[{"jcr:title":"Como a pós-graduação em Urbanismo Social no Insper mudou a visão da arquiteta Giuliana Lobo","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Formação ajudou empreendedora a repensar seu papel nos territórios, incrementar parcerias e transformar a atuação de sua empresa, a Dona Obra, em um projeto ainda mais estratégico e coletivo","authorDate":"18/12/2025 12h13","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Como a pós-graduação em Urbanismo Social no Insper mudou a visão da arquiteta Giuliana Lobo","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Quando a recifense Giuliana Lobo decidiu cursar a  [Pós-Graduação em Urbanismo Social](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-urbanismo-social)  no Insper, em 2024, ela já acumulava anos de experiência prática na área de habitação de interesse social (HIS). Arquiteta e urbanista formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Giuliana é cofundadora da  [Dona Obra](https://donaobra.arq.br/sobre/) , um negócio de impacto social que, desde 2019, atua na melhoria habitacional em comunidades vulnerabilizadas de Recife. Mas foi durante o curso que ela ampliou sua visão sobre como trabalhar de maneira mais estratégica e integrada no território — e percebeu que, para transformar realidades, é preciso construir redes. A decisão de fazer a pós-graduação surgiu a partir de uma inquietação constante: mesmo promovendo melhorias significativas em moradias, Giuliana sentia que algo ainda faltava. “Eu via que a casa era uma parte do problema. No território, existem muitas outras vulnerabilidades: segurança, acesso a políticas públicas, infraestrutura”, conta. O curso do Insper apareceu como uma oportunidade de aprofundar esse olhar — e, segundo ela, superou todas as expectativas. Do voluntariado à fundação de um negócio de impacto A trajetória de Giuliana no campo da habitação começou ainda na faculdade, onde se interessava pelas disciplinas voltadas ao urbanismo e à cidade. Enquanto cursava arquitetura na UFPE, ela atuava como voluntária em projetos sociais que, entre outras coisas, envolviam pequenas reformas para famílias em situação de vulnerabilidade. “Eu via que, por meio da arquitetura, dava para transformar a vida das pessoas”, lembra. Após se formar, em 2017, Giuliana decidiu seguir esse caminho — ainda pouco estruturado no mercado tradicional. Foi então que, ao lado da amiga e também arquiteta Denise Durey, passou a estudar o conceito de negócio de impacto social. Inspiradas por iniciativas como o Programa Vivenda e o Moradigna, ambas surgidas em São Paulo, voltados para famílias de baixa renda, juntas elas criaram, em 2019, a Dona Obra, que tem como missão levar melhorias habitacionais a pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio de reformas estruturadas e acessíveis. Desde sua fundação, a Dona Obra já realizou mais de 370 reformas, atendendo principalmente mulheres chefes de família — que representam cerca de 85% do público beneficiado. A empresa trabalha tanto no modelo B2C, com vendas diretas a clientes com acesso a financiamento, quanto no B2B, com projetos viabilizados por doações de organizações parceiras como a Habitat para a Humanidade, o Instituto Phi e a Gerdau. Apesar dos bons resultados, Giuliana sabia que poderia ir além. “No território, a gente vai percebendo outras vulnerabilidades. E começa a questionar: como atuar de maneira mais integrada? Como contribuir para a transformação do território como um todo?” Foi nesse contexto que o curso de Urbanismo Social do Insper entrou em cena. A sugestão veio por meio da rede Colabora HabitAção, da qual Giuliana faz parte, e de colegas que já haviam cursado a pós-graduação. “Um amigo me disse que o curso tinha mudado o modo como ele via a atuação no território. E, quando vi a proposta, senti que tinha tudo a ver com o momento em que eu estava”, recorda. Diversidade, estratégia e articulação Com aulas majoritariamente presenciais em São Paulo, o curso exigiu dedicação — e logística. Giuliana viajava uma vez por mês do Recife à capital paulista para participar dos módulos presenciais, conciliando as demandas do curso com a rotina intensa da Dona Obra. “Foi puxado, porém extremamente enriquecedor. As trocas com outros profissionais, de áreas tão diferentes, foram um dos maiores aprendizados”, afirma. A diversidade da turma, composta por arquitetos, assistentes sociais, profissionais do direito, da segurança pública, entre outros, ampliou sua compreensão sobre o que significa, na prática, pensar a cidade de maneira integrada. “A disciplina de segurança pública, por exemplo, me marcou muito. Entendi essa área é crucial para a transformação urbana.” Outro destaque foi a disciplina prática com a professora Kátia Mello, que envolveu o diagnóstico de territórios e o planejamento de intervenções. “Foi quando a gente conseguiu visualizar, de forma concreta, como conectar os saberes e as ações. Isso foi fundamental.” Mais do que novos conhecimentos, o curso trouxe uma mudança de mentalidade. Giuliana conta que amadureceu como empreendedora social e percebeu que o impacto só é possível quando se trabalha em rede. “Eu aprendi que sozinha não consigo. É preciso articular diferentes atores — moradores, organizações, poder público, empresas — para que uma transformação real aconteça.” Com essa nova perspectiva, Giuliana e sua sócia começaram a planejar o futuro da Dona Obra. A ideia agora é transformar o negócio em um instituto, ampliando o escopo de atuação para além das reformas habitacionais. “A casa é o ponto de partida, contudo o foco são as pessoas. Queremos olhar para o território como um todo, desenvolver projetos que integrem habitação, infraestrutura, mobilidade, cultura, geração de renda.” Essa visão mais ampla foi impulsionada diretamente pela experiência no Insper. “O curso foi essencial para despertar esse novo olhar. Me deu base, referências e estratégias para pensar de maneira sistêmica e conectada com outras frentes.” Hoje, Giuliana e Denise também se dedicam a compartilhar sua trajetória com estudantes e jovens profissionais que, a exemplo delas, acreditam na arquitetura como ferramenta de transformação social. “Quando saí da faculdade, não via muitos caminhos possíveis nessa área. Hoje eu volto lá para dizer que é possível, sim. E necessário.”"}]