[{"jcr:title":"A urgência da adaptação climática para cidades cada vez mais vulneráveis","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"O primeiro painel do evento Cidade +2°C indicou que as soluções para a resiliência dos territórios dependem de informação científica, gestão urbana e ações concretas","authorDate":"13/08/2025 13h50","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"A urgência da adaptação climática para cidades cada vez mais vulneráveis","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Adaptação e resiliência foram os temas do  [primeiro painel](https://youtu.be/h64smLB5GPM?t=6252)  do  [evento](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/08/cidade-2c-adaptacao-urbana-risco-climatico-e-financiamento-em-um-mundo-em-aquecimento)  Cidade +2°C: adaptação urbana, risco climático e financiamento em um mundo, realizado pelo  [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades)  do Insper, no dia 5 de agosto. Os convidados foram Marcelo Furtado (diretor de Sustentabilidade da Itaúsa), Rodrigo Ashiuchi (secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo), Maria Netto (diretora do Instituto Clima e Sociedade) e João Pedro Matos Fernandes (ex-ministro do Meio Ambiente de Portugal).   O debate foi moderado por Paulina Achurra e José Police Neto, respectivamente coordenadora institucional do Centro de Estudos das Cidades e coordenador do Núcleo Habitação, Real Estate e Regulação do Laboratório Arq.Futuro do Insper. Os temas do painel estão intrinsicamente ligados às expectativas em relação à Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), que vai ocorrer em novembro, em Belém do Pará.   Para Furtado, os investimentos críticos em adaptação estão na infraestrutura das cidades. O capital para isso já existe, mas a aplicação depende de bons projetos, políticas públicas, técnicos e uma visão mais integrada. Tomando como exemplo os efeitos da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul, ele explicou que os planos de emergência climática feitos em pequenos municípios evoluíram para planos que lidam com emergência, adaptação e possibilidade de prevenção. A ideia é que todo investimento deve considerar uma nova realidade de cidades 2°C mais quentes em comparação ao período pré-industrial.   O papel dos agentes de financiamento privado para a adaptação é dialogar com todos os espectros políticos, identificando como essa conversa pode ser menos polarizada, em prol das populações mais vulnerabilizadas, os principais afetados pelas mudanças climáticas. Trata-se de mostrar que a adaptação integra uma agenda econômica, social, ambiental e de futuro, e não ideológica. “As cidades que não se adaptarem desaparecerão da economia brasileira”, afirmou o diretor da Itaúsa. Ele complementou que a sociedade está cansada de negociações e quer ações, assim o fomento de negócios e oportunidades precisa olhar para o futuro.   Ashiuchi listou os três eixos da sustentabilidade seguidos pela prefeitura de São Paulo: econômico (geração de renda, produção de bens e serviços), social (cidadania, engajamento das partes interessadas, garantia de direito) e ambiental (conservação de recursos naturais e de biodiversidade, redução da poluição, mitigação e adaptação das mudanças climáticas). O secretário disse que a construção de cidades mais sustentáveis exige que se pense a descarbonização como um motor de justiça climática, eficiência econômica e infraestrutura resiliente.   Entre as ações desenvolvidas em São Paulo, segundo Ashiuchi, estão o plantio de espécies nativas da Mata Atlântica (com previsão de 120.000 mudas até a COP30), a implantação de novos parques municipais, bosques urbanos, jardins de chuva e vagas verdes e o aumento da frota de ônibus elétricos e caminhões de coleta de resíduos movidos a biometano. Ele afirmou que 82% dos ônibus elétricos do Brasil operam na capital paulista e que o investimento chegou a 6 bilhões de reais. Em conformidade com o processo de adaptação, Ashiuchi citou ainda a realização do inventário arbóreo municipal de 650.000 árvores, a criação da central de monitoramento contra incêndios e queimadas florestais, a declaração de áreas de utilidade pública (DUPs) e a preservação da cobertura vegetal.     Elevado custo econômico   Maria Netto, do Instituto Clima e Sociedade, ressaltou a urgência de vislumbrar o cenário de um planeta 2°C mais quente, pois muitos dos municípios são vulneráveis às mudanças climáticas e o planeta está se aproximando da variação de 1,5°C em relação ao período pré-industrial. Cada décimo de grau a mais na temperatura tem efeito exponencial na probabilidade de frequência e intensidade dos impactos, indica um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O custo econômico é enorme, alertou a diretora do Instituto Clima e Sociedade. Em 2024, foram 137 bilhões de dólares de perdas em desastres globais, sendo que menos da metade do valor estava segurado. “No Rio Grande do Sul, apenas 5% das perdas econômicas estavam asseguradas porque não se identificavam os riscos”, disse ela.   Conforme Maria, a necessidade de infraestruturas mais resilientes e a capacidade de responder ao clima são urgentes porque os eventos extremos já estão acontecendo e, infelizmente, vão aumentar em frequência e intensidade. A dificuldade de financiar a agenda de adaptação decorre de um impacto local causado por emissões globais. Cada município sofre consequências diferentes, e a vulnerabilidade de cada local influencia no cenário usado para medir os riscos do capital. Para Maria, a saída para a agenda do impacto do clima está na informação científica e na gestão urbana. “Muitas das soluções podem gerar novas oportunidades, mas é preciso que essas ações sejam de longo prazo”, disse ela.   Por sua vez, Fernandes contou que foi a diplomacia francesa quem concretizou o Acordo de Paris, em 2015, acima do esforço de ambientalistas, políticos ou cientistas. Parte do sucesso deveu-se à inclusão das ações de adaptação no mesmo nível de relevância das de mitigação climática. Naquela época, os mais puristas acreditavam que adaptar atrapalharia o esforço de mitigar, segundo o ex-ministro português. No entanto, os fenômenos extremos dos anos seguintes confirmaram a importância da adaptação.   O mercado pode ajudar a resolver o problema da mitigação em energia renovável, na opinião de Fernandes. Mas, para atingir a neutralidade em carbono em 2050, Portugal precisa de 2 bilhões de dólares anuais além do que já é investido atualmente. E 90% desse valor depende de investimentos das famílias e das empresas, em carros elétricos, painéis solares fotovoltaicos e refrigeradores mais eficientes, entre outras tecnologias. “Ou seja, os 10% que são investimento público estão quase todos concentrados nas redes de transporte, e não há expectativa de que o dinheiro privado resolva essa questão”, disse ele.   Enquanto questionava se os atores públicos conseguirão mobilizar o financiamento privado, Fernandes reforçou a confiança de que o processo de adaptação definirá o sucesso do ordenamento e do planejamento dos territórios. O ex-ministro finalizou com cinco temas que devem ser considerados nos esforços de adaptação: escala urbana (reduzir o calor nas cidades, priorizando árvores, sombra, pontos de água e prédios projetados com conceito de ventilação natural), rede de águas pluviais (além do tratamento de água tratada e esgoto), valorização dos elementos naturais, redução das áreas de risco das construções e redundância das infraestruturas."}]