Fake news podem ameaçar a disputa eleitoral de 2018

A enxurrada de informações inverídicas que circulam na rede pode levar o eleitor ao erro no momento de decisão do voto

Diariamente, as fake news circulam pela Internet e ganham uma escala sem precedentes com as redes sociais. Isso porque muitas pessoas reproduzem informações que defendem uma posição política, ideológica, religiosa ou até mesmo por uma questão emocional, sem checar a veracidade dos fatos.

Essa questão é preocupante por conta do tamanho da rede que se forma em torno das notícias falsas. Levantamento de setembro de 2017 do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), apontou que 12 milhões de perfis online compartilham regularmente notícias falsas nas redes sociais no Brasil, incluindo os bots, mantidos por programas automáticos.

Fake news são um exercício de despreocupação e irresponsabilidade das pessoas, que se difundiu com a tecnologia. Na economia, damos o nome a esse fenômeno de tragédia dos comuns, em que indivíduos contrariam os interesses de uma comunidade, agindo de acordo com seus próprios interesses”, define Fernando Schüler, titular da Cátedra Insper e Palavra Aberta.

O cenário se complica quando, em ano de eleições, os websites e as redes sociais prometem ser as principais plataformas para os debates políticos e campanhas eleitorais. A produção de notícias falsas faz parte de uma estratégia de manipulação da informação para atingir o eleitorado.

Cada usuário tem em média 200 seguidores. Isso ampliaria a capilaridade dos 12 milhões de brasileiros que divulgam notícias falsas para 2,4 bilhões de pessoas, o que representa quase um terço da população mundial.

Dado o poder de desvirtuar ideias e ludibriar o eleitorado com informações inverídicas, o tema chegou na Justiça Eleitoral e na Polícia Federal, que estudam formas de punir e desarticular redes de fake news.

Diante disso, o presidente do TSE, Luiz Fux, afirmou que está tomando diversas ações para combater a prática, como a punição aos candidatos que as utilizarem em suas campanhas, a criação de uma comissão de trabalho para o combate de notícias inverídicas e eventualmente a prisão para quem seguir manipulando as informações.

É da natureza humana?

Segundo Schüler, as fake news são quase uma espécie de consequência, um traço da natureza humana, porque o raciocínio humano não foi programado para buscar a verdade o tempo todo. “Não somos máquinas de procurar a verdade, somos máquinas de convencer os outros sobre nossas ideias e paixões”, comenta.

Por isso, na sua visão, uma forma do eleitor distinguir as “notícias falsas” é fazer um esforço para se despir de suas crenças, tendo muito rigor com as evidências e verificando se são suficientes para produzir uma conclusão.

“As pessoas não vão parar de expressar seu pensamento nas redes sociais. E tudo bem. A liberdade de expressão é importante, mas o emissor de notícias falsas precisa ser constrangido”, declara Schüler.

Antídoto online

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, em parceria com o coletivo holandês de jornalismo Drog, desenvolveram um jogo online que pretende contribuir e esclarecer aos usuários da Internet em relação aos danos e perigos das fake news. O jogo, chamado Bad News, promete educar o usuário ao colocá-lo no papel de divulgador de mentiras.

“Se você se colocar no lugar de uma pessoa que está tentando enganá-lo, isso deve aumentar a sua capacidade de identificar e resistir a suas técnicas”, diz Sander van der Linden, um dos desenvolvedores do jogo, da Universidade de Cambridge.

“Quando você quer vencer a desinformação, bloquear nunca deveria ser uma opção. Em vez disso, você deveria ridicularizá-la”, defende Ruurd Oosterwoud, fundador do Drog.

Oito dicas para não cair em armadilhas

1. Confira se a fonte da notícia é conhecida e confiável e se suas outras publicações são duvidosas.

2. Não confunda sites de humor ou textos de opinião com notícia. A identificação de fontes originais e comprovação dos fatos são fundamentais.

3. Cheque se a página tem algum disclaimer eximindo-a do compromisso de veracidade dos fatos publicados.

4. Fique atento se o domínio do site publicador é estranho ou duvidoso e observe a URL (endereço que aparece no navegador). Sites de notícias falsas imitam veículos de imprensa, com pequenas alterações.

5. Desconfie de sites com muita propaganda, eles podem estar apenas em busca de cliques para gerar mais audiência e lucro com publicidade.

6. Desconfie de manchetes apelativas, prevendo grandes desastres e conquistas, uso de letras maiúsculas e pontos de exclamação. Conteúdos que incitam raiva ou tristeza também exigem cuidado.

7. Campanhas de empresas ou mesmo de governos usam canais oficiais de comunicação, e não o compartilhamento em grupos de redes sociais digitais ou aplicativos de conversa online. Confirme especialmente quando pedirem que você clique, compartilhe ou faça qualquer tipo de doação.

8. Atenção máxima a conteúdos que pedem: “Repasse” ou “Compartilhe”. Informações que valham ser difundidas não precisam de mensagens promovendo a sua divulgação.