[{"jcr:title":"Da periferia ao centro das decisões: quando a experiência se transforma em política pública","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_3":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/institucional"},{"richText":"Luana Alves de Melo, alumna do Insper e coordenadora-geral na Secretaria Nacional de Periferias, foi homenageada no prêmio Women in Action por sua trajetória de impacto e liderança","authorDate":"29/04/2026 20h29","author":"Michele Loureiro","madeBy":"Por","tag":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/alumni","title":"Da periferia ao centro das decisões: quando a experiência se transforma em política pública","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A história de Luana Alves de Melo começa em Paratibe, na periferia da região metropolitana do Recife. Filha de uma costureira e de um marceneiro, cresceu em um território onde as desigualdades não eram conceitos abstratos, mas experiências cotidianas. Foi ali, ainda muito jovem, que entendeu que o acesso à moradia, à infraestrutura, ao transporte e aos serviços não é apenas uma questão urbana, mas uma disputa por direitos. Hoje, atua como coordenadora-geral na Secretaria Nacional de Periferias, no Ministério das Cidades, onde trabalha para transformar territórios e ampliar oportunidades. “Cresci em um território popular, em uma família que sempre lutou muito para garantir condições dignas de vida. Foi esse chão que me formou”, afirma. A vivência direta com essas desigualdades a aproximou de movimentos sociais e iniciativas comunitárias, marcando o início de uma trajetória construída a partir da organização coletiva. Urbanismo social e construção coletiva A escolha pelo urbanismo não veio da teoria, mas da prática. Ela começou sua atuação em assessoria técnica popular e diz que esse foi um ponto de inflexão, pois permitiu a construção de soluções junto às comunidades, incorporando os saberes do território ao planejamento urbano. “Ali, eu entendi que o urbanismo não é só desenho de cidade; é ferramenta de disputa política e de garantia de direitos”, diz. Ao longo do tempo, o trabalho em redes — especialmente com mulheres — ampliou o alcance das iniciativas e fortaleceu sua dimensão política. Durante a pandemia, a coordenação de ações de mapeamento de vulnerabilidades e redes de solidariedade evidenciou tanto a potência da organização territorial quanto os limites da ausência do Estado. “Eu não chego sozinha ao meu cargo atual. Eu chego com um acúmulo coletivo e com o compromisso de levar essa experiência dos territórios para dentro da política pública”, afirma. Formação, redes e incidência em escala A formação na [Pós-Graduação em Urbanismo Social: Gestão Urbana, Políticas Públicas e Sociedade](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/programas-avancados/pos-graduacao-em-urbanismo-social) , do Insper, surgiucomo um movimento de aprofundamento e ampliação de repertório. Mais do que ferramentas técnicas, a experiência fortaleceu sua capacidade de articulação. “Eu já vinha de uma atuação concreta nos territórios, mas sentia a necessidade de dialogar com outras experiências e disputar esse espaço de formação”, explica. No Insper, o contato com diferentes trajetórias consolidou uma visão de política pública baseada na construção coletiva. Seu trabalho de conclusão de curso, o “Urbaniza Jaca”, sintetiza essa abordagem ao propor um plano popular construído a partir da escuta ativa e da participação direta do território. Desenvolvido com base em processos coletivos, o projeto articula diagnóstico, priorização de demandas e desenho de soluções urbanas junto à comunidade, integrando aspectos como moradia, infraestrutura e acesso a serviços. Mais do que um exercício acadêmico, o trabalho se consolidou como um modelo de atuação que valoriza o protagonismo local e a construção compartilhada.  “Essa experiência hoje se desdobra na minha atuação em escala nacional, coordenando políticas de planejamento territorial com ampla participação popular, como no Programa Periferia Viva, em frentes como urbanização de favelas, regularização fundiária, melhorias habitacionais, CEP para Todos, residências e planos populares”, diz Luana. Do território à política pública Um dos exemplos mais concretos desse percurso é o programa CEP para Todos, que já garantiu a inclusão de mais de 12 mil favelas no sistema de endereçamento postal. Mais do que um dado administrativo, trata-se de um avanço estrutural na inclusão territorial. No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, o projeto avançou para a implementação de CEP por rua, aprofundando o acesso a direitos. Nesse processo, Luana reencontrou outra alumna do Insper, evidenciando como uma mesma formação pode se desdobrar em diferentes frentes de atuação que se conectam na construção de políticas públicas. “O impacto é muito concreto. Ter um CEP é poder receber uma encomenda, acessar serviços, abrir uma conta, conseguir crédito e se cadastrar em políticas públicas. Mais do que isso, é reconhecimento”, afirma. Ainda assim, os desafios permanecem. “Não basta reconhecer o endereço. É preciso garantir urbanização, infraestrutura, acesso a serviços, políticas sociais e segurança da posse”, diz. Nesse contexto, o Programa Periferia Viva busca articular essas frentes de forma integrada, ampliando escala e efetividade. Representatividade e transformação A trajetória de Luana também é atravessada pelos desafios da representatividade. Como mulher negra em posição de liderança, enfrentou barreiras relacionadas ao acesso, à permanência e ao reconhecimento. “O racismo estrutural e o machismo operam de forma constante, muitas vezes de maneira sutil, outras vezes de forma explícita. Isso exige um esforço permanente de afirmação, resistência e permanência nesses espaços”, afirma. Ao mesmo tempo, destaca o papel das redes de apoio: “Encontrei pessoas que caminharam junto, acolheram e fortaleceram minha permanência”. Esse percurso, marcado por resistência e construção coletiva, também ganhou reconhecimento recente. Por sua atuação, Luana foi homenageada no prêmio [Women in Action](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/gestao-e-negocios/premio-women-in-action-reconhece-mulheres-que-promovem-inovacao-e-impacto-social) do Insper, em um momento que simboliza não apenas sua trajetória individual, mas também o avanço de agendas que buscam ampliar vozes e lideranças nas políticas públicas. “Essa homenagem me atravessa de forma muito profunda. Pessoalmente, ela dialoga com a minha história, com a trajetória da minha família e com tudo que foi necessário para chegar até aqui. Profissionalmente, reafirma a importância de colocar as periferias no centro das políticas públicas”, afirma. Para Luana, o reconhecimento ultrapassa o plano individual. “Eu vejo esse prêmio como parte de uma agenda maior, que precisa ampliar vozes e garantir presença — especialmente de mulheres negras — nos espaços de decisão”, diz. Em sua visão, é essa presença que tem o potencial de reconfigurar a forma como políticas públicas são concebidas e implementadas. “Porque, quando mulheres negras acessam, permanecem e se movimentam nesses lugares, a gente não muda só a própria trajetória. A gente abre caminhos, amplia possibilidades e ajuda a transformar a forma como as políticas públicas são pensadas e implementadas no nosso país”, conclui.  "}]