Insper realiza o 2º Fintech Day com especialistas do mercado brasileiro

Regulamentação, tendências e práticas foram temas dos debates do evento, que integrou também uma feira com a ABFintechs

O número de fintechs cresceu 36% em 10 meses, passando de 264 empresas em fevereiro de 2017 para 369 em novembro do mesmo ano, segundo o mais recente relatório da FintechLab, hub brasileiro especializado. Esse avanço mostra que a revolução tecnológica no mercado financeiro já começou e é irreversível. O assunto foi tema do 2° Fintech Day, que reuniu especialistas de diversas áreas para discutir a ascensão deste segmento no último dia 18 de abril, no Insper. Foram quatro painéis de debate: Criptomoedas, Regulação, Investimento e Crédito. O evento integrou também uma feira com 18 estandes de empresas parceiras da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs).

“Uma revolução está acontecendo e isso desafia a regulação, que deve promover, incentivar e permitir o empreendedorismo. É importante ficar atento às falhas, que podem acontecer devido ao processo de aprendizado, mas que não podem se sobressair aos ganhos dessa novidade”, destacou Marcos Lisboa, presidente do Insper, na abertura do evento.

Fintechs são empresas financeiras (fin) que usam a tecnologia (tech) para oferecer produtos de uma forma inovadora, focadas na experiência e necessidade do usuário. O avanço desse modelo de negócio nos últimos anos está ligado a três fatores: a inclusão digital, a chegada de um novo perfil de consumidores ao mercado, os millennials, e ao fácil acesso às plataformas virtuais, que permitem aos clientes melhor navegabilidade mesmo com acesso mobile. Além disso, a tecnologia dentro do mercado financeiro viabiliza menores investimos operacionais, permitindo a oferta de taxas de juros menores do que os praticados por bancos tradicionais.

Moeda virtual

O painel de debate sobre as criptomoedas trouxe uma novidade. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, que no início do ano proibiu os fundos de investirem em criptomoedas, antecipou que publicará um parecer, em maio, com o objetivo de orientar gestores sobre os riscos de investimento nas moedas virtuais.

A princípio, por se tratar de um ativo novo, a CVM regulou esse tipo de investimento de forma menos flexível. No entanto, com a crescente busca de investidores por este mercado, a tendência é que o órgão crie normas.

“O objetivo é trazer mais segurança jurídica para os investimentos nestes ativos”, explicou Daniel Maeda, superintendente da CVM. A iniciativa incentiva fintechs especializadas em criptomoedas.

Rodrigo Vieira, advogado empresarial da Tozzini Freire Advogados, foi o moderador do painel Criptomoedas, que, além de Maeda, contou com a participação de João Canhada, co-fundador da Fox Bit, e Rosine Kadami, representante da Blockchain Academy.

Investimento

Despreocupado. Camaleão. Construtor. Sonhador. Planejador. Esses são os cinco perfis identificados em pesquisa conduzida pela ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e pela consultoria Na Rua sobre a relação das pessoas com dinheiro. Por meio desses perfis é possível perceber como o brasileiro investe e se planeja financeiramente. Do lado das empresas, como oferecer produtos que atendam às demandas cada vez mais específicas e personalizadas.

Outra questão levantada no painel foi o U investimento em títulos públicos, como o Tesouro Direto. O programa é bastante acessível, com aportes inicias a partir de R$ 30 reais por mês, e apresenta baixo risco, garantindo o recebimento do valor investido. “Os investidores, sejam arrojados ou pequenos, devem estar atentos aos benefícios do investimento em títulos públicos, porque isso pode fazer diferença no futuro”, enfatizou Paulo Marques, gerente de Relacionamento Institucional do Tesouro Direto.

Ricardo Rocha, professor do Insper, moderou o painel Investimento, que contou com palestras de Paulo Marques e Ana Leoni, diretora da ANBIMA. Além da participação de Carlos Ratto, conselheiro da Monetus, e Felipe Sotto-Maior, diretor da Vérios Investimentos.

Transparência

O Open Banking foi o tema central do painel que tratou sobre Regulamentação. A divulgação das atividades financeiras dos bancos é uma iniciativa boa para as fintechs, pois aumenta a concorrência entre as instituições financeiras, incentivando a inovação tecnológica do setor baseada na transparência.

A atividade é comum no Brasil desde 1999, quando o então presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, aprovou a obrigatoriedade da divulgação de taxas de juros pelos bancos. No entanto, as informações nem sempre chegam ao consumidor final.

“A prática do Open Banking promete mais transparência de dados, mas não adianta publicar dados e não os divulgar ao consumidor final”, afirmou Flávio Maia, diretor financeiro do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP). Por isso, o Banco Central fez um acordo com a Fundação Lemann para incentivar o desenvolvimento de aplicativos que ampliem a divulgação de dados.

A ideia é criar uma ferramenta que compare taxas de juros de instituições financeiras da mesma forma dos aplicativos de comparação de preços de produtos convencionais.

“O Open Banking é uma das maiores revoluções dentro do setor e é uma revolução irreversível, que traz novos desafios ao mercado financeiro”, defendeu Eduardo Dotta, professor do LL.M em Mercado Financeiro e de Capitais do Insper.

É consenso que a regulamentação das fintechs tende a aumentar a segurança jurídica de seus contratos, contribuindo para o aumento da eficiência e da concorrência no mercado de crédito. Os participantes do painel acreditam também que as oportunidades surgem através da cooperação e de parcerias entre as instituições financeiras.

Além de Eduardo Dotta, que comandou o debate, e Flávio Maia, o painel Regulamentação reuniu Jairo Saddi, ex-presidente do Conselho do Insper Direito, e Guga Stocco, co-fundador da DOMO Invest, empresa focada no desenvolvimento de startups.

Peer-to-peer (P2P)

Em agosto de 2017, o Banco Central publicou um edital de consulta pública, que regulamenta dois tipos de fintechs de crédito. A sociedade de crédito direto, em que o empréstimo é feito com recursos próprios, não permitindo parceria com grandes bancos; e a sociedade de empréstimo entre pessoas (P2P), que funciona como uma corretora de crédito, unindo quem tem dinheiro para aplicar e quem quer fazer empréstimo. O P2P oferece ganhos maiores aos investidores do que as aplicações tradicionais e garante menor taxa ao consumidor.

A medida regulatória do Banco Central tem como objetivo aumentar a concorrência entre as instituições financeiras, fomentar o crédito e reduzir seu custo para o cliente.

“A regulação vem para ajudar e não para restringir. A postura do Banco Central é tornar o sistema mais seguro e confiável”, ressaltou Fábio Neufeld, co-fundador da Kavod Lending, fintech de empréstimos coletivos P2P. O painel foi aberto por Rodrigo Soeiro, diretor da ABFintechs e teve a participação de Alan Genaro, professor da FEA, e Ricardo Kalichsztein, CEO da Bom Pra Crédito.

2° Fintech Day

O 2° Fintech Day, um dia inteiro para discussão e fomento a temas relacionados ao ecossistema das Fintechs, foi realizado pelo Insper em parceria com a Associação Brasileira de Fintechs. O evento foi transmitido ao vivo e pode ser visto aqui: