[{"jcr:title":"Entre lucro, planeta e sociedade, uma nova lógica para a sustentabilidade e a regeneração","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade"},{"richText":"Para Tobias Hahn, da Esade, enfrentar as tensões entre desempenho econômico e saúde dos ecossistemas é essencial para avançar rumo a modelos de negócio regenerativos","authorDate":"26/02/2026 11h55","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","title":"Entre lucro, planeta e sociedade, uma nova lógica para a sustentabilidade e a regeneração","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"No dia 9 de dezembro de 2025, o auditório do Insper foi palco de uma das palestras mais provocativas do evento  [São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/12/school-of-advanced-science) . O keynote speaker da manhã foi o professor Tobias Hahn, da Esade Business School (Espanha), referência internacional em sustentabilidade corporativa e nos estudos sobre paradoxos organizacionais. Com o tema “Tensions and Paradoxes in Sustainability and Regeneration”, Hahn  [apresentou](https://www.youtube.com/live/988i4gixHyA)  uma visão crítica e realista sobre os desafios da sustentabilidade no mundo empresarial, convidando o público a repensar ideias muitas vezes tidas como consolidadas. Ao longo de pouco mais de 50 minutos, o pesquisador abordou os dilemas enfrentados por organizações que tentam conciliar desempenho econômico, responsabilidade social e preservação ambiental — as três dimensões clássicas do desenvolvimento sustentável. “Sustentabilidade é como um Kinder Ovo: queremos pessoas, planeta e lucro em um só pacote. Mas, na vida real, não é tão simples assim”, afirmou Hahn, usando uma metáfora bem-humorada que marcou o início da apresentação. “Se fosse fácil alinhar tudo isso, provavelmente já teríamos resolvido os principais problemas da sustentabilidade.” Sustentabilidade não é um “ganha-ganha” garantido Para Hahn, um dos equívocos mais comuns é tratar a sustentabilidade como um campo de soluções em que todos saem ganhando. Embora a ideia de que “ser verde compensa” esteja amplamente difundida, ele argumenta que as tensões entre interesses econômicos, sociais e ambientais são muitas vezes inevitáveis — e precisam ser enfrentadas de forma honesta e estratégica. “A lógica do business case for sustainability — ou seja, adotar práticas sustentáveis apenas quando elas servem à estratégia comercial — é válida até certo ponto. Mas há questões sociais e ambientais que não se encaixam facilmente nessa lógica. Isso não significa que devemos ignorá-las, mas sim reconhecer as tensões e aprender a navegar por elas”, afirmou. O professor convidou o público a refletir sobre os paradoxos organizacionais: situações em que elementos contraditórios coexistem e são interdependentes. Um exemplo cotidiano citado foi a tensão entre vida pessoal e profissional, que competem pelo tempo disponível, mas também se reforçam mutuamente. “Paradoxos não são apenas contradições. Eles também trazem interdependência e persistência. E isso os torna especialmente relevantes para pensar sustentabilidade.” Da sustentabilidade à regeneração Na segunda parte da palestra, Hahn introduziu o conceito de negócio regenerativo — um estágio mais avançado em relação à sustentabilidade convencional. Segundo ele, enquanto a sustentabilidade busca mitigar impactos negativos e alinhar iniciativas verdes à lógica de mercado, a regeneração propõe uma inversão mais profunda: colocar a saúde dos ecossistemas como ponto de partida para a ação empresarial. “Negócios regenerativos não começam com o sucesso empresarial como objetivo principal. Eles começam com a saúde dos sistemas socioecológicos nos quais estão inseridos”, explicou. “Essa mudança representa um novo paradigma, um deslocamento de um pensamento ‘de dentro para fora’, que parte das capacidades da empresa, para um pensamento ‘de fora para dentro’, em que a pergunta central é: o que o ecossistema precisa de nós?” Hahn destacou que esse tipo de abordagem exige um redimensionamento da lógica de crescimento, adotando um modelo mais humilde, adaptativo e enraizado nos contextos locais. “O crescimento pelo crescimento deixa de ser o objetivo principal. O foco passa a ser o papel que a organização pode desempenhar na regeneração do sistema ao qual pertence.” Um convite à ousadia pragmática Em sua conclusão, o professor da ESADE reforçou que não se trata de romantizar ou simplificar os desafios da regeneração. “É difícil. Talvez não funcione em larga escala com as regras de mercado atuais. Mas precisamos tentar, experimentar, aprender.” Ele propôs um equilíbrio entre realismo e utopia: “Não existe solução prática sem sonho, e não existe utopia possível sem um mínimo de ação concreta. O pensamento paradoxal nos ajuda a navegar esse espaço — ele é apenas o primeiro passo. O próximo é garantir que as pessoas tenham condições reais de agir.” Hahn também chamou atenção para a importância da transparência nos relatos corporativos sobre sustentabilidade, criticando o excesso de triunfalismo e a ausência de honestidade sobre os dilemas enfrentados. “Para mim, uma organização só pode ser considerada séria em seu esforço regenerativo se estiver disposta a falar abertamente sobre suas falhas, seus conflitos internos e os limites das soluções adotadas.” Engajamento do público A palestra foi marcada por forte participação do público, especialmente na dinâmica inicial em que os presentes foram convidados a se posicionar fisicamente em relação a duas visões conflitantes sobre sustentabilidade: uma centrada em trade-offs (compensações entre objetivos) e outra na integração plena com a estratégia comercial. O exercício evidenciou a diversidade de perspectivas entre os participantes e ilustrou, na prática, os dilemas centrais da fala de Hahn. Durante a sessão de perguntas, temas como governança global, falhas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e o risco de greenwashing no uso do termo regeneração foram abordados com profundidade. “Não estou tão preocupado pelo fato de não alcançarmos todos os ODS até 2030. Eles são guias aspiracionais. O importante é manter viva a conversa sobre onde queremos chegar — mesmo em meio às mudanças geopolíticas e tecnológicas que vivemos”, afirmou o professor. Sobre o palestrante Tobias Hahn é professor titular no Departamento de Sociedade, Política e Sustentabilidade da Esade Business School, na Espanha. É editor-adjunto dos periódicos Journal of Business Ethics e Business & Society, e um dos nomes mais influentes na pesquisa sobre sustentabilidade corporativa, paradoxos organizacionais e transições para modelos regenerativos. Também presidiu a divisão Organizations and the Natural Environment (ONE) da Academy of Management. A palestra de Tobias Hahn fez parte da programação do segundo dia da São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability, evento promovido pelo Insper com apoio da Fapesp, entre 8 e 17 de dezembro de 2025. A iniciativa reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais de diversos países para discutir abordagens sistêmicas e interdisciplinares para os desafios da sustentabilidade no século 21.  "}]