesco, Itaúsa, Itaú, Natura, Nestlé, Vale e Marcopolo para mostrar soluções concretas do setor privado brasileiro para clima, natureza e pessoas durante a COP30, posicionando o Brasil como protagonista da agenda climática. O painel “Transporte | Cidades” juntou BNDES, Motiva, ITDP e Marcopolo em torno de uma questão central: como acelerar a descarbonização da mobilidade num país em que o transporte responde por cerca de 12% das emissões de GEE e o modelo de investimento em infraestrutura está esgotado? ⸻ 1. Três caminhos para reduzir emissões no transporte A conversa começou com uma síntese da Coalizão pelo Transporte, iniciativa provocada pela presidência da COP e hoje liderada por Insper e Motiva: a meta é acelerar a descarbonização do transporte no Brasil a partir de três frentes principais: 1. Eletrificação da frota, em especial ônibus e caminhões. 2. Mudança no mix de modais, dando mais peso a hidrovias e ferrovias e reduzindo a dependência quase absoluta do rodoviário. 3. Aumento do uso de biocombustíveis, aproveitando a vantagem competitiva histórica do país em etanol, biodiesel e, agora, biometano. A Motiva se coloca como aceleradora da eletrificação de frotas, inclusive por meio de uma coalizão com a Volkswagen para instalar infraestrutura de recarga de caminhões ao longo da Via Dutra. Ao mesmo tempo, busca zerar o uso de CAP (derivado do petróleo) em obras, substituindo por RAP – resíduo de asfalto reaproveitado. O argumento é direto: perseguir metas climáticas gera valor para o acionista, não é filantropia. ⸻ 2. BNDES: crédito verde em um país de juros altos Na sequência, o BNDES trouxe a visão do financiamento: • Em 20 anos, o banco financiou mais de R$ 100 bilhões em infraestrutura de transportes. • A descarbonização do setor é hoje agenda prioritária na carteira de crédito. • O modelo mudou: antes o banco operava majoritariamente via repasse por bancos comerciais; agora, faz financiamento direto para as empresas. O nó está no custo de capital: com juros muito altos, investimentos de longo prazo em transporte coletivo, trilhos e logística limpa ficam difíceis de fechar. O Fundo Clima aparece como instrumento para apoiar projetos de baixo carbono, mas ainda longe da escala necessária. Dois desafios claros: 1. Como capitalizar o Fundo Clima e outros mecanismos para chegar à escala de trilhões exigida pela transição? 2. Como montar bons projetos? Do diagnóstico à entrega, um projeto estruturado pode levar de 7 a 10 anos. O BNDES tem a vantagem de pensar como instituição de Estado, não de governo, dando alguma previsibilidade num país ciclotímico. Mas falta pipeline amadurecido. O banco também reconhece a dificuldade de mensurar as externalidades negativas do transporte individual – poluição, congestionamento, acidentes – o que atrapalha a comparação honesta com o transporte coletivo. Até faixa exclusiva de ônibus ainda é tratada como “polêmica”, quando deveria ser política de base. ⸻ 3. Ônibus elétrico, biocombustível e o papel do operador A CEO do ITDP lembrou que financiamento não é o único gargalo. Do ponto de vista dos operadores e das cidades, três pontos travam a eletrificação: 1. Financiamento (custo e desenho dos contratos). 2. Infraestrutura de carregamento – disponibilidade de energia, área para pátios, rede estável. 3. Terra (land): espaço físico para garagens, terminais e estações bem localizadas. O ITDP trabalha há anos com ônibus elétricos e trouxe exemplos concretos: • China, com cidades como Shenzhen totalmente eletrificadas. • Bogotá, Santiago e São Paulo, que já operam frotas eletrificadas relevantes na América Latina. Um ponto importante foi a discussão do custo total de propriedade (TCO): embora o investimento inicial seja maior, operação e manutenção do ônibus elétrico são mais baratas que as do diesel, o que torna o modelo viável em contratos bem desenhados. Novas cidades brasileiras – Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro – entrarão na rota da eletrificação de ônibus com apoio financeiro, numa espécie de “segunda onda” depois de São Paulo. ⸻ 4. Tecnologias brasileiras: etanol, biometano e criatividade O CEO da Marcopolo apresentou uma solução curiosa e muito brasileira: um ônibus elétrico recarregado a etanol. Na prática, o veículo roda com motor elétrico e baterias, mas a recarga é feita por um gerador interno abastecido com etanol – dispensando a necessidade de infraestrutura de recarga externa. Segundo a empresa, a tecnologia é Carbono Neutro graças ao balanço entre emissões e o CO₂ absorvido no plantio da cana-de-açúcar e de outras culturas usadas para produzir o biocombustível. A Marcopolo também mostrou soluções com biometano, aproveitando emissões que seriam lançadas na atmosfera para mover o veículo. A mensagem é que diversidade tecnológica é trunfo brasileiro: elétrico puro onde fizer sentido, híbrido etanol e biometano onde a infraestrutura de recarga é gargalo. O paralelo com o Pro-Álcool apareceu naturalmente: assim como o programa foi resposta à crise do petróleo, os biocombustíveis e híbridos podem ser resposta rápida para a transição energética e uma fonte de prosperidade para capital e trabalho se bem organizados. ⸻ 5. Projetos, concessões e a lentidão brasileira A Motiva puxou o tema da velocidade de entrega: • 1 km de metrô custa algo como R$ 1,2 bilhão. • Uma linha de 4 km com duas estações leva cerca de 5 anos para ficar pronta – e isso ainda é chamado de “benchmark” no Brasil e na América Latina. • No mesmo período, Shenzhen construiu 20 estações de metrô. Não é falta de capacidade técnica. Os gargalos são conhecidos: desapropriação, licenciamento ambiental, custo de capital, governança frágil. A provocação é que precisamos de novos modelos de concessão, aprendendo com exemplos como Hong Kong, onde o negócio de transporte está integrado ao real estate. Entregar ativos mais rápido exige: • governança compartilhada entre governos, operadores, financiadores e comunidades; • contratos que recompensem resultado para a sociedade (emissão reduzida, tempo de viagem menor, inclusão) e não só obra entregue; • foco em soluções escaláveis, que possam ser replicadas em diferentes cidades sem começar do zero toda vez. ⸻ 6. Três recados finais do painel No encerramento, cada participante deixou uma espécie de mantra: • ITDP: colocar o Brasil no mapa das boas práticas em mobilidade sustentável. • BNDES: a transição exige um verdadeiro “mutirão global para chegar ao futuro”, combinando recursos públicos, privados e multilaterais. • Empresas privadas (Motiva, Marcopolo): mostrar que descarbonizar gera negócio, não é apenas obrigação regulatória. ⸻ 7. Pontos de conexão com o Insper Cidades / Cidade +2°C Para o nosso diário – e para o que o Insper pode fazer a partir de Belém – esse painel deixa algumas pistas: 1. Fortalecer a Coalizão pelo Transporte como espaço de articulação entre BNDES, operadores, indústria e governos, com o Insper ajudando a organizar dados, metas e modelos. 2. Produzir estudos sobre TCO e modelos de concessão que mostrem, com números, por que faz sentido acelerar ônibus elétrico, híbrido e biometano em vez de insistir no diesel. 3. Apoiar a estruturação de projetos – da pré-viabilidade à modelagem de concessões – reduzindo o tempo de maturação de 7–10 anos. 4. Formar quadros (públicos e privados) capazes de lidar ao mesmo tempo com clima, finanças, engenharia e modelos de negócio em mobilidade. Em resumo: a tarde na Casa C.A.S.E. mostrou que o Brasil tem tecnologia, capital e experiência para fazer do transporte coletivo um protagonista da transição climática. O que falta é velocidade, coordenação e projetos bem montados – exatamente o tipo de agenda em que o Insper Cidades e o Cidade +2°C podem entrar com peso"},{"fileName":"WhatsApp Image 2025-11-20 at 17.07.05.jpeg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"COP30 | 12 de novembro | Hannah Arcushin Machado, coordenadora Adjunta e Pesquisadora Principal do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Na zona verde, ou seja, a zona que é aberta para toda a população, realizamos o Painel Cidade +2ºC, soluções de adaptação das cidades à mudança do clima. Eu e Élcio, coordenador do programa, lançamos o policy brief sobre Barcarena. Barcarena é uma cidade que fica na região metropolitana de Belém e vai universalizar o saneamento até o fim deste ano. E saneamento é uma medida de adaptação. Então, falamos um pouco sobre isso. O Nabil Bondque, professor da FAUSP e vereador de São Paulo, lembrou que mitigação é global, enquanto a adaptação é local. Isso depende das dos governos e das capacidades dos municípios em planejar e executar os projetos de adaptação. A Natália do Instituto Itaúza falou sobre o apoio que o instituto vem dando à sistematização do conhecimento e construção das capacidades locais, inclusive com a produção de dados de ciência cidadã. O Lucas, do LabCidades, que fica em Belém do Pará, reforçou a necessidade de ter projetos de qualidade e de se inspirar na floresta e nas soluções baseadas na natureza nessas soluções para as cidades e lembrou também que é muito importante que as cidades adotem soluções de adaptação transformativa que não repitam as desigualdades."},{"fileName":"3912547d-99db-42e1-84bd-bcd4c7d4f9bc (1).jpg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"COP30 | 11 de novembro | Hannah Arcushin Machado, coordenadora Adjunta e Pesquisadora Principal do programa Cidade +2°C do Centro de Estudos das Cidades Meu dia começou com uma palestra no Pavilhão da Ciência, onde estavam Carlos Nobre e Johan Rockström, uma grande referência no campo climático por sua pesquisa sobre os limites planetários. Dos nove limites planetários — como emissão de gases de efeito estufa, acidificação dos oceanos, entre outros — a humanidade, por causa dos efeitos antropogênicos, já ultrapassou sete. Isso é mais que um alerta; é um sinal roxo, mais do que vermelho, de que estamos usando mais recursos do que o planeta tem capacidade de renovar. Além desse olhar científico mais físico e biológico, pela primeira vez ouvi esse grupo de cientistas e pesquisadores falar também sobre a importância de encontrar um equilíbrio de justiça e coesão social. Em relação aos limites planetários, também precisamos alcançar esse ponto de equilíbrio ligado à justiça climática, porque é amplamente reconhecido que aqueles que menos contribuíram para as mudanças climáticas e para a superação desses limites são os que mais sofrerão seus efeitos. Na sequência, no Pavilhão de Cidades, do Ministério das Cidades e do ONU-Habitat, ouvi uma fala de Anacláudia Rossbach, brasileira e diretora executiva da ONU-Habitat Ana Cláudia ocupa o cargo mais alto do sistema ONU ocupado por uma brasileira, sendo uma grande referência e inspiração. Ela destacou basicamente dois pontos. O primeiro é que, apesar de existirem poucos dados sobre cidades do Sul Global — e de os cientistas reconhecerem que cidades são sistemas complexos e que faltam recursos e capacidade para produzir dados e pesquisas nessa perspectiva — há uma grande abertura dos pesquisadores do IPCC para trabalhar com cidades do Sul Global em uma abordagem de parceria com quem conhece os problemas na prática, os profissionais que lidam diretamente com as dinâmicas urbanas. Essa fala é importante porque, muitas vezes, soluções desenvolvidas no Norte Global acabam sendo replicadas no Sul Global por falta de pesquisas e dados produzidos localmente. Mas já há o entendimento de que essa simples transferência de soluções não se encaixa nas nossas realidades. Ana defende a produção de dados em parceria com quem atua na prática. E por que isso? Porque precisamos acelerar a implementação, a transferência de tecnologias e o fortalecimento de capacidades — e tudo começa com base em evidências científicas. Acelerar a implementação de soluções passa por acelerar também a produção e a sistematização de dados e conhecimentos. O segundo ponto destacado por Ana é que os efeitos das mudanças climáticas são mais sentidos nas cidades, onde as pessoas estão mais expostas e concentradas. Portanto, é nas cidades que precisamos adaptar nossos sistemas para o novo cenário climático. Essa adaptação passa pelo reconhecimento da importância das moradias resilientes. O setor da habitação é um dos nós centrais da adaptação climática, embora isso ainda tenha pouca visibilidade na agenda pública. No Cidades, há uma atuação muito forte com urbanismo social, moradia e habitação, e essa perspectiva é reforçada pelo mais alto cargo do ONU-Habitat, que reconhece a relevância de pensar o lugar de morar das populações frente aos eventos climáticos extremos."},{"text":"Pré-COP, na Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, em Belém | 10 novembro | Beatriz Vanzolini, coordenadora de ensino do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper Ao término da primeira etapa do processo de construção coletiva da Bienal Indígena, o grupo de coordenação realizou a sistematização dos principais temas e eixos emergentes nas rodas de conversa, reafirmando também o título Bienal Indígena: Arquiteturas e Territórios. Nas conversas, destacou-se a arquitetura como forma de habitar — seus usos, significados e materiais —, assim como a centralidade da questão territorial, incluindo a demarcação das terras, o debate sobre o marco temporal, a vida em coletividade, o bem viver e a coexistência. Também foram amplamente abordados temas como memória, tradições e modos de vida, entendendo a arquitetura como espaço de memória e ferramenta de luta. Outro ponto importante foi o impacto das transformações tecnológicas nas aldeias e suas implicações para os territórios. Essa sistematização foi apresentada no dia 10 de novembro, na Green Zone, no espaço do CAU — Conselho de Arquitetura e Urbanismo — por Thiago Karai Djekupé, Carla Bethana e Arajú Ara Poty, que destacaram a importância da arquitetura para os territórios indígenas. Nessa primeira etapa da construção da Bienal Indígena, foram oito dias de atividades no período pré-COP, em Belém, na Casa Maraká, envolvendo cerca de 100 pessoas diretamente no processo — entre lideranças indígenas, universitários, coletivos culturais e parceiros institucionais — e representando uma média de 30 povos indígenas de todo o Brasil, entre eles: Arapium, Ar uã, Bakairi, Baniwa, Guajajara, Guarani Mbya, Kaiabi, Kamayurá, Kayapó, Karajá, Kuikuro, Macuxi, Marubo, Munduruku, Pankararu, Suruí, Tembé, Tupinambá, Tuxá , Tuyuka, Uapixana, Waiwai, Wapichana, Xikrin, Xipaya, Yanomami, Yudja."},{"fileName":"DSC08830.jpg","alt":"Bienal Indígena"},{"text":"Pré-COP, na Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, em Belém | 7 e 8 de novembro | Beatriz Vanzolini, coordenadora de ensino do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper Nos dias 7 e 8 de novembro, houve a continuidade e o encerramento do processo de escuta e construção da Bienal Indígena. Nesses dois dias, 43 pessoas participaram das atividades, que seguiram a mesma metodologia adotada anteriormente: encontros em roda e diálogos sobre arquitetura e território, com a escuta de depoimentos de diferentes vozes indígenas. As conversas reuniram lideranças de diversas regiões do Brasil. André Baniwa trouxe reflexões aprofundadas sobre ciência indígena e plantas medicinais. Ehuana Yanomami, que fala a língua Yanomami, participou com tradução simultânea realizada pela antropóloga Ana Maria Machado, compartilhando conhecimentos detalhados sobre materiais e técnicas construtivas tradicionais de seu povo. Carla Bethana Marajoara, uma das primeiras mulheres indígenas com formação acadêmica em Arquitetura e Urbanismo, apresentou sua trajetória, que inspirou a formação de um grupo de arquitetos e construtores indígenas, com e sem formação acadêmica, atualmente conectando cerca de 30 pessoas em todo o Brasil. O encontro contou ainda com a presença do arquiteto e construtor Mryxoré Kayapó, além de uma comissão da Terra Indígena do Jaraguá (SP), representada pela cacique Arajú Ara Poty, por Ana Flávia e por jovens lideranças como Ciara, Samara, Richard, Leandro e William. Felipe Milanez — jornalista, ambientalista e professor da Universidade Federal da Bahia e o Mestre Joelson Ferreira, coordenador da Teia dos Povos, trouxeram contribuições importantes ao debate, assim como a antropóloga paraense Helena Palmquist, que trabalha com povos isolados, e o coordenador do museu Goeldi, Emanoel Júnior. Também esteve presente Raul Guimarães, pró-reitor de Extensão da UNESP e parceiro do projeto. Durante as conversas, duas temáticas ganharam destaque: o habitar como pertencimento — considerando os usos e significados das arquiteturas — e a necessidade de políticas públicas para a construção de equipamentos diferenciados nas aldeias. Também foram debatidas as diferenças entre o mundo indígena, compreendido como uma sociedade marcada pelo apagamento e por relações mais horizontais, e o mundo não indígena, visto como uma sociedade do acúmulo e de relações mais verticais. Assim se concluiu essa etapa fundamental do processo de escuta coletiva."},{"text":"Pré-COP, na Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, em Belém | 5 e 6 de novembro | Beatriz Vanzolini, coordenadora de ensino do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper Nos dias 5 e 6 de novembro, deram-se continuidade às oficinas colaborativas da Bienal Indígena na Casa Maraká, que reuniram ao todo 46 participantes ao longo dos dois dias. Esses encontros foram marcados por momentos de escuta e troca, fundamentais para a conceituação dos principais temas e eixos que emergiram das conversas coletivas. Durante as conversas, surgiu a proposta de renomear o projeto para “Bienal Indígena Arquiteturas e Territórios”, reconhecendo as múltiplas formas de arquitetura presentes em cada povo. A substituição do termo urbanismo por território busca expressar de maneira mais fiel a relação viva, espiritual e comunitária que cada povo mantém com seus espaços coletivos. As oficinas contaram com a participação de diversas etnias de todo o Brasil e de importantes lideranças indígenas, como Juma Xipaia, ambientalista e primeira mulher cacique do Médio Xingu, que também integrou o Ministério dos Povos Indígenas, e Dinamam Tuxá, coordenador executivo da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. Destacaram-se ainda as contribuições de Paulo Tupinambá e Jucimar Ipakire, primeiro arquiteto indígena registrado no CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), que compartilhou reflexões valiosas sobre sua trajetória acadêmica e profissional. Mais uma vez, a instituição de Roraima - CIR - esteve fortemente representada, com Luciane, Leirijane, Jerônimo e Leonardo. Elisa Pankararu e Marcello Kamayurá participaram de forma online da programação. Também estiveram presentes os parceiros e professores Luís Faria e Laís Passarelli (Escola da Cidade) e Juliana Cortez (UNESP), além do arqueólogo Eduardo Neves (USP), um dos principais pesquisadores da arqueologia amazônica, que trouxe riquíssimas contribuições sobre modos de ocupação ancestral. Nessas rodas de conversa, algumas temáticas ganharam destaque, como a questão territorial, especialmente a importância da demarcação das terras indígenas e o debate em torno do marco temporal. Outro eixo central foi o da memória, tradições e modos de vida, fortemente enfatizado pelos participantes. Discutiram-se também as transformações trazidas pela tecnologia nas aldeias, conectando-se ao tema da ciência, indígena e não indígena. Além disso, surgiram debates a respeito dos métodos construtivos, da utilização e da procedência dos materiais, assim como sobre o papel fundamental da floresta na alimentação das comunidades. Esses foram alguns dos temas que se consolidaram ao longo dos dois dias de trabalho. Os encontros foram encerrados com cantos do povo Guajajara, em um momento de celebração e partilha que reforçou o caráter coletivo dessa construção."},{"alt":"xxx"},{"text":"Pré-COP, na Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, em Belém | 3 de novembro | Beatriz Vanzolini, coordenadora de ensino do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper No dia 3 de novembro, teve início em Belém o processo de construção coletiva da Bienal Indígena. A programação foi realizada na Casa Maraká, sede da Mídia Indígena, localizada na Avenida Nazaré, no centro da cidade. Esse primeiro momento marcou o início do processo de conceituação e cocriação coletiva da Bienal, reunindo a coordenação, lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais e parceiros institucionais. Estiveram presentes representantes da Escola da Cidade, como Anderson Freitas e Pedro Vada, além de Beatriz Vanzolini, Txai Suruí e Thiago Karaí, que também representaram o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper; o Instituto A Gente Transforma, com Marcelo Rosenbaum e Adriana Benguela; Anna Diestch e Clara Mewaki, da Casa Floresta; e os anfitriões e parceiros realizadores da Mídia Indígena — Erisvan Guajajara, Priscila Tapajoara, Hony Sobrinho, André Guajajara, Richard Paiva e Thaigon Arapiuns. O primeiro dia foi dedicado à apresentação da proposta da Bienal e a um diálogo aberto com um grupo de 37 participantes, entre eles representantes do Conselho Indígena de Roraima (CIR) — Amarildo Macuxi, coordenador geral, Raquel Wapichana, Vanessa e Leonardo —, a artista indígena Djuena Tikuna, representantes da etnia Guajajara - Edinária, Márcia e Elaíde Guajajara. Estiveram também presentes Gasparini Kaingang, Assessor Internacional do Ministério dos Povos Indígenas, a Secretária Estadual de Cultura e Turismo de Belém, Ursula Vidal, Ana Cláudia Cardoso, da Universidade Federal do Pará e Thales Miranda, do Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Esse encontro inaugural foi fundamental para estabelecer as bases da conceituação coletiva da Bienal, consolidando o caráter colaborativo que orienta todo seu processo de conceituação."},{"fileName":"DSC08830.jpg","alt":"Bienal Indígena"},{"richText":"Artigos de opinião escritos por pesquisadores do Insper sobre a COP30","title":"Leia também"},{"linkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/amazonia-urbana-o-centro-do-jogo-","linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Amazônia urbana: o centro do jogo"},{"linkUrl":"https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/cop30-e-a-coalizacao-transportes--para-frear-o-aquecimento-global","linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"COP30 e a Coalização Transportes: para frear o aquecimento global"},{"jcr:title":"transparente / vermelho / turquesa"},{"buttonBackgroundColor":"rgb(229,5,5)","themeName":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"}]