[{"jcr:title":"No Insper, Michel Temer defende pacificação política e cobra respeito à Constituição","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"Convidado pela organização estudantil InFinance, ex-presidente defendeu diálogo entre Poderes e apontou o semipresidencialismo como alternativa para reduzir crises institucionais","authorDate":"13/05/2026 13h00","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","title":"No Insper, Michel Temer defende pacificação política e cobra respeito à Constituição","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Em evento realizado em 28 de abril no auditório do Insper, em São Paulo, o ex-presidente Michel Temer participou de uma conversa promovida pelo  [InFinance](https://www.infinanceinsper.com/) , organização estudantil da escola, diante de uma plateia numerosa. O bate-papo foi moderado por Eduardo Beyruti Suranyi e Eduardo Moreira Franco, respectivamente presidente e ex-presidente do InFinance. Ao longo do encontro, Temer falou sobre sua trajetória pública, avaliou o cenário institucional brasileiro, defendeu a pacificação política e voltou a propor o semipresidencialismo como alternativa ao atual sistema de governo. Para Eduardo Suranyi, o encontro teve significado especial por aproximar os alunos de uma liderança que participou de momentos decisivos da vida pública brasileira. “Foi um privilégio enorme poder conversar com o presidente Michel Temer”, afirmou. Segundo ele, a geração atual cresceu marcada por crises institucionais, econômicas e sociais, o que tornou ainda mais relevante a oportunidade de escutar e dialogar com alguém que ocupou diferentes cargos públicos. O presidente do InFinance também afirmou que, ao longo da conversa, ficou claro que ainda há pessoas preparadas, experientes e dispostas a pensar o Brasil. Para a organização estudantil, acrescentou, o evento reforçou o compromisso de criar espaços de debate e reflexão sobre o país, a exemplo de encontros anteriores com o presidente do Banco Central e com integrantes do Plano Real, em sua celebração de 30 anos, em 2024. Trajetória política e defesa da Constituição Questionado sobre o início de sua vida política, Temer relembrou sua passagem pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, onde se envolveu com a política estudantil. Segundo ele, sua trajetória não foi rigidamente planejada. “Eu nunca planejei bem os casos, os fatos, os cargos me ocuparam”, disse. O ex-presidente contou que, ainda calouro, foi lançado por colegas como candidato a segundo tesoureiro do Centro Acadêmico XI de Agosto, uma experiência o levou a participar intensamente da vida política universitária. Ao tratar do funcionamento do poder no Brasil, Temer afirmou que sua longa passagem pelo Congresso foi decisiva para sua compreensão da política institucional. Ele lembrou a atuação na Assembleia Nacional Constituinte, a presidência da Câmara em três ocasiões e os anos à frente do PMDB. Para ele, a governabilidade depende de uma relação permanente entre Executivo e Legislativo. “O presidente da República não pode tudo, só pode se tiver apoio do Congresso Nacional”, afirmou. “Quem governa o país efetivamente é o Executivo mais o Legislativo.” A parte mais extensa da conversa foi dedicada à Constituição e ao equilíbrio entre os Poderes. Temer recorreu a uma explicação conceitual para defender que todas as autoridades públicas devem obediência ao texto constitucional. “A Constituição é o estatuto ao qual todos devem obediência, todos sem exceção”, disse. Para o ex-presidente, a Constituição expressa a vontade popular, uma vez que foi elaborada por representantes eleitos pelo povo. “Toda vez que há uma inconstitucionalidade, há uma desobediência à vontade popular.” Temer rejeitou a ideia de uma “tripartição dos poderes”, preferindo falar em “tripartição do poder”. Segundo ele, o poder pertence ao povo, que o distribui entre órgãos com funções distintas: legislar, executar e julgar. Nesse ponto, afirmou que o Legislativo ocupa posição central por representar de forma mais ampla a vontade popular. “O Legislativo é o primeiro dos poderes de Estado”, disse, ao argumentar que o Executivo e o Judiciário atuam a partir das normas produzidas pelo Parlamento. O ex-presidente também fez um diagnóstico crítico da polarização política brasileira. Para ele, divergências são naturais e necessárias em uma democracia, mas o país ultrapassou esse estágio e entrou em um processo de radicalização. “A democracia vive da divergência. Uma divergência que, discutida, pode chegar a determinadas convergências”, afirmou. O problema, segundo Temer, é quando a disputa política passa a ter como objetivo a destruição do adversário. “Se eu perder a eleição, o meu dever é destruir quem ganhou a eleição. Isso não é uma coisa civilizada.” Nesse contexto, Temer defendeu a necessidade de um pacto republicano. Ele afirmou que o país precisa de diálogo entre os Poderes, a sociedade civil e a oposição. “Eu falo permanentemente na pacificação do país”, disse. Para o ex-presidente, essa não é apenas uma preferência pessoal, mas uma exigência constitucional. “O que falta é cumprir o Estatuto, ou o que falta é cumprir a Constituição.” Reformas, diálogo e os “vespeiros” do governo Na área econômica, Temer relembrou o cenário que encontrou ao assumir a Presidência após o impeachment de Dilma Rousseff. Segundo ele, o país enfrentava retração do PIB, inflação elevada, juros altos e desequilíbrio nas contas públicas. “Eu precisava ousar um pouquinho. Não vou me incomodar com a popularidade”, afirmou. A primeira medida mencionada foi o teto de gastos, aprovado por emenda constitucional. “Eu talvez seja obrigado a tomar medidas não populistas, talvez impopulares, mas que se tornarão populares depois.” Temer também citou as reformas trabalhista, previdenciária e do ensino médio como exemplos dos “vespeiros” que decidiu enfrentar. Segundo ele, a chave para aprovar medidas difíceis foi o diálogo com o Congresso e com a sociedade. Ao comentar a reforma trabalhista, afirmou que o governo passou meses discutindo o tema com federações empresariais e centrais sindicais antes de enviar o projeto ao Legislativo. “Diálogo também é um dos fundamentos da democracia”, disse. Ao avaliar o debate público atual, Temer criticou a falta de projetos nacionais e a centralidade excessiva dos nomes na disputa política. Para ele, as eleições deveriam ser organizadas em torno de programas de governo, e não apenas de antagonismos pessoais. “Nós não temos projetos. Nós temos nomes”, afirmou. “Nos últimos tempos o voto tem sido contra e não a favor.” Semipresidencialismo e pacificação nacional O ex-presidente também defendeu sua proposta de adoção do semipresidencialismo no Brasil. Na avaliação dele, o presidencialismo brasileiro produz crises recorrentes porque o presidente é eleito antes de construir uma maioria parlamentar. Temer argumentou que o impeachment, mesmo quando previsto constitucionalmente, gera traumas institucionais. No semipresidencialismo, segundo ele, o presidente manteria funções relevantes de chefe de Estado, enquanto a administração interna seria conduzida por um primeiro-ministro apoiado por maioria parlamentar. Para Temer, o modelo também ajudaria a reorganizar o sistema partidário brasileiro. Ele criticou a existência de dezenas de siglas e afirmou que muitas delas não correspondem a correntes reais de opinião. “Você acha que tem 36 correntes de opinião no nosso país? Não tem”, disse. Em sua visão, um sistema semipresidencialista tenderia a dividir o Parlamento de forma mais clara entre situação e oposição, dando mais responsabilidade aos partidos. No encerramento, perguntado sobre que conselho daria a si mesmo se pudesse voltar ao tempo de universitário, Temer enfatizou a importância da leitura, da especialização e do trabalho constante. “Em cada área sua, se especialize para valer. Não adianta passar superficialmente pelas matérias”, afirmou. Ele também recomendou aos estudantes que conheçam a Constituição e seus direitos. “A leitura desenvolve o seu raciocínio”, disse. Entre reflexões institucionais, memórias pessoais e críticas ao ambiente político atual, Temer deixou aos estudantes uma mensagem centrada em três ideias: respeito à Constituição, diálogo entre adversários e responsabilidade pública. Para o ex-presidente, a superação da crise brasileira passa menos por fórmulas imediatas e mais pela reconstrução de uma cultura política capaz de trocar radicalização por convergência."},{"jcr:title":"Eduardo Moreira Franco, Michel Temer e Eduardo Beyruti Suranyi","fileName":"Eduardo Moreira Franco, Michel Temer e Eduardo Beyruti Suranyi .jpeg","alt":"Eduardo Moreira Franco, Michel Temer e Eduardo Beyruti Suranyi"}]