[{"jcr:title":"Diversidade etária: do conflito à colaboração entre gerações","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/diversidade","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni"},{"richText":"Especialistas discutem inclusão e convivência intergeracional em evento promovido pelo Comitê Alumni de Diversidade, Equidade e Inclusão do Insper","authorDate":"12/12/2024 16h06","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni","title":"Diversidade etária: do conflito à colaboração entre gerações","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Cada geração carrega seus próprios desafios, virtudes e preconceitos. No entanto, quando diferentes perspectivas se somam, o resultado pode superar o que cada geração teria condições de alcançar sozinha. Essa foi uma das reflexões que vieram à tona no painel “Diálogos entre gerações: quebrando barreiras etárias”, realizado no dia 5 de novembro pelo Comitê Alumni de Diversidade, Equidade e Inclusão do Insper. O evento contou com a participação de Willians Fiori, especialista em longevidade e professor na pós-graduação em gerontologia, geriatria e mercado de saúde no Hospital Albert Einstein; a consultora em estratégia Maria Eduarda Liu, bacharel em Direito pela PUC e especialista em Law & Economics pelo Insper; e a professora Marilda Andrade, sócia-fundadora do Ateliê Corporativo e docente em cursos de MBA e educação executiva. A mediação ficou a cargo de Jacqueline Paiva, executiva de tecnologia, mentora de carreira e liderança e uma das coordenadoras do Comitê Alumni de Diversidade, Equidade e Inclusão do Insper.   Jacqueline abriu o painel destacando a relevância de iniciativas como essa, que buscam ir além das discussões tradicionais sobre diversidade. “Nosso objetivo é ampliar o debate e refletir sobre a convivência entre gerações, trazendo perspectivas e experiências que nos ajudem a enxergar como podemos evoluir juntos”, afirmou. A mediadora compartilhou sua jornada pessoal, relatando seus quase 20 anos de experiência em uma empresa centenária de telecomunicações. “No início, com menos de 30 anos, eu rotulava colegas mais velhos como ‘dinossauros’. Anos depois, ao deixar a empresa, percebi que havia me tornado aquilo que critiquei. Essa experiência me ensinou sobre a importância da empatia e da autocrítica e que todos têm o seu valor, independentemente da sua idade ou do tempo de casa.”   Alguns dados apresentados por ela no início do evento traçaram o pano de fundo para as discussões. Em 2050, 30% da população brasileira terá mais de 50 anos. Essa projeção suscita uma questão crucial: como as empresas e a sociedade estão se preparando para essa transformação? O cenário atual apresenta dados preocupantes: sete em cada dez empresas brasileiras não possuem políticas de inclusão etária, e profissionais acima de 50 anos têm 60% menos chances de promoção. Outro dado aponta que, em 2040, a idade média da força de trabalho no Brasil será superior a 45 anos. No entanto, especialistas apontam que a verdadeira inovação surge justamente da colaboração entre diferentes gerações.     Incentivos à diversidade geracional   Especialista em etarismo e envelhecimento, Willians Fiori expandiu sua área de pesquisa junto a Tati Gracia ao desenvolver o projeto Decodificando Gerações, que analisa as dinâmicas entre diferentes faixas etárias no ambiente corporativo. “Observei nos debates empresariais, e mesmo nas redes sociais, uma constante competição entre gerações, com cada grupo exaltando suas qualidades e criticando os demais. Isso me levou a identificar três perfis geracionais distintos”, explicou Fiori. “A Geração Dopamina é formada por jovens nativos digitais, que buscam gratificação imediata e são profundamente influenciados pela tecnologia. A Geração Sanduíche representa principalmente mulheres acima dos 35 anos, que enfrentam o desafio de equilibrar carreira, responsabilidades familiares e pressões sociais. Já a Geração Prateada engloba profissionais com mais de 50 anos que enfrentam preconceitos relacionados à senioridade no mercado de trabalho.”   Fiori alertou para as consequências da falta de políticas de inclusão etária nas empresas. “Em 2040, a idade média da força de trabalho no Brasil ultrapassará os 45 anos. Se as áreas de Recursos Humanos não se adaptarem a essa realidade e não começarem a valorizar os profissionais mais experientes, muitas organizações poderão fechar as portas”, advertiu. O especialista citou o setor de tecnologia como exemplo preocupante desse quadro: “Em algumas empresas de tecnologia, profissionais com apenas 35 anos já são considerados ‘velhos’ para a função. Como podemos lidar com essa mentalidade? É essencial reconhecer que todas as gerações têm seu papel na composição do mercado e da sociedade.”   Para Fiori, a solução vai além de iniciativas isoladas para grupos etários específicos. O especialista defendeu uma abordagem mais integrada, sugerindo a criação de equipes que reúnam profissionais de diferentes gerações, em vez de focar apenas em grupos específicos como os 50+. “Precisamos superar a visão compartimentada que separa os profissionais apenas pela idade. Não estamos lidando com categorias abstratas, mas com pessoas que têm experiências e perspectivas complementares”, enfatizou.      Os desafios dos jovens e a percepção sobre os “velhos”   Maria Eduarda compartilhou sua experiência como jovem profissional e os desafios que enfrentou em seu primeiro emprego. “Enfrentei um ambiente hostil e cobranças severas, típicas dos estágios de Direito. Foi um choque que me obrigou a desenvolver uma armadura emocional e buscar conhecimento técnico”, relatou. “Mas isso abriu as portas para o mercado financeiro, onde tive a oportunidade de crescer graças a uma mentoria feminina com líderes inspiradoras. É preciso ter uma preparação para o mercado corporativo, e o direcionamento é a melhor forma de conduzir jovens.”   Maria Eduarda pediu paciência com os jovens que estão começando. “O processo de aprendizagem e adaptação ao ambiente corporativo é complexo, demanda tempo e uma escuta ativa para ambos os lados”, observou. Ela também questionou estereótipos relacionados à idade: “Ainda persiste uma visão ultrapassada que associa a senioridade à falta de energia, mas a realidade é bem diferente. Como exemplo, minha mãe, aos 60 anos, é uma das pessoas mais dinâmicas que conheço”. Segundo ela, o aumento da expectativa de vida está transformando as relações entre as pessoas: “Hoje, vivemos mais e melhor, mas precisamos nos preparar para essa nova realidade de longevidade. A verdadeira oxigenação vem da troca entre pessoas com vivências diferentes. É isso que move as organizações e a sociedade para frente”, disse ela.     A importância de respeitar as diferenças   Na visão de Marilda Andrade, professora e especialista em gestão de pessoas, os conflitos geracionais seguem um padrão histórico que precisa ser compreendido e superado. "Existe um ciclo recorrente no mercado de trabalho: cada geração mais experiente tende a criticar as práticas e valores dos profissionais mais jovens. Hoje, escuto que a Geração Alfa ‘não tem comprometimento’ ou ‘não valoriza o trabalho’, exatamente as mesmas críticas que eram direcionadas à Geração Y há alguns anos”, observou. “A realidade é que todas as gerações querem trabalhar, mas com abordagens diferentes.”    Segundo ela, cada geração aprende com os erros das anteriores e desenvolve novos modelos de trabalho, como vemos hoje, com os jovens rejeitando o excesso de trabalho que marcou sua geração. “Minha geração, nos anos 1980, era típica dos workaholics. Hoje, as gerações mais jovens rejeitam esse excesso e valorizam o equilíbrio. Acho isso fantástico!”   A professora chamou atenção para um paradoxo no ambiente corporativo atual: ao mesmo tempo em que profissionais em início de carreira são questionados por sua inexperiência, aqueles que chegam aos 30 anos já enfrentam preconceitos relacionados à idade em determinados setores. “Lembro que, no início da minha carreira, sofri preconceito por ser jovem em um setor onde se acreditava que apenas pessoas maduras poderiam lidar com negociações importantes. Isso levanta a questão: em que momento somos considerados produtivos? A resposta é que somos produtivos em todas as fases da vida. Só precisamos aprender a respeitar as diferenças”, disse Marilda.     O papel das empresas e da sociedade   Fiori compartilhou estratégias que utiliza para sensibilizar diferentes públicos sobre a questão etária. Ee relatou como transformou sua abordagem ao perceber que discussões diretas sobre envelhecimento frequentemente esbarravam em resistências e preconceitos. “Durante um evento com gestores do setor supermercadista, em vez de falar abstratamente sobre o ‘público envelhecido’, decidi trazer a discussão para um contexto mais pessoal, perguntando aos participantes sobre seus próprios familiares idosos”, explicou. “Quando as pessoas começam a pensar em seus pais, avós ou outros parentes queridos, a conversa ganha uma dimensão mais humana e significativa.”    Para Fiori, ao relacionar o envelhecimento ou a juventude com experiências familiares — como pais, filhos ou netos —, o público se identifica mais facilmente e se apropria da discussão. “Isso torna o tema mais acessível e relevante, criando uma compreensão mais profunda e significativa sobre a importância de conectar gerações e repensar os estigmas”, disse.   O painel concluiu com um convite à reflexão sobre o papel que cada um tem na promoção da diversidade. “As empresas frequentemente enxergam a diversidade apenas como uma iniciativa de responsabilidade social. Embora isso já devesse ser motivo suficiente para ações concretas, há também evidências claras de que a diversidade impulsiona vendas, inovação e lucratividade. Afinal, pensar de forma diferente é a base para inovar”, disse Jacqueline.    A mediadora destacou que a transformação do ambiente corporativo depende de ações individuais e coletivas. "Cada pessoa, independentemente de sua posição hierárquica ou papel social, tem a capacidade de influenciar positivamente essa mudança. Seja na família, seja no trabalho ou na comunidade, nossas escolhas e atitudes impactam a forma como diferentes gerações interagem e colaboram”, disse Jacqueline. “O momento exige mais que discursos bem-intencionados ou ações de marketing: precisamos de práticas concretas e consistentes que promovam uma verdadeira integração geracional.”  "}]