O impacto das práticas gerenciais na produtividade

Professor Sérgio Lazzarini fala sobre o papel do gestor na administração nos setores público e privado

Discute-se amplamente que a baixa produtividade das nossas empresas é uma das principais causas do atual quadro de baixo crescimento do país. Segundo o professor Sérgio Lazzarini, estudos acadêmicos têm evidenciado que a adoção de melhores práticas gerenciais é um fator crítico para aumentar a produtividade nas organizações privadas e públicas. Ele citou os recentes trabalhos dos pesquisadores John Van Reenen (MIT) e Nicholas Bloom (Stanford), que apontam que a qualidade da gestão responde por 25% dos fatores relacionados à produtividade.

Ganhar maior produtividade significa fazer mais com os mesmos recursos. As empresas brasileiras têm encontrado dificuldade em evoluir no contexto contemporâneo de competição global e nossos administradores têm papel importante para reverter esse quadro.

Melhores práticas

Há algumas décadas que a administração pública passou a se inspirar nas boas práticas da administração privada. A busca da eficiência, conhecida neste setor como New Public Management, incorporou o processo de gestão que envolve planejamento, avaliação e participação do setor privado para garantir mais eficiência na aplicação de recursos públicos.

O professor titular do Insper explica que a visão mais recente é focada na geração de valor público, no reconhecimento das ações de políticas públicas que realmente vão impactar na qualidade de vida da população. Essa abordagem supera a visão da eficiência e é caracteriza por dinamizar as possibilidades de integração dos setores públicos e privados na resolução dos desafios da sociedade.

Os governos continuam com suas responsabilidades relacionadas a educação, saúde e segurança. Mas encontram parceiros nos agentes privados que poderão oferecer esses serviços otimizando os recursos e o impacto, completa.

Investimento de impacto

Atualmente, Lazzarini se dedica ao estudo dos empreendimento público-privados de alto impacto. Nessa dinâmica, estes setores se organizam para atingir resultados de valor público que são mensurados e avaliados economicamente. Os participantes privados podem ser remunerados a partir do valor público gerado, como é o caso dos contratos de impacto social (social impact bonds). Eles são um mecanismo para remunerar os investidores que alcançaram ou superaram as metas de impacto social estabelecidas no contrato entre os agentes privados e o governo.

O professor atualmente lidera o Insper Metricis, núcleo dedicado ao estudo de investimentos de impacto e mecanismos modernos de remuneração por variáveis de interesse público. O Metricis é um dos núcleos que integram o Centro de Estudos em Negócios do Insper.

Pesquisa em administração

Lazzarini iniciou seus estudos como pesquisador no campo da estratégia empresarial, área que analisa a alocação de recursos por parte das organizações. Esta área de administração estuda a dinâmica de geração de valor das empresas, seja pela adição de benefícios e atributos a um produto ou serviço, seja buscando eficiência e menores custos. Nesta primeira fase, o professor se dedicou especialmente a avaliar o impacto das alianças entre empresas. Por exemplo, na aviação comercial, como as redes podem gerar valor para as companhias e para os passageiros.

Em seguida, Lazzarini passou a concentrar seus esforços na relação entre os setores privado e público. Como nos casos em que a empresas privadas atuam no provimento de serviços públicos, com a supervisão do setor público. Ele cita, como exemplo, as prisões administradas pela iniciativa privada. Alguns dos trabalhos desenvolvidos por Lazzarini nesta área foram em coautoria com o professor associado do Insper, Sandro Cabral.

Ainda sobre as relações entre público e privado, Lazzarini estudou a participação do governo na gestão de empresas privadas. No Brasil, mesmo após as privatizações, o governo brasileiro preservou uma capacidade expressiva de influenciar nas decisões estratégicas das empresas. Esse fenômeno está descrito nos seus livros “Capitalismo de Laços” e “Reinventando o Capitalismo de Estado”, este último em coautoria com o professor da Brandeis (EUA) Aldo Musacchio.

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