A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor

Conheça dados deste estudo elaborado pelo professor titular da Cátedra Instituto Unibanco

O Insper realizou no dia 26 de julho, em parceria com o Instituto Unibanco, o seminário “A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor”, um evento que marcou o pré-lançamento da Cátedra Instituto Unibanco, liderada pelo Prof. Sergio Firpo e voltada para pesquisa em educação focada no ensino médio.

Marcos Lisboa, presidente do Insper, apresentou Firpo dividindo com o público uma satisfação pessoal por trazer o pesquisador ao corpo docente da instituição. “Sergio faz parte de um grupo especial de pesquisadores que têm como propósito trazer ao país o debate de políticas públicas”, disse. Lisboa reforçou a importância da produção de pesquisa com base em evidências e lembrou que a instituição tem ampliado seu modelo de atuação por meio de cátedras que fomentam a produção de conhecimento aplicado.

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A Qualidade do Ensino Médio no Brasil: o papel do gestor

Atendimento do Ensino Médio no Brasil e Fluxo no Ensino Médio

O professor Sergio Firpo iniciou o seminário apresentando duas metas do Plano Nacional de Educação para o Ensino Médio: a evolução da taxa líquida de atendimento (porcentagem de jovens na escola) e da taxa líquida de matrículas entre jovens de 15 a 17 anos entre 2000 e 2014.

Os resultados mostram uma evolução nos números ao longo dos anos: 82,6 e 61,4%, respectivamente, porém não atingindo a meta estabelecida de 100% e 85%. O acesso à escola foi ampliado, mas essa evolução não se traduziu em qualidade da educação, mesmo com a economia em crescimento. Diferentemente do ensino fundamental, o ensino médio apresentou uma queda de performance dos alunos, sobretudo na rede pública. Além disso, foi detectada uma taxa de 20% de abandono e reprovação. “Talvez pela baixa qualidade do ensino”, disse o professor.

Distribuição do Ensino Médio entre Redes

O estudo realizado contou com amostra de mais de 27 mil escolas entre as redes federais, estaduais, municipais e particulares, sendo mais de 18 mil (67%) dentro do segmento de escolas estaduais. Foram coletados dados também relativos às matriculas distribuídas dentro desta classificação e, num total de mais de 8 milhões, 7 milhões são relativas à rede estadual.

Qualidade do Ensino Médio: desempenho no Pisa e evolução de qualidade

O estudo detectou que o desempenho do Brasil no Pisa – avaliação internacional de desempenho educacional – está aquém do desejado quando comparado com a média dos demais países membros da OCDE. Na distribuição dos estudantes por níveis de proficiência em matemática, 67% dos brasileiros estão abaixo da linha básica de proficiência, ou seja, 2/3 estão dentro ou abaixo do desejado (Nível 1).

Quando verificada a evolução da qualidade da educação por etapa e rede, entre 1997 e 2013,   percebe-se que houve progresso tanto em português quanto em matemática na análise dos dados percentuais dos alunos com nível de proficiência esperado ou acima nestas disciplinas até o 5º ano do fundamental. Entre 6º e 9º ano, há leve queda em português e resultado estável em matemática, mas o mesmo já não acontece nos dados do ensino médio. Neste caso, os dados se invertem aos do fundamental e o desempenho nestas disciplinas cai ao longo dos anos.

Quando observado o resultado do IDEB em 2005, 2011 e 2013, pouco progresso é encontrado. A metas de 3,9 para a rede pública é quase atingida apresentando nota 3,7 em 2013. No mesmo ano, obtém-se resultado alcançado em 5,4, frente a 5,2 da meta para a rede privada.

A conclusão é que aprimoramos a inclusão e alcançamos alguns bons resultados mas é necessário melhorar a qualidade do ensino. “É um desafio que não temos conseguido resolver”, disse Firpo.

O evento foi transmitido ao vivo. Assista na íntegra:

Qualidade do Ensino Médio particular: índice de preços e gestão

Para melhorar a qualidade da educação no Ensino Médio na rede pública é necessário estudar dados que sejam de interesse para a formação de políticas públicas. O estudo recomenda então voltar seu olhar para o comportamento dos resultados no ensino particular para então propor políticas públicas que possam ser adequadas à realidade do ensino médio estadual.

Evidências empíricas mostram que as famílias estão dispostas a pagar por mensalidades mais altas no ensino médio quando busca-se qualidade no ensino. Outro ponto trazido pelo estudo é a de que há uma correlação positiva entre rankings locais do ENEM e mensalidade das instituições que influenciam um Índice de preços neste mercado. Algumas escolas puderam cobrar até 17,5% a mais em suas mensalidades após apresentarem alto desempenho no ENEM.

O estudo mostra que há relação na alteração da cobrança das mensalidades quando o resultado do ENEM começou a ser divulgado. Esta prática afetou o mercado no ensino particular, no entanto, observa-se que não houve alteração na composição sócio demográfica das escolas, tampouco em seus insumos e também na qualidade dos professores, o que leva a hipótese de que o aumento de 15% no desempenho no ENEM pode ser resultado de incentivos de mercado que influenciam a qualidade da gestão, já que o efeito maior foi observado em regiões metropolitanas, onde o Ensino Médio é mais competitivo.

“Como mudar os incentivos para que gestores se preocupem com a qualidade na redes pública como acontece na rede particular?”, questionou o professor. “A rede pública não conta com os mesmos incentivos de mercado da rede privada.”

Qualidade do Ensino Médio público

Existem evidências que comprovam um aumento de 40% no aprendizado de alunos em escolas públicas estaduais que passaram por programas pilotos de gestão escolas, mas existe um desafio neste ambiente já que a rede pública não atua de maneira semelhante à particular por não receber os mesmos incentivos de mercado. Os gestores da rede pública não recebem os mesmos estímulos da rede privada, ou seja, é necessário debater quais seriam os estímulos adequados ao ensino público para que as melhorias de gestão afetem diretamente na qualidade do ensino.

Programa Jovem do Futuro – Instituto Unibanco

É um programa cujo foco está na gestão escolar da rede pública em que o instituto atua de forma a instruir e treinar gestores a cumprir metas e melhorar o desempenho de seus estudantes, reforçando a importância de se planejar ações, sugerir metas de desempenho a serem perseguidas, checar o cumprimento das mesmas.

Implementado de 2008 a 2010 em escolas públicas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, o efeito do programa foi de 5 pontos na escala SAEB, porém ainda investiga-se consequências desse projeto e em que medida os resultados das escolas que foram capazes de planejar e implementar seus planos de ação foram melhores do que as que não o fizeram. Saiba mais sobre o Programa Jovem do Futuro.

Acesse o conteúdo da apresentação do professor Sergio Firpo.

Saiba mais sobre a agenda de pesquisa da Cátedra Instituto Unibanco.

2016

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é professor titular da Cátedra Instituto Unibanco no Insper.